quinta-feira, 31 de março de 2016

Golpe representará 20 anos de retrocesso no Brasil

Por Artur Henrique da Silva Santos

O golpe em curso, é apoiado por aqueles que até hoje não se conformam com as conquistas sociais da Constituição Federal de 88;

É apoiado por aqueles que defendem o Estado Mínimo, ou seja na contramão do início das manifestações de Junho de 2013 que defendiam mais qualidade na política pública de saúde, educação, transporte e segurança;

É apoiado por aqueles "pseudo" "patos" empresários que defendem redução de impostos porque não precisam de saúde pública nem de educação de boa qualidade, gratuita e universal porque tem dinheiro para pagar saúde e educação privadas, inclusive fora do Brasil;

É apoiado por aqueles que querem flexibilizar os direitos trabalhistas (CLT) para fazer com que o Brasil se insira nas "cadeias globais" de produção como meros exportadores de matéria prima e com mão de obra barata;

É apoiado por aqueles que querem voltar a aplicar a política de "doação" do patrimônio público entregando a Petrobras, o BNDES, a CEF, o BB, os Correios, o Anhembi, o Pacaembú, etc. (né Joao Dólar?);


É apoiado por aqueles que querem manter todos os veículos de comunicação nas mãos de 07 famílias;

É apoiado por aqueles que querem voltar a falar que as Políticas Sociais não podem ser universais e sim "Focalizadas nos que mais precisam" porque não têm dinheiro para manter tudo isso que os "vermelhinhos" fizeram:

Bolsa Família, ProUni, Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida, Pronaf, aumento do Salário Mínimo, direitos das mulheres, dos negros, dos imigrantes, da população LGBT, do fim dos manicômios, do SUS, do SUAS, do Sistema Público de Emprego e renda, etc, etc, etc;

É apoiado por aqueles que não querem nem ouvir falar em Reforma Política, nem em Reforma Tributária, nem em Reforma Agrária, mas defendem o Sistema Financeiro que SUGA bilhões todos os anos dos impostos pagos pela população, na maioria pobres e das classes econômicas C,D e E;

É apoiado por aqueles que querem voltar a controlar as instituições voltando ao tempo do engavetador geral da república;

É apoiado por aqueles que querem aprofundar a desigualdade no Brasil.

Basta ler e ouvir o que estão propondo Temer, Serra, Cunha, Aecio, FHC, Andrea Matarazzo, João Doria, Pastor Feliciano, Paulo Skaf e tantos outros.

NÃO PASSARÃO
NÃO VAI TER GOLPE
VAI TER LUTA

Artur Henrique da Silva Santos


Nota: As opiniões expostas no artigo são baseadas no que o autor acredita e não representa, necessariamente, o que este blogueiro pensa, apesar de ter a certeza que o impeachment somente fará a democracia brasileira retroceder.

O blogueiro não faz parte do "fla-flu político" onde acredita-se que o maniqueísmo prevalece. O fato de não apoiar o impeachment não significa apoiar o governo de olhos fechados e defender tudo que fazem. Existem críticas? Sim, mas tirar um governo eleito pelo povo sem crimes comprovados não salvará o Brasil.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Quando uma criança fez um homem chorar

Por Thiago Marcondes

Sábado, dia 26/03/2016: estava na praia, cidade da Caraguatatuba, e veio um menino pedir latinha. Diferente das crianças que sempre aparecem, esse tem um jeito mais acanhado, quieto. Educado, chegou com "bom dia". Não vestia roupa suja e falava um português correto. Aparentava ser uma criança que vai à escola.

As latas da mesa haviam sido retiradas, então fui até o garçom do quiosque e pedi para dar as que tivesse ao garoto. O garçom, simpático, mostrou um tonel onde haviam algumas e saiu. O garoto pediu ajuda e retirei as latas pra ele. Perguntei se tinha fome e com seu jeito tímido disse que não, mas aceitou um refrigerante após minha insistência.

Aquela situação me martelou o dia todo, pois como disse, o garoto fugia do padrão de crianças que geralmente recolhem latas na praia. Me sensibilizo com todas, mas essa, especialmente, mexeu comigo.

Domingo, dia 27/03/2016: o menino voltou e recebeu mais latinhas. Super educado brincou com os cachorros e se foi.

Apareceu, pois anda de uma ponta à outra para recolher o máximo de latas possíveis. Um menino, cuja idade não ultrapassa 10 anos, passou o sábado e domingo trabalhando (nem sei se devemos chamar de trabalho) ao invés de brincar como toda criança deveria fazer nessa idade.

Meus cunhados deram dinheiro e eu e minha esposa perguntamos se ele tinha comido ou se tinha fome. Encabulado, demorou para responder que comeu um pão e mal conseguiu falar que não havia almoçado. Eram cerca de 12h.



No quiosque foi providenciada uma porção de coxinha e um refrigerante e pedi para voltar em 15 minutos. Me desejou feliz páscoa. Enquanto eu estava na água ele voltou e conversou com a Carol, que soube seu nome. E, atencioso e recíproco, perguntou nossos nomes.

Ele agradeceu, disse que a mãe tinha medo de cachorro e por isso não foi lá, mas que estava muito agradecida. Falou, também, que não comeria ali para poder dividir com a mãe, que o aguardava na calçada.

Perguntou se a gente sempre viaja para Caraguatatuba, pois assim o veríamos por ali todas às vezes. Saiu, mas antes disso falou: "Que Deus abençoe vocês!"

Chorei! Chorei da primeira vez que o vi hoje cedo, pois não é justo uma criança trabalhar.

Choro enquanto escrevo esse relato, pois o que fiz foi algo paliativo, momentâneo. O menino voltará todos os dias para a praia para pegar latinhas e as pessoas que estavam por lá vão continuar com suas vidas.

Continuo chorando por me achar impotente e sem conseguir fazer algo para ajudar ou ao menos para entender a situação do menino.

Às vezes reclamo de coisas toscas e vem esse menino, com sorriso no rosto e totalmente educado, e me dá um tapa na cara. Começo a pensar na quantidade de coisas supérfluas que tenho e vejo que poderia ajudar de outra maneira, mas também não sei como.

A situação me abalou tanto que nem consegui perguntar para o menino se ele estuda, se a mãe trabalha de semana e aos sábados, domingos e feriados eles saem pelas praias para recolher latas e complementar a renda. Aliás, nem ao menos sei há uma renda.

Enfim, continuo chorando...

domingo, 20 de março de 2016

Mistérios do mundo – a morte do papa João Paulo I

Por trás de toda bondade pode haver apenas a vontade do triunfo e do poder. Infelizmente isso é um problema dos homens e não da religião

Por Thiago Marcondes

Existem muitas histórias no mundo sobre alguns segredos, que as pessoas pensam ser teorias da conspiração ou mitos, mas que intrigam quase todas que as escutam. O assassinato do presidente estadunidense John F. Kennedy, a receita do refrigerante conhecido como coca-cola, os documentos secretos do Vaticano, como são feitos os frangos do KFC e a morte do papa João Paulo I são casos estranhos e com respostas que não conseguem convencer quem as conhece.

O bispo Albino Luciani se tornou papa em 1978, ficou à frente da igreja católica somente por 33 dias e depois morreu. De acordo com os documentos oficiais sua morte aconteceu por um problema cardíaco. Foi encontrado morto pelo padre Diego Lorenzi, que era um de seus secretários. Existe outra história sobre a morte onde dizem que o papa recebeu altas doses de uma medicação ou até mesmo que teve embolia pulmonar, mas nada disso está comprovado. A igreja nunca permitiu a realização de uma autópsia, mas o papa Paulo VI, quando faleceu, teve um relatório detalhado com os horários dos acontecimentos e, também, as complicações médicas.

Filho de uma família proletária e com pai socialista sua carreira na igreja não teve destaque ou muita importância, pois nunca chegou a trabalhar no serviço diplomático do Vaticano e sua eleição foi uma surpresa para quase todos. Conhecido como "Papa Sorriso", João Paulo I era muito diferente de todos os antecessores. Gostava de estar com pessoas simples, era compassivo, quente e tinha muita fé. Ao receber o papado se negou a seguir todas as cerimônias tradicionais, pois retratavam o papa como alguém superior e melhor que os demais.

Luciani pensava que as posições tradicionais da igreja deveriam ser revistas, como a reprodução humana (uso de contraceptivos), e para isso consultaria filósofos e pensadores de outras religiões, algo considerado um afronta ao Vaticano e uma quebra de paradigma para a igreja católica. Tinha, também, a meta de fazer uma limpeza no instituto IOR (Istituto di Opere Religiose), conhecido como Banco do Vaticano, com a troca de pessoas em cargos importantes.



Do passado até os dias de hoje o IOR sempre esteve envolvido em corrupção e o nome principal em 1978 era o bispo Paulo Marcinkus. A história nos conta que João Paulo I anunciaria a remoção de Marcinkus e, por isso, teria criado um plano para matar o papa. Atualmente ele está envolvido em escândalos com dinheiro e na década de 70 era citado por envolvimento com a máfia italiana e a maçonaria. Outras histórias contam que o Papa teve problemas com a Opus Dei, uma vertente da igreja reconhecida pelo seu sucessor, João Pablo II.

O escritor David Yallop escreveu o livro "Em nome de Deus" onde fala sobre a possibilidade do papa ter sido envenenado através da sua comida e/ou bebida. Ele cita sobre a conspiração para matar João Paulo I, pois quando foi escolhido os outros bispos tinham em mente que ele somente cumpriria ordens e não foi o que aconteceu. Por ser carismático atraiu as atenções e através de suas ideias pensava em transformar a igreja.

Uma instituição religiosa, milenar e com milhares de fiéis no mundo, não fala até hoje sobre as divergências nas histórias da morte de um papa que ficou somente 33 dias à frente da igreja. Isso faz as pessoas acreditarem que as lideranças estão no Vaticano somente por conta do poder e não para fazer o bem ou construir um mundo melhor.

Jorge Mario Bertoglio, o primeiro papa sul-americano e e que escolheu o nome de Francisco, está à frente da igreja desde 2013 e tem similaridade com João Paulo I que é ser simples, de gostar das pessoas e para ambos a riqueza ostentada pelo Vaticano, através, dos papas, não é importante e interessante.

Francisco também pretende reformar a igreja e começou a trabalhar para isso. Existe um temor sobre ser assassinado, mas dizem que ele fez a seguinte afirmação: "Para me matar não será fácil, pois faço todas as minhas refeições no refeitório, junto com todos os demais padres e bispos do Vaticano".

terça-feira, 8 de março de 2016

Nos E.U.A. morar em trailer não significa ser viajante ou rico

Parte da sua população vive longe de casas e apartamentos

Por Thiago Marcondes

Quando se fala em trailer, aquela espécie de caminhão com junção de uma casa, as pessoas são condicionadas a pensarem em férias, viagens, comodidade, liberdade e aventura. Muitos viajam em veículos assim e podem cozinhar e parar em qualquer lugar que desejam, sem a obrigação de seguir um roteiro fechado, com datas certas ou até mesmo os famosos pacotes realizados através de agências.

Nos E.U.A. a situação não é bem assim, apesar de muita gente viajar pelo país e atravessar o continente em um trailer. A crise financeira de 2008, por conta do boom imobiliário, fez muitos cidadãos perderem suas casas e para não ficarem nas ruas optaram pelo melhor custo x benefício.

Na terra do Tio Sam, sonho de consumo de muitos no mundo, qualquer pessoa pobre é capaz de ter sua "casa" própria. Os trailers, geralmente modelos das décadas de 60 e 70, são vendidos por um preço pouco superior de um carro e seu dono pode estacioná-lo em terrenos conhecidos como "parques de casas móveis". O trailer pode custar cerca de US$ 14 mil e o aluguel mensal varia de US$ 150 até US$ 500 e isso depende de cada cidade e região.

De acordo com a matéria "A vida num trailer nos Estados Unidos" (versão para assinantes), em Aurora o aluguel de uma casa não sai por menos de US$ 1 mil e a compra está acima de US$ 130 mil. Por esse valor o comprador precisa realizar uma reforma total na residência, pois com certeza não tem condições de entrar para morar.

Existem linhas de crédito para compra de trailers e como os produtos não são caracterizados como imóveis, mas sim como veículos, as pessoas de baixa renda conseguem financiamentos sem a necessidade de apresentação de muitos papéis e burocracia. Em compensação os juros são mais altos, o que impacta negativamente na renda mensal da população.

Trailers mais antigos têm cerca de 13 m2 e apenas um ou dois quartos com espaço mínimo para a cozinha. Para chegar no segundo quarto o morador precisa passar pelo primeiro. Os modelos mais novos que custam mais caro, chegam a ter 70 m2 e com três dormitórios, uma pequena sala, além de cozinha e banheiro. Isso permite aos moradores um pouco de privacidade além de conforto, digamos assim.



Os parques de casas móveis não são bem vistos nas cidades e bairros, pois depreciam a região em que estão e os valores dos imóveis, seja para alugar ou para vender, diminuem significativamente. Alguns prefeitos dificultam a criação desses espaços, pois o mercado imobiliário faz grande lobby. Na maioria dos estados a legislação beneficia amplamente os donos dos parques e deixam os locatários sem poucos direitos.

As pessoas de bairros vizinhos relatam problemas com drogas, brigas, tiros e isso preocupa as pessoas da região e quase nunca interagem com quem mora dentro dos parques. Claramente existe uma separação e preconceito com os moradores e muitos têm vergonha de falar onde moram. Para arrumar emprego precisam apresentar comprovante de documento e há casos que não são contratados, pois os donos e gerentes dos estabelecimentos são receosos em relação as pessoas. A polícia age de forma arbitrária com os moradores dos trailers e sempre é truculenta em ações.

A infraestrutura dos parques não é das melhores e os donos nem sempre estão dispostos a resolver os problemas. Os espaços oferecem água, luz e gás encanado e geralmente os trailers são separados por uma pequena grade ou demarcação no chão. Privacidade fora da moradia não existe, pois não há quintal com separação para os vizinhos e tampouco o confinamento de um apartamento. Os espaços para os trailers com valores mais baratos geralmente são em lugares afastados e longe dos comércios. Isso obriga aos moradores dependerem de veículos próprios ou de carona dos demais moradores, pois não há transporte público próximo dos locais.

A população de moradores de trailers, em geral, são aposentados sem condições de manterem uma casa, mães solteiras e trabalhadores e baixa renda, com empregos que pagam pouco e, em muitos casos, necessitam de turnos extras para aumentar o salário do final do mês. A média salarial está em torno de US$ 1 mil por adulto, incluindo os benefícios sociais fornecidos pelo governo, e um casal ganha basicamente para se alimentar, pagar o aluguel, o financiamento da moradia e pouco sobra para qualquer outra atividade.

O aumento do aluguel ocorre e quando os moradores não têm como arcar com a diferença e precisam encontrar outro lugar para viver. Muitos com trailers que não são veículos necessitam arcar com custos de transporte, a uma valor superior a US$ 1 mil. As condições são precárias e as pessoas praticamente não têm dinheiro reserva e quando isso ocorre deixam sua propriedade para trás e vão atrás de um parque que aluga o espaço e o trailer.

O contrário também existe e há cidadãos que optam por deixar suas casas e apartamentos para viverem em trailers, pois assim diminuem os custos e podem ter vizinhos e uma vida social mais ativa. Porém são pessoas com formação acadêmica, bons empregos e com trailers modernos e podem estacioná-los em parques bem localizados. Essa parcela da população ainda é minoritária e poucos se arriscam a trocar a comodidade e conforto de uma residência.

Mais de 2 milhões de pessoas vivem sob essas condições a não há perspectiva de melhora para a sociedade. Pelo menos não em 2016, pois o governo estão mais preocupados com a corrida presidencial. Os democratas estão em dúvidas entre Hillary Clinton e Bernie Sanders encontro os republicanos se decidem por Donaldo Trump, líder das primárias, Ted Cruz e Marco Rubio. A disputa será longa e ao que tudo indica apenas Sanders, com chances reais de ser um presidenciável, tem um projeto mais voltado para o social. Todos os demais são candidatos dos empresários e vão atender sua demanda.

domingo, 6 de março de 2016

A guerra, apesar de causar desgraça, gera lucros enormes

Vendas aumentam e segmento de equipamentos militares cresce em tempos ruins

Por Thiago Marcondes

O século XXI foi marcado por crises financeiras em 2008 e a que vivemos atualmente causou, e ainda causa, perda de empregos, déficit na economia, problemas políticos com a oposição (não importa a nação) que apresenta problemas na forma de gerir o país e os governantes tentam dar um jeito para resolver a situação.

A mídia, em muitos casos, não atua de forma imparcial (mas ao menos deveria tentar) e apenas relata problemas de um lado enquanto o outro passa ileso. Em partes isso condiciona as pessoas e o caos pode se instaurar, mas esse assunto vai ser tratado em outro post.

Em épocas de crise nem todos os setores são afetados e no Brasil os segmentos de tecnologia da informação e na área de fornecimento de equipamentos militares permanecem à todo vapor. Pode ser difícil de acreditar, mas o Brasil tem grandes encomendas para veículos de guerra e mísseis, pois somos referência no mundo.

A AVIBRAS (Avibras Industrial Aeroespacial S/A) é a empresa mais importante no país que atua na área de equipamentos militar e atualmente exporta para o mundo 80% da sua produção. O contexto geopolítico mundial favorece os negócios, pois guerras existem e desde 1900 o mundo não ficou um dia sequer sem algum conflito existente. Ou seja, o planeta tem confrontos declarados há pelo menos 116 anos ininterruptos.
Imagem meramente ilustrativa e não condiz com os veículos produzido pela AVIBRAS

Os países emergentes fazem parte da maior fatia de mercado da empresa, pois muitos deles não sofreram os impactos da crise econômica como a Europa e até mesmo o Brasil. As tensões mundiais e a forma como os E.U.A. conduzem sua política externa fazem esses governos aumentarem os gastos militares para reforçarem as defesas. Não vão fazer frente ao poderio estadunidense, mas até o mundo mineral sabe que se eles não criam guerra ao menos conseguem que alguém próximo cause o conflito.

A estratégia da empresa é, basicamente, identificar os problemas de diferentes nações e oferecer algo para atender essas necessidades, pois assim conseguem competir com concorrentes nacionais e estrangeiros. O sistema ASTROS II, principal produto da AVIBRAS, compõem foguetes e mísseis de artilharia, além de veículos para transporte. Desenvolvido na década de 80 especificamente para o Iraque, atualmente detém 25% do mercado mundial e sempre tem inovações tecnológicas para atender todos os tipos de clientes.

O veículo de menor preço está em torno de 1 milhão de dólares e o mais caro por volta de 7 milhões. Por conta da grande demanda a empresa, mesmo com a crise, aumentou o quadro para cerca de 2.000 funcionários. Isso mostra que nações mundiais, com problemas de emprego, fome, educação investem pesado em equipamentos bélicos.

As vendas da empresa com certeza são controladas por acordos internacionais que não permitem vender para países como Coréia do Norte, Síria, Somália (com governos instáveis desde o início da década de 90), mas de qualquer forma alimenta (ou alimentará) conflitos ao redor do mundo.

Nos Estados Unidos a indústria bélica é extremamente forte na economia, pois o país sempre está envolvido em algum confronto de forma permanente, como fez no Iraque e Afeganistão, ou envia tropas para dar suporte e realizar treinamentos, além de ter inúmeras bases militares espalhadas pelo mundo. Por mais que existam conflitos no mundo não creio existir tanta demanda para equipamentos bélicos como armas, balas, sistemas de defesas, veículos com mísseis etc e a preocupação está justamente com o excedente da produção.

O filme "Senhor das Armas" relata muito bem o que ocorre quando há excesso de armas e equipamentos bélicos no mercado. Quando não se vende para as nações amigas (entende-se por aliados, mas nem sempre agem corretamente) arrumam alguma forma de repassar no mercado clandestino e, assim, grupos como Al-Qaeda, Estado Islâmico, grupos para-militares e milícias (na América do Sul tem muito disso) se armam e cometem atrocidades em nome do poder.

Existe, sim, o contra-ponto, que em ditaduras os grupos de resistência precisam se armar e quando as grandes potências apoiam esses governos as armas chegam de forma clandestina. O inverso também acontece e tudo isso ocorre acordo com os interesses de quem manda, pois sempre querem subtrair as riquezas naturais e obter mão de obra barata para lucrarem cada vez mais.

Para a economia brasileira com certeza as vendas da AVIBRAS foi um fator importante na balança comercial, mas os órgãos competentes devem fiscalizar para que os equipamentos não apareça em mãos erradas.

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terça-feira, 1 de março de 2016

Chagos: um paraíso dominado pelos militares

Chagossianos foram expulsos de suas terras em troca de desconto em armas nucleares

Por Thiago Marcondes

Localizada no Oceano Índico, Diego Garcia, a maior das 60 ilhas e atóis existentes no arquipélago de Chagos, abriga atualmente uma base militar estadunidense e não há moradores nativos. Barizada por portugueses e colonizada pelos franceses e ingleses, a ilha possui edifícios da marinha dos E.U.A. e duas pistas de pouso, no local residem 2 mil habitantes e todos são militares.

A ilha pertencia a Inglaterra e na década de 60 foi cedida aos Estados Unidos por desconto na compra de armas nucleares, pois o governo estadunidense viu grande potencial na região para instalar uma base militar e poder ter o controle da região, que está situada entre a África e o Golfo Pérsico.

Os nativos que viviam no arquipélago tinham (quem está vivo mantém as tradições) sua própria língua, cultura e moravam tranquilamente em suas casas. Depois da cessão do governo inglês os habitantes foram, digamos assim, expulsos de suas casas e a última leva enviada para as Ilhas Maurício no ano de 1973.

Os últimos chagossianos vivos resistem fortemente e querem de volta o direito de morar onde nasceram e viveram parte de suas vidas. A ONG Chagos Refugges Group, em 2000, conseguiu sua primeira vitória na justiça britânica e toda ação que expulsou os moradores nas décadas de 60 e 70 foi considerada ilegal.

Como se sabe nenhum governo, principalmente o inglês, aceitaria a derrota e em 2002 a decisão foi revertida. De acordo com um estudo financiado pelo Reino Unido a volta dos moradores seria impossível por conta das mudanças climáticas na região, mas o site Wikileaks revelou documentos para comprovar a manipulação do resultado. A rainha Elizabeth II, em 2009, assinou um decreto para proibir o regresso dos nativos. Porém em 2015 um novo estudo foi realizado, de forma independente, e forçou o governo britânico a reconhecer que o retorno seria realizável.


A região tem extrema importância para a chamada "Guerra ao Terror" proposta pelos E.U.A, pois a base militar da ilha serve como depósito de armas, combustível e armas e é considerada um posto avançado do país. O local serviu de base para ataques contra o Afeganistão e pode facilmente servir para intervenções na Ásia Central e África (este último não vai acontecer, pois não se importam com o que ocorre no continente. Ver o artigo "A África e seus problemas").

Calcula-se que o país tem mais de mil bases espalhadas pelo mundo e muitas delas em lugares inóspitos e sem acesso aos civis. Jornalistas não podem visitar a base de Chagos e a rede de TV Al-Jazera denunciou que o local foi utilizado pela C.I.A. para manter prisioneiros e realizar interrogatórios com métodos de tortura depois dos atentados de 11 de setembro.

Por conta da guerra fria e o medo do comunismo e/ou socialismo chegar em outros países os Estados Unidos investiram muito dinheiro nesse tipo de serviço à partir da década de 50 e isso permanece até os dias atuais. Em 2008 restabeleceram a IV Frota, criada em 1943 para operar no Atlântico Sul, e os governos da região protestaram por ser uma afronta à região.

Na primeira década deste século governos progressistas e considerados de esquerda comandaram muitos países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador e Venezuela e a criação da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) parece ter assustado o governo estadunidense, pois a independência da região não é algo bom para seus ambiciosos planos.

O arquipélago de Chagos, caso não fosse base militar, teria grande potencial turístico por ter inúmeras praias paradisíacas onde turistas desfrutariam de belíssimas paisagens para passar lua-de-mel. O local foi apelidado de "Ilha da Fantasia" pelos militares, pois os habitantes vivem com relativo conforto e podem aproveitar da estrutura disponibilizada pelos Estados Unidos que conta com cassinos, campos de golfe, clubes e restaurantes.

Não há como prever final dessa história, pois tudo indica que o Reino Unido vai renovar a concessão de uso da ilha aos Estados Unidos, que termina em 2016. Vão brigar com todas as forças para não conceder a volta dos últimos nativos vivos para a região, mas o problema não está esquecido e a luta dos chagossianos permanece viva, forte e com mais visibilidade perante o mundo.