domingo, 17 de janeiro de 2016

Beasts of No Nation: um choque de realidade

Forte, realista e chocante a vida dos meninos-soldados

Por Thiago Marcondes

Lançado em outubro de 2015 nos cinemas e no Netflix o filme "Beasts of no Nation" é uma realização de Cary Fukunaga e baseado no livro de Uzondinma Iweala. A película retrata a situação da guerra civil na África onde crianças são recrutadas para a luta armada.

O cenário do filme é nas florestas africanas, porém o autor não informa o nome do país onde se passa a guerra apesar de ser conhecido que Camarões, Nigéria, Sudão, Costa do Marfim e muitos outros países do continente passaram (e ainda passam) pelo mesmo problema.

O vilarejo onde vive Agu, um menino feliz e imaginativo durante sua infância, sofre o ataque do exército do governo que tenta dominar as regiões do país para seu líder assumir o controle. Antes do confronto os líderes locais decidem que mulheres e crianças devem mudar de cidades enquanto os homens permanecerão para defender o território.

O drama do menino Agu começa quando seu pai não consegue um lugar no transporte e somente sua mãe com uma irmã e um irmão pequenos saem da cidade. Ele fica junto ao pai e um irmão mais velho. Nesse momento começa seu drama, pois parte da família foi desfeita por conta dos conflitos.

Com seu pai e irmão mortos pelo exército do governo ele foge para a floresta e um grupo rebelde o captura e o recruta como menino-soldado para tentar retomar o controle das cidades e do país. À partir desse momento a vida se torna um verdadeiro inferno.


Agu passa por treinamento, carrega munição, mata um refém e recebe uma arma para começar a lutar juntos aos rebeldes. Uso de drogas, violência, mortes e abuso sexual são rotinas constantes do menino que fica em estado de choque após ser estuprado pelo comandante do grupo.

O filme trata uma realidade existente no mundo e que causa muitos traumas em inúmeras pessoas, destrói famílias e muitos não se recuperam. Os governos locais e os rebeldes parecem não dar importância a situação, pois quem não recruta crianças as matam para não se tornarem parte das milícias e grupos combatentes.

Muitos morrem, outros permanecem vivos e com os rebeldes e há os acolhidos por ONG's e outras instituições para receberem tratamento, educação e auxílio psicológico. Recuperar esses meninos-soldados é extremamente difícil, pois a infância não acontece duas vezes e eles perdem a melhor fase da vida, aquela para brincar sem ter preocupação com praticamente nada.

Famílias são destruídas e o ódio plantado na mente das crianças. Não há desejo de sobreviver, mas sim de acabar com o inimigo, que muitas vezes pode ser o vizinho ou o colega da escola.

Grandes governos fazem vistas grossas para esses problemas e deixam que cada país cuide de seus assuntos internos. O problema dos meninos-soldados era conhecido somente na África, mas atualmente acredita-se que o Estado Islâmico recruta e treina crianças para combater em territórios sírio e iraquiano.

Recrutar garotos é um método antigo que pode não recuperar as crianças, as famílias e as vítimas, pois a sociedade, com o tempo, consegue superar os problemas das guerras e se erguer novamente. Claro que isso depende de como o país vai ser conduzido e se as partes envolvidas almejam paz.

O filme serve para abrir os olhos da sociedade em relação aos problemas e atrocidades no mundo que muitas vezes grandes jornais, revistas e TV's não relatam por não atenderem aos padrões comerciais. Ou seja, não rendem dinheiro de publicidade pelo fato de não ter audiência do público.

2 comentários:

Unknown disse...

"Recuperar esses meninos-soldados é extremamente difícil, pois a infância não acontece duas vezes e eles perdem a melhor fase da vida, aquela para brincar sem ter preocupação com praticamente nada"... Triste realidade que acontece todos os dias sem que seja sequer mencionada pela mídia... De fato, não rendem dinheiro e assim continuamos vivendo... Muito triste pensar que não se trata apenas de um filme ou seriado de televisão.

Anônimo disse...

Sim hoje, o que da dinheiro e heroísmo modinha por isso acaba desvalorizando historias como esta.