domingo, 24 de abril de 2016

Elefantes brancos espalhados pelo Brasil

Existem obras inacabadas, recentes e antigas, e a mídia não noticia

Por Thiago Marcondes

O Brasil vive um momento crítico nos campos da política e economia (particularmente creio que a crise é mais política do que econômica) e a população, em sua grande maioria, parece necessitar de um culpado para lavar a alma. O importante é julgar e condenar alguém e não importa se houve crime ou não.

A grande mídia colabora bastante para desestabilizar o clima e noticia os casos de corrupção, em geral, somente de um lado. Mensalão e lava-jato são focos de reportagem. A Zelotes, com grandes empresários envolvidos, somente apareceu nos gigantes meios de comunicação quando políticos (base governista) e seus parentes tiveram os nomes listados.


Conversar sobre os problemas do país parece discurso futebolístico e sempre cai no maniqueísmo. "O meu é melhor que o seu" ou "Vou ganhar e você vai perder não importa como". Muitos dos discursos chegam prontos e sequer há disposição para ouvir o outro lado. Raivosos, apenas repetem as frases prontas citadas, em geral, no Jornal Nacional e na revista Veja sem ao menos existir um pensamento reflexivo, algo novo ou opinativo para dizer. Ou seja, a turma do N.A.S (Neuróticos Anônimos do Sofá) tem opção e quase nunca opinião formada.

Nesse clima dividido onde uns babam cólera e outros cospem em coléricos, com frases de chiclete para justificar a opção, as pessoas estão cada vez mais agressivas com aqueles que pensam diferente. Ao verificar essas atitudes constatei que pouca informação, ou quase nada, existe para ser atribuída aos discursos e conversas.

Atualmente o noticiário está focado na lava-jato e no impeachment e a grande mídia, sem esforço, não divulga outros casos de corrupção, recentes ou não. Assim a população, sob efeito alucinógeno dos grandes jornais, não têm conhecimento de outros casos de roubalheira existentes no país. O site "Elefante Branco" tem informações sobre diversas obras em todo o Brasil e abaixo vou trazer algumas pouco (ou nada) citadas.


Controle de enchentes - Rio Poty
Localizada no estado do Piauí, em 2010 a concorrência para a obra estava com preço elevado em R$ 8 milhões e precisava ser paralisada imediatamente, algo feito pelo T.C.U. (Tribunal de Contas da União). Em 2014 tudo continuava na mesma, as irregularidades continuaram e até o momento não há solução.

Instituto da Criança e do Adolescente - Hospital Universitário de Brasília
Com a construção iniciada em 2003 e previsão de entrega para 2007, a construtora responsável faliu e a obra ficou parada. Retomada em 2009 precisou ser paralisada novamente por conta da morte de três operários.
Em 2014 foi retomada e até o momento o hospital não foi entregue. Entre os gastos estão valores de R$ 1,9 mil mensais para limpar vidros, porém o prédio ainda não está finalizado. R$ 5,2 milhões foram gastos somente para limpeza do local, valor que praticamente totaliza o total do empreendimento.

Centro de Pesquisa e Reabilitação da Ictiofauna - Aquário do Pantanal
Valor inicial:  R$ 87 milhões. Valor final (acredita-se, mas pode ser mais) R$ 239 milhões. Iniciado em 2011, não foi concluído no prazo de dois anos por fraudes em licitações. A construtora Egelte Engenharia, responsável pelo projeto, conseguiu uma liminar para paralisar a obra.
Recentemente, com a liminar derrubada, a empresa pediu R$ 39 milhões para finalizar o projeto. Além do prejuízo financeiro o governo foi acusado pela morte de aproximadamente 10 mil peixes por conta do atraso na entrega.

Esses são apenas três casos entre inúmeros listados no site e vale à pena acessa-lo para conferir a situação de diversas obras pelo país. Existe uma página no facebook com informações sobre os elefantes brancos espalhados no Brasil.

Obs.: algumas expressões do artigo foram obtidas através da jornalista e doutora Cilene Victor, professora que me ensinou (e ainda ensina) muitas coisas na faculdade.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Comércio de armas movimentou bilhões em 20 anos

Conflitos ocorrem ao redor do mundo e muitas vezes não há controle sobre a compra e venda de armamentos

Por Thiago Marcondes

O comércio de armas no mundo movimenta bilhões de dólares, legalmente e ilegalmente, e muitas empresas e pessoas lucram com a morte de inocentes e o financiamento de guerras mundo afora.

Em alguns países do mundo, como nos Estados Unidos da América, tem legislações separadas por estados e em alguns deles há uma flexibilização para a compra e o porte de armas. No documentário "Tiros em Columbine", de Michael Morre, é possível ver que um banco oferece como brinde uma arma para quem abrir uma conta.

No Brasil a legislação para porte de arma não facilita a vida de quem deseja realizar a compra, pois a pessoa precisa apresentar uma série de documentações e a Polícia Federal tem enorme burocracia na liberação. Existe um projeto de lei para flexibilizar o acesso com a diminuição da idade de 25 para 21 anos além do fim da exigência de uma justificativa.

Os defensores do porte de arma alegam que uso deve ser para legítima defesa, ou seja, em caso de assaltos na rua, casa ou tentativa de sequestro. Aqueles que são contra afirmam que a violência pode aumentar por conta de briga de trânsito, discussão com vizinho por problemas no condomínio ou até mesmo quando seu time favorito perder um campeonato ou o jogo para um rival.


O porte de armas não torna a sociedade mais segura, mas sim medrosa pelo fato de nunca saber quem porta ou não. A proibição, ou legislação mais dura em relação ao processo para adquirir uma arma, serve para trabalhar na sociedade que as coisas não devem ser resolvidas com violência, mas sim na base da educação da sociedade.

Até o mundo mineral sabe que nenhum país vai conseguir reduzir a violência ao nível 0, porém não é com armas que a situação vai melhorar. Nos Estados Unidos sempre há casos onde um indivíduo obteve uma arma legalmente e atirou a esmo para matar quem estivesse em sua frente. O filme "O Senhor das Armas" retrata bem a situação sobre o comércio ilegal de armas e como esse mercado ilegal funciona na manutenção de conflitos ao redor do mundo.

Por conta de toda essa situação o Instituto Igarapé, junto com o Peace Research Institute, lançou em 2012 um projeto chamado MAD (Mapping Arms Data) com informações sobre a compra e venda de armas no mundo durante o período entre 1992 e 2011. O aplicativo tem mais de 35 mil registros de exportações e importações de munições e armas leves feitas por diversos países.

Ao realizar uma pequena pesquisa sobre os países do G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidas, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia) e do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul obtivemos o seguinte resultado, em dólares, de importação e exportação de armas civis e militares, munição e outras não especificadas.


País             Exportação              Importação
África do Sul 6.290.000 33.180.000
Alemanha 356.130.000 175.845.000
Brasil 483.535.000 11.695.000
Canadá 77.980.000 301.605.000
China 112.340.000 9.695.000
Estados Unidos 820.300.000 1.573.555.000
França 37.020.000 147.020.000
Itália 420.845.000 43.580.000
Índia 13.500.000 26.960.000
Japão 64.085.000 18.705.000
Reino Unido 115.610.000 129.970.000
Rússia                         Não há informações disponíveis


Para obter as informações o leitor pode acessar o link "http://nisatapps.prio.org/armsglobe/index.php" e navegar. Existe a possibilidade de selecionar o país ou pode clicar em qualquer um disponibilizado no globo.

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