quarta-feira, 30 de março de 2011

Cada um por si e a Globo por todos

O Campeonato Brasileiro de 2012 tinha tudo para encerrar uma era do monopólio de transmissão, mas como sempre houve uma pequena manobra e tudo indica que nada mudará

Por Thiago Marcondes Paulo

Nos últimos dias, ou semanas se preferir, a mídia esportiva (com exceção da Globo) tem destacado sempre o acordo com os clubes para a tranhsmissão do campeonato brasileiro de 2012 na TV aberta e, também, na T.V. paga.

O famoso Clube dos 13 sempre negociou os acordos com a T.V. e era quem repassava a verba aos cofres dos times e, em muitos casos, com antecedência para que quitassem suas dívidas e conseguissem uma sobrevida. Tudo isso por conta de má gestão no futebol, uma atrás da outra, que enriquece ilicitamente alguns poucos poderosos no mundo da bola.

Times romperam com o Clube dos 13 por saberem que conseguem receber mais dinheiro se negociarem sozinhos. Apoiados pela C.B.F. tomaram essa medida e deixaram outros na berlinda e sem saberem o que fazer.

Corinthians e Flamengo alegam que por terem as maiores torcidas do Brasil devem receber mais. Palmeiras e Botafogo, logo em seguida, na escala feita pela Globo, no início disseram não aceitam menos dinheiro que seus rivais, mas depois voltaram atrás.

Aliás, o alvi-negro paulista diz ter direito porque quando joga e toma gol os fogos de artíficio são muitos, o que se pode compreender que os torcedores dos demais clubes assistem seus jogos. Absurdo para uns e verdade para outros, isso realmente acontece, pelo menos no bairro onde moro, mas não significa que eu legitime o argumento.

No meio disso tudo o clube mais prejudicado até o momento foi o São Paulo, já que em 2011 somente 04 de seus jogos passarão na T.V aberta o que indica um início de retaliação. O tricolor não está em lua-de-mel com a C.B.F. faz tempo por conta de não ser sede da Copa do Mundo de 2014, conforme debatido no artigo "Tristeza para uns e felicidade para os outros".

Por estar com problemas políticos com Ricardo Teixeira, nosso ditador do futebol, o São Paulo não rachou com o Clube dos 13 e tem dificuldades de negociar suas partidas. Consequentemente isso prejudicará nos contratos com patrocinadores, pois uma vez que não estará na T.V. não terá como exigir grandes cifras.

Além do próprio clube seus torcedores são prejudicados porque não terão como ver o time do coração na T.V. Como sabemos, no Brasil nem todos têm acesso à T.V. paga devido as condições sociais. Soma-se à isso as pessoas que gostam de um bom futebol, independentemente para quem torcem, e que não terão como prestigar um time que em 2012 poderá ainda contar com o talento de Lucas e Luis Fabiano.

Aos torcedores somente resta uma opção: boicotar a Globo. Os são-paulinos provavelmente farão isso, mas se todos aqueles que realmente gostam de futebol tomarem a mesma atitude talvez o Brasil não precise mais passar por um monopólio da transmissão do campeonato brasileiro.

Opinião: Tragédia no Japão – Uma Esperança de Tempos Melhores Ressurge Após o Caos

Por Carlos Soares Rodrigues - Extraído do blog "Econocratum"

Nos primeiros dias que sucederam o terremoto no Japão foi observado um aumento no nervosismo no mercado financeiro com a forte volatilidade, leia-se forte variação dos preços, das commodities.

Esse aumento é decorrente da importância do país na pauta de importações no mercado mundial.


Mas a capacidade de recuperação demonstrada no período pós-guerra e o significativo nível interno de poupança não seriam fatores que possibilitariam uma retomada do crescimento do país com conseqüências benéficas para a economia mundial?


De fato o país é um dos maiores importadores de commodities do mundo e sua infra-estrutura sofreu estragos significativos com o terremoto de 11 de março.


Segundo Sologuren o Japão é o maior importador de milho do mundo – responsável por 17% das importações mundiais.


Ainda segundo o autor “como os principais portos do país asiático foram comprometidos pelo terremoto seguido de tsunami, paira a incerteza em relação ao volume que será importado pelo Japão, não apenas no curto prazo como no médio prazo”.


Contudo, o país possui um excepcional poder de recuperação e que foi verificado no período pós-guerra.


Dentre os fatores que permitem sua indiscutível resiliência pode-se destacar seu elevado nível de poupança interno - que possibilitará o financiamento das obras de reconstrução das áreas atingidas pela catástrofe.


De acordo com o Portal São Francisco o país possui “estímulo oficial à poupança: os japoneses poupam em torno de 20 % dos seus salários”.


O processo de reconstrução exigirá que o país demande matérias primas e maquinários produzidos em outros países.


Os países fornecedores serão estimulados a aumentar a produção para atender a demanda japonesa e, conseqüentemente, receberão um incremento em sua renda interna o que estimulará o consumo e, com isso, poderá favorecer as exportações de outras economias que não estejam diretamente ligadas comercialmente ao Japão.


Deste modo, para concluir, apesar de sua infra-estrutura ter sido significativamente danificada com o terremoto de 11 de março, o Japão possui um reconhecido potencial de recuperação e isso poderá estimular a retomada do crescimento econômico de seu país - e dos outros países também – já nos próximos trimestres.


Carlos Soares Rodrigues é Economista 

Referência bibliográfica

Costa, Cristiano M.
Poupança Japonesa. Blog do Cristiano M. Costa. Disponível em: http://www.cristianomcosta.com/2010/01/poupanca-japonesa.html

Mesquita, Mario. Decisões sob Incerteza. Jornal Folha de São Paulo: São Paulo, matéria publicada no caderno Mercado em 23 mar. 2011, página B10.

Portal São Francisco.
Tigres Asiáticos. Portal São Francisco. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/tigres-asiaticos/tigres-asiaticos.php

Sologuren, Leonardo. Incerteza Econômica no Japão Influencia Mercado do Milho. Jornal Folha de São Paulo: São Paulo, Análise Agronegócio, matéria publicada no caderno Mercado em 22 mar. 2011, página B7.

Wikipédia.
Japão. Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o

segunda-feira, 28 de março de 2011

O troca-troca de Kassab

Atual prefeito de São Paulo, que apoiou o tucanato nas últimas eleições presidenciais, rompe com o P.S.D.B para criar seu próprio partido

Gilberto Kassab apareceu para a sociedade exatamente quando aceitou ser candidato à vice-prefeito da cidade de São Paulo, na chapa de José Serra, para as eleições do ano de 2004. Porém, sua imagem ficou realmente conhecida ao assumir a prefeitura logo após a renuncia do tucano, em 2006, para disputar a presidência da república e amargar sua 1ª derrota para o P.T.

Tudo indicava que Kassab ficaria somente até o final do mandato e abriria espaço para Geraldo Alckmin dar sequência no projeto tucanato para a cidade, mas isso não ocorreu e as primeiras desavenças entre ele, do Democratas (DEM), e a turma do P.S.D.B. começarem a surgir. O DEM acreditava nas chances de vitória se lançasse uma canditatura própria e, para isso, bateria de frente com aqueles que o lançaram ao poder.

Como se diz por aí, o DEM confiava em seu taco e no 1º turno  das eleições do ano de 2008 conseguiu mais votos que Alckmin. Foi para o 2º turno e disputou o cargo de prefeito com a candidata do P.T., Marta Suplicy, que naquele momento tinha mais intenções de voto e tudo indicava que seria eleita.

Ao final do pleito o candidato do DEM saiu vitorioso, mais forte politicamente na cidade e, também, com cargo de prefeito. Mesmo que tenha disputado o apoio de Serra contra Alckimin durante a prévia e toda a campanha eleitoral alcançou seu principal objetivo.

Sempre direitista e liberal, Kassab e seu partido acompanharam os tucanos (e vice-versa) até poucos dias atrás. Inclusive, nas últimas eleições apoiaram os candidatos José Serra para presidente e Geraldo Alckimin para governador de São Paulo. O 1º foi derrotado e viu o Brasil ter a 1ª presidente de sua história, Dilma Rousseff, enquanto o 2º saiu vitorioso e manterá a hegemonia do P.S.D.B no governo do Estado.

Atualmente, por divergências políticas, Gilberto Kassab resolveu sair do Democratas e fundar seu próprio partido, o P.S.D. (Partido Social Democrático), para dar continuidade em sua vida política com um rumo diferente, mas o DEM manterá o apoio aos tucanos

Sair de um partido por divergências políticas não é novidade para a sociedade e acredito que seja bom para a política e democracia do país. O maior problema, agora, é que Kassab fundou seu novo partido e tudo indica que seu apoio não será para os tucanos, mas sim para os petistas. Tal atitude mostra somente que os políticos, cada vez mais, estão interessados em manter-se no poder e quase em nada com a sociedade que os elegem e os mantém em seus cargos.

No cenário político brasileiro a coisa não muda muito e vimos que Lula, Sarney (Honorável Bandido) e o Collor juntos em Brasília até 2010. Porém, em 1989, nas primeiras eleições livres para presidente eles eram rivais e durante os anos 90 um não podia escutar nada do outro.

Maluf com os petistas, depois com os democratas, depois com os tucanos e vice-versa. Houve casos em cidades onde petistas apoiaram tucanos e o contrário também ocorreu. A política e o futebol andam lado-a-lado e estão cada mais parecidos.

Defender rivais não é mais um problema e já virou algo comum desde que o próprio bolso esteja cheio. Enquanto isso, aqueles que sofrem com seus atos ficam à mercê da sociedade e sempre à espera de melhoras na saúde, transportes, educação e emprego.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A tensa e conflituosa Líbia

A vontade do povo em realizar mudanças na sociedade é essencial. Porém, sem o apoio de agentes externos a força, opressão e banho de sangue infelizmente podem vencer

Atualizado em 17/03/2011 às 22h37m.

No mundo árabe, em países situados no continente africano, recentemente presenciamos a queda dos ditadores da Tunísia (Bem Ali) e Egito (Hosni Mubarak). Mas ainda há mais nações que permanecem em com protestos na luta por mudanças políticas em sua sociedade como Argélia, Marrocos (com menos intensidade) e a tão noticiada Líbia, governada por Muamar Gadafi.

No começo dos protestos contra o governo de Gadafi, que controla o país com maõs-de-ferro, dizia-se que o final da história seguiria a mesma linha dos vizinhos africanos e que a ditadura cairia. Assim o povo sairia vitorioso e a democracia seria instalada na nação aos poucos, conforme rege a cartilha estadunidense pelo mundo à fora.

Os rebeldes, também conhecidos como opositores do regime, ganharam espaços em grandes cidades. Porém, na última semana o governo líbio intensificou os ataques aéreos, com armamento pesado e, de acordo com os jornais, já retomaram granda parte do território que estava perdido.

O país tinha (ou ainda tem) o apoio do governo estadunidense assim como as ditaduras egípcias e tunisianas. Os Estados Unidos se declaram contra Egípcio e Tunísia e disseram que a democracia e a vontade do povo deveriam ser aceitas e respeitadas. No caso líbio a situação foi parecida, mas ainda não vimos a Casa Branca dizer explicitamente o que pensa e deseja em relação ao assunto.

Os periódicos informaram que uma intervenção militar poderia ser feita, mas a O.N.U. (Organização das Nações Unidas) não teve conclusão alguma sobre o assunto. Enquanto isso, a oposição líbia diz que um banho de sangue e uma guerra cívil no país pode começar caso não exista uma ajuda internacional, apesar de já existir a idéia de rendição dos rebeldes por acreditarem não ter chances de vitória.

O governo estadunidense, ao que tudo indica, prega cautela quanto um intervenção militar na Líbia. Apesar de o país africano ser rico em petróleo, a Casa Branca parece não querer vivie a mesma situação do Iraque, onde a invação fará 08 anos e com um saldo bem negativo, assim como no Vietnã.

O conselho de segurança da O.N.U., quintal dos Estados Unidos para brincar de comandar o mundo, não decide nada e, mesmo se fizer, deve ter o aval da Casa Branca. Caso contrário ficará de mãos atadas. Enquanto isso, milhares fogem ou são expulsos de suas casas, vidas são perdidas e tudo fica por isso mesmo.

Nota: De acordo com o sítio do jornal espanhol "El País" a O.N.U. autorizou o ataque à Líbia. Atualizado em 17/03/2011 às 22h38m.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval em Analândia termina em ameaça

Abuso de poder e intimidação policial contra foliões e fotógrafa marcaram festa no interior paulista

Tinha tudo para ser uma festa tranquila e as pessoas apenas tinham a intenção de se divertirem e, também, aproveitarem a bateria e o DJ na praça central de Analândia, cidade localizada à cerca de 225km de São Paulo, mas a última noite das festividades foi marcada por discussões e ameaça policial.

A noite caminhava para o fim e a última música já havia sido anunciada quando uma senhora solicitou que a fotógrafa da festa, Marcela Ferreira, comparecesse junto à viatura da polícia para acompanhar a conversa de 02 homens com os soldados de plantão. Lucas Campagna, jornalista, e seu amigo alegavam que durante uma batida policial tiveram o aparelho celular furtado e conversavam com os PM's sobre o ocorrido.

Marcela, com sua máquina, se aproximou de Campagna para gravar suas falas e saber o que ocorreu quando Fernando (não foi possível detectar seu sobrenome), soldado da Polícia Militar, disse: "Se sair alguma foto minha eu te procuro!". Nesse momento o blog "Pensando no dia-a-dia" perguntou ao PM se aquilo era uma ameaça, mas não obteve resposta. A pergunta foi repetida por mais 02 vezes sem que houvesse retorno.

Os questionamentos continuaram e os outros 02 soldados tampouco responderam às perguntas. O PM Fernando foi informado que ele tinha o direito de solicitar que sua imagem não fosse veiculada, mas de forma alguma, como agente da lei, poderia ter feito uma ameaça à um cívil em qualquer ocasião.

Informado que sua função não é fazer leis e sim de fazê-las serem cumpridas o soldado não reagiu com palavras, mas seu olhar de indignação por ser confrontado com educação pelos presentes ficou aparente. O vídeo com a ameaça está gravado e os responsáveis denunciarão o caso à corregedoria da polícia para que uma investigação seja feita o soldado punido por sua má conduta.

Nota: Para preservar a identidade da pessoa ameaçada utilizamos um nome fictício no texto acima.

terça-feira, 1 de março de 2011

Um pedaço da Bolívia em São Paulo

Mesmo longe de seu país, os bolivianos tem um espaço reservado na capital paulista onde preservam seus costumes

Localizada na região do Pari, mais precisamente na rua Pedro Vicente com a rua das Olarias, a feira da Praça Kantuta tem produtos tradicionais da Bolívia onde os imigrantes dessa nação andina podem matar um pouco as saudades de sua patria mãe.

A princípio, na chegada pela rua das Olarias a impressão não parece ser das melhores, mas ao entrar na feira parece que o visitante atravessou a fronteira entre Brasil e Bolívia e está, definitivamente, no país vizinho.

Tendas com artesanatos, camisas de times bolivianos, roupas, danças e barracas com comidas andinas faz com que o visitante se sinta acolhido e, também, com vontade de conhecer esse país que nós brasileiros pouco damos atenção.

Os bolivianos sofrem preconceitos no Brasil e na maioria dos casos vêm para cá para trabalharem em oficinas de costura, onde vivem em condições precárias e são semi-escravidos por seus patrões. A feira, que ocorre todos os domingos das 11h às 18h, serve para preservaram suas tradições e cultura.

Visitei o local no último domingo com a curiosidade de saber como preservam seus costumes mesmo longe de casa e, também, para provar suas comidas típicas, já que em maio vou me aventurar por aquelas terras. Parei em uma tenda que oferecia salteñas, puka-kapa e um chá de pêssego (com a fruta dentro do copo).

Sempre tive aversão de provar coisas diferentes, mas desta vez dei as caras e pedi o puka-kapa, um salgado assado com recheio de queijo, cebola e tempero apimentado para não perder a originalidade. Um gosto diferente do sabor brasileiro, mas muito gostoso e com o chá de pêssego (servido em temperatura ambiente) fica melhor ainda.

As salteñas são parecidas com os risólis brasileiros, porém são assados e os recheios variam de carne, queijo e frango, sempre acompanhados com batatas dentro da massa.

Por volta das 14h começa a música originária do país e grupos de danças, compostos em sua maioria por bolivianos, começam a dançar na praça e pode-se ver toda a tradição preservada naquele cantinho onde nós, os brasileiros, somos os estrangeiros.

Vale à pena ir visitar para saber um pouco mais sobre a cultura e o povo boliviano, que trocam de país na busca de uma vida melhor. O preço dos produtos é bem acessível, as pessoas são receptivas e a comida muito boa.