sexta-feira, 24 de junho de 2011

A separação do Sudão: uma história sem fim

Sem acordo definido para a paz, país africano ainda sofre com guerras e incertezas para o futuro

Por Thiago Marcondes

O Sudão, pais ao norte do continente africano e governado com mãos de ferro pelo ditador Omar al-Bashir, aprovou a separação entre sul e norte, por conta de diferenças políticas e religiosas, em um referendo ocorrido no dia 09/01/2011, conforme artigo "Sudão do Sul: um novo Estado, uma nova guerra?". 

Analistas e especialistas tinham em mente que a separação entre os muçulmanos do norte e os cristãos do sul ocorreria de forma relativamente pacífica após Bashir dizer que aceitaria o resultado do pleito sem discordar do veredícto. Porém, não foi bem isso que ocorreu nos últimos meses.

O Sudão do Sul, novo estado que já nasce de falido e sem estrutura para sua população, é rico em pretróleo e o governo do norte decidiu que os frutos/lucros devem ser repartidos de forma igual para ambos os lados, já que tem a estrutura para extraçao/exportação.

Na região de Abyei, localizada mais ao sul da ainda unificada nação (porque a data oficial da separação será dia 09/07/2011), há petróleo e é onde os atuais conflitos entre ambos os lados ocorrem. As Nações Unidas estão no local, mas não conseguiram por fim aos conflitos.


Pacificadores foram chamados às pressas para tentar mediar um acordo de paz na região que já sofre tanto com problemas de guerra cívil e refugiados em Darfur, campo ao norte do país em que abriga cerca de 5,5 milhões de habitantes. As tribos não árabes foram massacradas pelas "Janjawid", espécie de mílicia do governo.

O ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, foi chamado à Etiópia para conciliar às partes e tanto o governo de Bashir quanto o do Sudão do Sul (Movimento pela Libertação das Pessoas do Sul em tradução livre) assinaram o acordo para a desmilitarização da região, após estarem reunidos por 01 semana em Addis Abeba, capital etíope.

Mais uma vez tudo indica que a paz poderá voltar a região, mas quando o assunto é acordo com ditadores e África tudo pode mudar de uma hora para a outra e uma nova guerra pode eclodir, ou a que já existe continuar de forma mais sagrenta e violenta. O mundo deveria abrir mais os olhos para esse local, devastado por conflitos e guerras cívis nos últimos 50 anos.

Para os sudaneses, sejam do norte ou do sul, a vida continuará um inferno assim como na Líbia, Nigéria, Costa do Marfim e República Democrática do Congo, isso somente para citar algumas nações africanas com problemas, enquanto para nós passará somente como mais um "guerrinha" onde o povo já está acostumado com isso.

Thiago Marcondes é Jornalista

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