quinta-feira, 2 de junho de 2011

Greve, sensacionalismo e desinformação

A cobertura jornalística sobre a greve deixou à desejar quando emitiu informações erradas à população

Por Thiago Marcondes

Hoje, 02/06/2011, pela manhã, a rádio "Band News FM" noticiava basicamente a situação do trânsito na cidade de São Paulo por conta do segundo dia de greve dos ferroviários e dos motoristas e cobradores de ônibus da região do ABC Paulista.

A rádio possui um serviço onde os ouvintes enviam mensagens por emeio e celular para informar onde são os pontos mais críticos de trânsito, pois no sítio da C.E.T. não há informação antes das 06h da manhã devido seu horário de trabalho.

Os jornalistas Luiz Megale e Tatiana Vasconcelos são os apresentadores do jornal e seguiram uma linha de crítica contra a greve, pois paralisação afetava milhões de pessoas e deixava o trânsito na cidade paulista mais congestionado que o comum.

Ambos jornalistas se esqueceram (prefiro pensar assim) de informar aos ouvintes que fazer uma greve é um direito e não safadeza ou preguiça de trabalhar. Mas até esse momento podemos dizer que estava "tudo bem", pois o que viria não seria fácil de escutar.

Megale, experiente jornalista da casa, afirmava quase à todo momento que o sindicato deveria encontrar uma outra forma de conseguir seus direitos e reivindicações, no caso é um aumento salarial de cerca de 5%, mas não citou em momento algum como fazer isso. Sequer deu uma alternativa.

Entendo que no momento Megale pensava na população que não conseguia chegar ao hospital, trabalho ou escola. Porém pouco contribuiu com conteúdo informativo uma vez que somente colocou sua opinião sem embasá-la em algo ou exemplo claro e objetivo.

No único momento em que deu uma solução que não fosse a greve ele optou para que motoristas e cobradores deixassem as catracas livres e, dessa forma, o transporte não fosse paralisado. Tal ação é considerada crime e o jornalismo da Band News FM manteve essa versão no ar por aproximadamente 10 minutos até passarem a informação correta.

Nesse tempo quantos ouvintes desligaram o rádio e deixaram de obter a informação correta? Quantos pensam que deixar a catraca livre é uma atitude viável e certa? Ocorreram depredações em estações e ônibus e pode ser que algumas pessoas tenham como certo que ao invés de greve os motoristas e cobradores deveriam trabalhar e deixar as catracas livres.

Greves do transportes em São Paulo ocorrem todos os anos e uma informação como essa é simples a rádio não poderia ter deixado um vácuo desse tamanho. O dever do jornalismo deve ser informar e nesse caso não ocorreu como deveria, pois também deixaram de citar as reivindicações dos grevistas e seus direitos em parar o trabalho. A única coisa bem feita foi desinformar os ouvintes.

Thiago Marcondes é Jornalista

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