sábado, 28 de janeiro de 2012

Caso de estupro em programa da Globo foi esquecido

Para a emissora a frase "Estupra, mas não mata" deve soar vista como algo normal

Por Thiago Marcondes

Dias atrás a TV, jornais e rádios discutiam o tema BBB (Big Brother Brasil), que dispensa apresentações neste blog por ser um programa conhecido de grande parte das pessoas e, também, pelo fato deste simples blogueiro não assistí-lo, foi pauta e motivo de discussões por conta de um susposto estupro, ou abuso sexual, de parte de um dos integrantes.

O tema tomou conta da mídia, conversas em transportes coletivos, filas de banco, refeitórios de empresas, paradas na estrada e tudo o mais. O povo e os meios de comunicação sabiam apenas tratar da expulsão de Daniel, que Pedro Bial, jornalista renomado e que cobriu a queda do Muro de Berlim, noticiou que foi porque o participante quebrou uma das regras do programa.

Muitas manifestações contra o programa foram iniciadas em redes sociais como o facebook e a própria mídia insistiu no tema de forma que uma atitude fosse tomada e Daniel punido por conta do ato. A polícia carioca interviu contra a Globo, pois tal ação ocorreu em seus domínios e sob os olhos da produção do "glamouroso" BBB 2012.

Passados alguns dias o caso foi esquecido pela mídia, pois os jornais já não dizem como está a situação e se realmente Daniel será indiciado. Aliás, se o participante for levado à justiça a REDE GLOBO também deverá ser acionada como réu porque toda a ação ocorreu em suas instalações, ao vivo no PAY-PER-VIEW, sem que houvesse interrupção por parte dos produtores.

Já o povo, ah o povo, esse não esqueceu sobre o que passou na casa e a audiência do programa permanece em alta. Os telespectadores assistem para ver se terá mais barraco, bulinagens embaixo do edredom e pessoas bêbadas em situações embaraçosas para todo o Brasil. Com isso a família Marinho fica contente, pois sua emissora, que deveria prestar um serviço público, não tem uma programação decente para a sociedade e lucra com os patrocinadores e seus milhões em propagandas. Lembro aqui que as redes de televisão operam por meio de concessão cedida pelo governo e nenhuma medida foi tomada em relação ao tema. Mais uma vez vemos o estado se acanhar diante da toda poderosa Globo.

A frase célebre "Estupra, mas não mara", de Paulo Maluf, cabe bem no contexto aqui. Afinal de contas, a moça continua viva e dentro da casa (eu acho, já que não acompanho). Aliás, o participante não quebrou somente a regra do jogo, mas sim uma regra da sociedade. Não é possível que fazer sexo naquelas condições seja algo aceitável socialmente, certo Bial?!

Thiago Marcondes é Jornalista

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O povo vai às ruas contra a corrupção. Mas ainda são poucos os indignados

"Quem tem nojo de política é governado por quem não tem" - Frei Betto

Por Thiago Marcondes

Dia 25 de janeiro de 2012, na avenida Paulista, ocorreu a Marcha Contra a Corrupção, movimento pque visava protestar contra os péssimos políticos brasileiros e e à favor do voto aberto no Congresso, Câmara e Senado. Ou seja, em todas as intâncias políticas do país.

No Brasil, como sabemos, o povo não tem o costume de ir às ruas cobrar seus direitos e dessa vez não foi muito diferente. Não tenho como afirmar a quantidade exata de manifestantes, mas acredito não ter passado de 500 pessoas no vão do Masp.

 Faixas de trânsito fechadas durante a Marcha - Thiago Marcondes - 25/01/2012

Jovens, mulheres, idosos e índios compareceram na Marcha com a intenção de lutar por uma sociedade sem corrupção, ou pelo menos diminuir muito a roubalheira, e também pelos ideais que cada um acredita. Não havia partidos políticos e tampouco os manifestantes começaram discussões entre posições políticas de direita, centro, esquerda ou seja lá o quê. Todos estavam unidos pelo objetivo de garantir a transparência dos políticos com o povo que o elegeu.

Não houve tumulto, mas foi possível fechar até 03 faixas da avenida no sentido Paraíso-Consolação. Tudo em acordo com a Polícia Militar e a C.E.T. O trânsito ficou parado, ou melhor, complicado e foi por uma causa justa. Muitos motociclitas e motoristas de carros e ônibus olhavam atentos para as faixas e o discurso entoado pelas pessoas, que solicitavam um buzinasso como forma de apoio à manifestação. A maioria atendia ao pedido, mas não dá para afirmar se realmente apoiavam ou se apenas queriam fazer bagunça.

Cartazes eram feitos durante o protesto - Thiago Marcondes - 25/01/2012

A mídia não deu atenção ao ato. Aliás, a BAND, REDETV e SBT apareceram por lá, mas sequer tiveram repórteres à frente das câmeras. O câmera-man, profissional de jornalismo, captava o áudio e a imagem, gastou seu tempo na manisfestação e não sequer uma nota nas emissoras. A quantidade de manifestantes pode ter ajudado na decisão de não veicular nada sobre o assunto, mas existe a opção de se calar para não mostrar a reação do povo, que mesmo em pequeno número naquele momento, começou a se indignar e ir às ruas com a situação política do país.

A organização da Marcha, simbólicamente, entregou o troféu Algemas de Ouro 2011 para os políticos considerados mais corruptos no ano passado. A votação ocorreu via internet e José Sarney ficou em 1º lugar, com José Dirceu em 2ª colocação e Jaqueline Roriz (aquela da família de bandidos no Distrito Federal) em 3º lugar. Infelizmente os protagonistas não puderam comparecer para receber a premiação.

Sarney ganhou, mas não compareceu - Thiago Marcondes - 25/01/2012

Um trio elétrico foi contratado e a banda "Pega Ladrão" tocou músicas como forma de protesto. Pedestres eram chamados para participar da manifestação assim como pessoas em restaurantes e bares na região, mas pareciam se preocuparem mais com a quantidade de cervejas que beberiam e como iriam para a casa, por conta da lei-seca do que propriamente com os problemas políticos. Uma frase do Frei Betto, publicada no texto "PAUTA 2012" da edição nº 178 da revista Caros Amigos explica a inanição da maioria: "Quem tem nojo de política é governado por quem não tem".

Para muitos o saldo da marcha foi negativa por conta da quantidade, digamos pífia, de manifestantes presentes. Porém, há o lado positivo da ação. Começamos a ver que nem todos são conformados com a situação e persistem em lutar e mostrar para os demais que somos roubados, ludibriados e feitos de bobos enquanto eles, os políticos, enchem os bolsos e realizam obras que nem sempre favorecem a maioria da sociedade. Quem sabe um dia a gente consegue algo como a praça Tahrir, no Egito.

Thiago Marcondes é Jornalista

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cracolândia: problema de saúde pública

Objetivo da ação policial foi apenas de retirar os usuários da região da luz e enviá-los para outro local

Por Thiago Marcondes

Nos primeiros dias do ano de 2012 a sociedade recebeu uma grande quantidade de notícias sobre a política do município de São Paulo em relação aos usuários de crack concentrados no centro da cidade, local conhecido como a Cracolândia.

Os meios de comunicação noticiam o fato de a polícia ir ao local, dispersar os usuários de drogas e, por incrível que pareça, realizar prisões de traficantes e pessoas procuradas pela policia como se o problema estivesse resolvido. Claro que foram apenas 03 pessoas presas na operação, ou MEGA-OPERAÇÃO, pela forma como foi veiculada.

O governo, seja ele municipal, estadual ou municipal, não tem uma política de saúde pública efetiva que de fato retire os usuários da rua, faça eles se curarem do vício para inserí-los novamente na sociedade com condições de trabalho. Nas últimas operações realizadas pela polícia não foi isso que vimos.

O problema das drogas, se realmente for tratado como caso de saúde pública, deve ter acompanhamento médico, assistentes sociais e psicólogos (só para citar alguns casos) e não somente com a polícia militar de armas e cacetetes nas mãos para tratar os viciados meramente como criminosos.

A P.M. é fundamental no apoio às equipes durante a abordagem, pois alguns usuários ficam agressivos e existem traficantes na região para vender a droga. Porém, o trabalho a ser feito deve ser o de prevenção e o setor de inteligência irá trabalhar para prender os "cabeças" do esquema. Ou seja, grandes produtores do crack.

Da forma como o programa foi (e ainda é conduzido) os presos são "peixes pequenos" e com isso nunca se trabalhará a prevenção e tampouco a correção, mas sim a limpeza dos locais onde há consumidores de crack que serão jogados para outros bairros.

No momento eles incomodam simplesmente por estarem no centro de São Paulo, próximos à famosa "Sala São Paulo" onde somente os ricos e abastados têm acessos ao concertos e eventos. Nada mais é do que fazer uma limpeza em parte da cidade e enviar o "lixo" para outro local. Isso ocorreu quando o Papa Bento XVI veio ao Brasil, em maio de 2007, e não mudou nada nos últimos anos

Se os viciados em crack, entre eles muitas crianças, adolescente e mulheres grávidas, estivessem no Capão Redondo ou na Cidade Tiradentes será que o governo, junto com a polícia, faria uma opreação ostensiva assim?

Thiago Marcondes é Jornalista