quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Havana: uma cidade encantadora

Conhecer a capital é como viver no passado sem perder a essência desse mundo globalizado

Por Thiago Marcondes

Minha viagem por Cuba começou em 2005 ao ler muitas coisas sobre o país, a cultura, o povo e as histórias após chegada de Fidel Castro ao poder. Muitos afirmam que a revolução cubana começou, de fato, com José Martí após a independência da nação em relação ao domínio espanhol.

Cuba sempre foi um sonho por conta do socialismo exercido na ilha. Ao analisar as teorias de esquerda o país não é socialista 100%, mas os governantes conseguiram universalizar muitos direitos básicos para os cidadãos. Não sou socialista, embora os oráculos da vida, os aspirantes ao cargo de presidente da O.N.U. e a turma do N.A.S. (Neuróticos Anônimos do Sofá – expressão emprestada da grande jornalista, pesquisadora e professora Cilene Víctor) se esforcem para afirmar isso, mas alguns dos ideais me encantam e conhecer um lugar com esse sistema político é uma situação mais que gigante. É magnífico!

Por conta do período de faculdade, que incluiu muitos gastos e ainda por cima não trabalhei com jornalismo (uma pequena frustração), não houve condições financeiras para visitar o país, mas nunca pensei em desistir do sonho. Quando estava próximo do casamento conversei com minha esposa, na época ainda noiva, sobre a viagem de lua de mel e ela, sem pensar duas vezes, aceitou conhecer a ilha.

Eu e minha esposa ficamos em Havana por cinco dias, no bairro El Vedado, conhecido como um dos melhores da cidade por estar próximo do centro, da Praça da Revolução, do Malecón, Museu da Revolução e com muitos hotéis e restaurantes na região. A hospedagem foi Hotel Tryp Habana Libre, de 4 estrelas, e muitos falaram que visitar um país extremamente pobre e ficar em uma lugar praticamente de luxo era algo contraditório, mas isso não abalou a ideia da viagem.

Praça da Revolução - Foto: Thiago Marcondes

Em Cuba existem dois tipos de moedas que são os pesos cubanos, usados pelos cubanos, e o CUC (peso convertíveis), usado pelos turistas e estrangeiros residentes na ilha. 1 CUC é equivalente a cerca de 20 e 25 pesos cubanos e o salário médio de um cidadão está por volta de US$ 30 e US$ 35.

Saía todos os dias para conhecer a cidade, andar pelas ruas, falar com as pessoas, visitar museus e vários pontos turísticos. Existem relatos na internet com informações que os cubanos pedem dinheiro aos turistas e isso não ocorreu. Não como citam, de ser abordado na rua e ter os cidadãos como simples pedintes.

Os cubanos pedem, e isso é verdade, uma gorjeta, digamos assim, quando ajudam as pessoas nas ruas com informações sobre qual ônibus pegar, qual caminho seguir etc. Se um turista entrega 1 CUC como gorjeta é praticamente o mesmo que um dia de trabalho para as pessoas. Entretanto não há mendigos nas ruas e nem crianças no semáforo com balas ou quaisquer outros produtos para vender e poder ajudar a complementar a renda das famílias.

As crianças nas ruas sempre estavam com uniformes escolares ou brincando entre si. Ou seja, aproveitavam a infância como qualquer outro de sua idade e viviam sem preocupações de adultos.

Como meio de transporte utilizei taxis privados (alguns vão ficar com nó na cabeça por pensar em algo privado em Cuba, mas existe), pois tinham preços acessíveis (cerca de 5 CUC’s), e o serviço de ônibus como qualquer cidadão utiliza. Há taxis coletivos e o dono do veículo tem um trajeto fixo e deve parar nos pontos para entrada e saída de passageiros. O valor é mais em conta e geralmente os carros são velhos, mas sem perigo algum para quem os utiliza.

Taxi coletivo - Foto: Thiago Marcondes

Caminhar pelas ruas também é tranquilo, seja de dia ou à noite. Havana não tem perigo, pois as pessoas precisam do turismo para sobreviver e tratam super bem os visitantes. Quem trabalha nessa área recebe em CUC’s e tem acesso a produtos que a maioria da população não consegue por conta das condições financeiras.

Existem perigos na cidade? Claro que sim! Por ser uma capital o viajante está sujeito a qualquer situação, porém afirmo ser mais tranquilo caminhar em Havana do que em São Paulo, Recife, Medellín ou Bogotá. O turista pode se sentir inseguro, pois existe racionamento de energia e muitas vezes algumas ruas ficam escuras. Ao sair para jantar um casal não carrega menos que 50 CUC’s e qualquer cubano tem essa noção. Esse valor representa mais que um mês de salário e quem viaja se sente como potencial vítima de assalto.

Para turistas os produtos e passeios são relativamente caros. Principalmente para os latino-americanos por conta da moeda de seus respectivos países. 1 CUC é equivalente a US$ 0.87 e às vezes é menos caro viajar para os Estados Unidas do que para Cuba.

Os edifícios, ônibus e carros são antigos e deixam a cidade com um aspecto romântico, saudosista e misterioso ao mesmo tempo. Ao olhar pela janela do quarto ou mesmo nas ruas acreditava estar em um filme da década de 50 ou 60, mas era março de 2014.

Acredito que a situação dos cubanos seria extremamente melhor caso não existisse o embargo econômico. As pessoas têm saúde e educação gratuitamente, mas em contrapartida algumas liberdades são restritas e nos mercados não há tantos produtos básicos disponíveis para todo o mês.

Nem tudo é perfeito e não importa o sistema político, mas no meu simples ponto de vista a revolução cubana foi praticamente concretizada por conta dos serviços básicos que todos os povos do mundo deveriam ter e os cubanos têm. Ainda há muito para melhorar e com a volta das relações com os Estados Unidos tudo indica que haverá crescimento.

Por toda a cidade há outdoors sobre a revolução - Foto: Thiago Marcondes

Cuba é atrativa, encantadora, maravilhosa e conhecer a ilha foi um grande sonho realizado. Visitei também Cayo Largo, uma pequena ilha no Caribe, e Varadero, mas as histórias dessas viagens ficam para outros posts.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Quem está ao meu lado na rua?

Por Andrea Garbim

Local da cena:

Rua Itapeva. Região da Paulista - onde há grande circulação de 'pessoas cheirosas por fora e fedidas por dentro'. Tô na luta. Na correria. Há uns 10 dias esqueci meus documentos num consultório médico. Não tinha me tocado. Não tinha notado. Mas, andando pelas ruas, eu sempre noto quem está do meu lado.

Os personagens: 

Os PMs, eu, a pedestre, o garoto humilde e a namoradinha.

Ainda na cena: 

Tudo muito rápido, questão de segundos, enquanto eu voltava para o metrô Trianon, o garoto humilde (de bermuda desbotada e camisa furada) descia a Itapeva com a moto quebrada. Na hora pensei: que azar, a moto quebrar bem aqui. Em questão de segundos, vejo a viatura dar uma ré INACREDITÁVEL - quase atropelou a pedestre que atravessava no SINAL VERDE pra ela. Deram a ré e aquele movimento: três PMs saem da viatura, todos com a arma na mão e num flash, no segundo mais inacreditável, viram o garoto humilde dando um beijo na boca da sua namoradinha. Ela segurava alguns exames na mão. Ela abraçava o garoto humilde. Não houve abordagem. Não houve revista.

Eu parei na calçada por alguns segundos.... 

Dois dos PMs, que saíram apontando a arma, eram mulheres. Elas rapidamente diziam uma para a outra: "não é nada não", "não é nada não". O PM motorista que quase atropelou a pedestre (na hora da ré) nem desculpas pediu para a moça (que também já nem estava mais ali). Talvez, na hora da "missão" ele nem tenha se dado conta de que quase feriu alguém por um "engano".

Fiz questão de continuar olhando o garoto humilde com a moto quebrada e a sua namoradinha - que deveria estar atrasada para o trabalho. Os beijos eram bem rápidos (rsss) me parece que ela deu alguma notícia para ele...

Só que depois de refletir sobre o que tinha acabado de acontecer, meu peito apertou: o garoto humilde sequer NOTOU que, em SEGUNDOS, enquanto ele descia a Itapeva com a moto quebrada para buscar a namoradinha, TRÊS ARMAS foram apontadas para ele e pelas costas.

E eu, na cena, agradeci a Deus por ter tido a honra de morar na periferia desde os meus 11 anos de idade. Isso me deu a oportunidade de olhar para as pessoas pobres e humildes e não fazer qualquer tipo de "julgamento". E também não estou aqui fazendo um relato ou julgando a ação dos PMs. Eles estavam a trabalho. Se eu fosse um PM talvez também teria errado. Me coloco no lugar do outro, sempre que possível. Imagina o veneno que deve ser viver esse “dia-a-dia-mundo-cão”. Não gosto nem de pensar.

E não dá pra negar a nossa realidade: a injustiça cravada no seio do mundo. Descriminação. Dúvida sobre quem é quem na sociedade. Quem está do meu lado na rua?
Talvez esse seria o nome da peça: “Quem está ao meu lado na rua”?

domingo, 17 de janeiro de 2016

Beasts of No Nation: um choque de realidade

Forte, realista e chocante a vida dos meninos-soldados

Por Thiago Marcondes

Lançado em outubro de 2015 nos cinemas e no Netflix o filme "Beasts of no Nation" é uma realização de Cary Fukunaga e baseado no livro de Uzondinma Iweala. A película retrata a situação da guerra civil na África onde crianças são recrutadas para a luta armada.

O cenário do filme é nas florestas africanas, porém o autor não informa o nome do país onde se passa a guerra apesar de ser conhecido que Camarões, Nigéria, Sudão, Costa do Marfim e muitos outros países do continente passaram (e ainda passam) pelo mesmo problema.

O vilarejo onde vive Agu, um menino feliz e imaginativo durante sua infância, sofre o ataque do exército do governo que tenta dominar as regiões do país para seu líder assumir o controle. Antes do confronto os líderes locais decidem que mulheres e crianças devem mudar de cidades enquanto os homens permanecerão para defender o território.

O drama do menino Agu começa quando seu pai não consegue um lugar no transporte e somente sua mãe com uma irmã e um irmão pequenos saem da cidade. Ele fica junto ao pai e um irmão mais velho. Nesse momento começa seu drama, pois parte da família foi desfeita por conta dos conflitos.

Com seu pai e irmão mortos pelo exército do governo ele foge para a floresta e um grupo rebelde o captura e o recruta como menino-soldado para tentar retomar o controle das cidades e do país. À partir desse momento a vida se torna um verdadeiro inferno.


Agu passa por treinamento, carrega munição, mata um refém e recebe uma arma para começar a lutar juntos aos rebeldes. Uso de drogas, violência, mortes e abuso sexual são rotinas constantes do menino que fica em estado de choque após ser estuprado pelo comandante do grupo.

O filme trata uma realidade existente no mundo e que causa muitos traumas em inúmeras pessoas, destrói famílias e muitos não se recuperam. Os governos locais e os rebeldes parecem não dar importância a situação, pois quem não recruta crianças as matam para não se tornarem parte das milícias e grupos combatentes.

Muitos morrem, outros permanecem vivos e com os rebeldes e há os acolhidos por ONG's e outras instituições para receberem tratamento, educação e auxílio psicológico. Recuperar esses meninos-soldados é extremamente difícil, pois a infância não acontece duas vezes e eles perdem a melhor fase da vida, aquela para brincar sem ter preocupação com praticamente nada.

Famílias são destruídas e o ódio plantado na mente das crianças. Não há desejo de sobreviver, mas sim de acabar com o inimigo, que muitas vezes pode ser o vizinho ou o colega da escola.

Grandes governos fazem vistas grossas para esses problemas e deixam que cada país cuide de seus assuntos internos. O problema dos meninos-soldados era conhecido somente na África, mas atualmente acredita-se que o Estado Islâmico recruta e treina crianças para combater em territórios sírio e iraquiano.

Recrutar garotos é um método antigo que pode não recuperar as crianças, as famílias e as vítimas, pois a sociedade, com o tempo, consegue superar os problemas das guerras e se erguer novamente. Claro que isso depende de como o país vai ser conduzido e se as partes envolvidas almejam paz.

O filme serve para abrir os olhos da sociedade em relação aos problemas e atrocidades no mundo que muitas vezes grandes jornais, revistas e TV's não relatam por não atenderem aos padrões comerciais. Ou seja, não rendem dinheiro de publicidade pelo fato de não ter audiência do público.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Como comprar passagens mais baratas para vôos no Chile

Empresas aéreas cobram mais caro de turistas que selecionam país diferente de "Chile"

Por Thiago Marcondes

Sempre tive vontade de conhecer o Brasil e o mundo e muitas vezes o preço da passagem aérea segura um pouco meu ímpeto e, com certeza, de outros viajantes. Há casos em que o destino da viagem pode ser alterado por conta do alto custo.

Ao planejar uma viagem para o Chile, com uma parada de 3 dias para visitar Mendoza, o Aconcágua e cruzar a fronteira de ônibus para conhecer a famosa estrada Caracol, que passa pela Cordilheira dos Andes, me deparei com uma situação um pouco inusitada em relação aos preços de passagens.

A ideia é conhecer Santiago do Chile e o deserto do Atacama. Para chegar ao local o viajante precisa ir de avião da capital chilena para uma cidade chamada Calama (informações sobre como chegar até San Pedro de Atacama serão disponibilizadas em outro post) e as companhias aéreas que realizam o trajeto são Sky Airline e Lan Chile.

Ao acessar site da Sky Airline você deve selecionar o país de origem e escolhi Brasil. O valor da passagem por pessoa, com taxas, ficou por volta de US$ 234.00 Quase o preço oferecido pela Aerolíneas Argentinas pelos trechos "São Paulo / Mendoza" e "Santiago / São Paulo".



Pela Lan Chile, que geralmente tem preço superior, a passagem ficava por US$ 171.00 com taxas. Ao acessar você também precisa selecionar o país e mais uma vez optei por Brasil. Fechei com a Lan por ser menos caro? Claro que não! Pesquisei em blogs de turistas e descobri que ao selecionar o país como Chile as passagens ficam mais em conta.

Retornei aos sites e pela Sky consegui por US 73.00 com taxas e pela Lan Chile ficava US$ 2,00 mais caro. Geralmente os sites não aceitam cartões de crédito de bandeira brasileira, mas os blogs pesquisados passaram uma dica que funcionou perfeitamente.

Habilite seu cartão para compras no exterior e na forma de pagamento não tente parcelar, pois as companhias não aceitam. Pague à vista! Em ambos os sites os valores aparecem em pesos chilenos e isso impossibilita finalizar o processo. Altere para dólares estadunidenses (me recuso a dizer americano, pois na minha concepção qualquer um nascido na América do Sul, Central ou do Norte é americano) e vai conseguir efetuar a reserva e, consequentemente, pagar as passagens.

Não tenho uma explicação para isso, mas sei que as empresas aéreas usam desse artifício e conseguem obter lucros maiores. Gostaria apenas de deixar bem claro que essa medida é decidida pela própria empresa e nada tem a ver com o governo brasileiro. Ressalto isso, pois na próxima passeata pode ter gente com faixa de impeachment  por conta dos preços das passagens para Calama.

Thiago Marcondes é um sonhador, mas para a turma "pseudo-intelectual" não passa de um comunista (sic)

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De Mendoza até Santiago de ônibus