quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pão Francês e Pão de Açúcar

Por Ivan Jubert

Coisas estranhas acontecem aqui neste país. O Grupo Pão de Açúcar, anos atrás, foi crescendo e aumentando de tamanho assustadoramente nos anos setenta, comprando todo supermercado que via pela frente, fosse uma rede tradicional como Peg-Pag, Barateiro, Sé ou lojas de pequeno porte. Tornou-se líder do setor com um faturamento muito grande e um poder de compra descomunal que pôs fim a pequenos fornecedores que ficaram à mercê do gigantismo do grupo liderado por Abílio Diniz. Abriram lojas até em Portugal.

Apesar do poderio de compra e da pressão exercida sobre seus fornecedores, as lojas do supermercado nunca foram campeãs no quesito preço. Muitas marcas desapareceram do mercado, pois passaram a rotular seus produtos com as marcas do grupo Pão de Açúcar.

O crescimento desordenado do Grupo fez com que quase acontecesse a falência do Pão de Açúcar que começou fechando lojas, vendendo sua sede principal na Avenida Berrini e demitindo funcionários, muitos funcionários. Abílio, praticamente expulsou a família Diniz da direção do grupo e passou sozinho a administrar seus negócios. Isso foi lá pelos meados da década de oitenta.

Ainda na década de setenta surge o mocinho francês Carrefour que prometia preços sempre inferiores ou que devolveria o dinheiro pago a mais em suas lojas. O Carrefour adotou uma técnica até que inteligente, pois suas primeiras lojas ficavam em lugares de difícil acesso, só se chegando lá de automóvel. Foi uma seleção natural de consumidores que tinham um bom poder de compra. O Carrefour também cresceu e tornou-se a maior rede de varejo do país em faturamento, mesmo com um número inferior de lojas em comparação com o Pão de Açúcar.

Mas chega um ponto em que ou se cresce mais ou se é engolido pela concorrência e o Carrefour também começou a comprar pequenas redes, incluindo-se aí a rede Eldorado. Abriu lojas em Shoppings e foi perdendo o que tinha de melhor que eram os bons preços das prateleiras e gôndolas, dada a elevação de seus custos operacionais. Perdeu, inclusive, a liderança em faturamento para o Pão de Açúcar que voltou a ser o maior centro distribuidor varejista do país.

Agora, poucas décadas depois, a gente vê que uma fusão está prestes a acontecer entre as duas maiores redes de supermercados. Não se trata bem de uma fusão, mas da compra do Carrefour pela rede Pão de Açúcar. Há dinheiro para isso? Claro que não. Quem vai financiar a compra é o BNDES, ou seja, nós.

Falando apenas de São Paulo, há lojas das duas redes uma de frente para a outra ou quase do lado uma da outra. Manda o bom senso que uma delas seja fechada e isso irá gerar um grande desemprego no setor.

Fala-se, contudo, que a fusão irá facilitar a penetração de produtos brasileiros no mercado europeu. Balela! Mentira! Com essa fusão, o Novo Pão de Açúcar terá um monopólio do comércio varejista no país e inibirá que algum pequeno comerciante entre para este ramo e, mais uma vez, quem sairá perdendo é o povo. Este povo idiota que ainda irá se vangloriar de comprar em uma das maiores redes de supermercados do mundo. Sem direito de escolha de sua marca preferida, mas obrigado a comprar marcas da rede, como já acontece hoje. Pequenas e médias fábricas de compotas fecharam suas portas e hoje produzem apenas para Carrefour e ao de Açúcar e isso acontece com arroz, feijão, margarinas, leite e uma infinidade de produtos.

Já neste século XXI o Pão de Açúcar comprou as Casas Bahia num negócio milionário.

Distribuição de renda? Só se for para os bolsos do senhor Abílio Diniz. Parece que os dias de cativeiro de anos atrás não o tornaram mais humilde.

Ivan Jubert Guimarães é Escritor e autor do "Blog de Pensamento Liberal" e do sítio "Pensamento Liberal".

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Flagra de desrespeito na cidade de São Paulo

Políticos utilizam vagas de estacionamento exclusiva para idosos em benefício próprio

Por Thiago Marcondes

Há tempos a cidade de São Paulo sofre com espaços públicos de estacionamento e, em muitos locais, para o motorista conseguir deixar seu veículo deve procurar um local privado, onde as tarifas podem ser de até R$ 12,00 a hora, ou então nas próprias vias onde geralmente deve-se utilizar o cartão de Zona Azul e pagar por esse serviço.

Impostos, como o IPVA, DPVAT e Seguro Obrigatório, são pagos e não há retorno para a sociedade. Em meio toda essa sacanagem os idosos tem um privilégio (eu acredito ser um DIREITO) de estacionarem sem pagar desde que tenha o chamado "Cartão do Idoso".

Bonita essa atitude de pensar nos velhinhos motorisados (para aqueles que dependem do transporte público foi disponibilizada somente SORTE e PACIÊNCIA), para que não tenham necessidade de gastar sua aposentadoria para pagar estacionamentos.

Nem o Poder Executivo respeita o idoso - Thiago Marcondes - 29/06/2011

O que fazer quando os direitos dos idosos são desrespeitados por demais motoristas que utilizam as vagas EXCLUSIVA para eles? Gritar, xingar, espernear não resolve nada. Talvez se a C.E.T. for chamada (mas demora uma eternidade para ir local) o infrator poderá receber uma multa, caso pego em flagrante é claro.

E quando um veículo oficial do governo está em uma dessas vagas? O blog Pensando no dia-a-dia flagrou um carro do Poder Executivo da cidade de Itapetininga estacionado exatamente em local exclusivo para idosos, localizada na rua Leandro de Dupret, na zona sul da capital Paulista.

Não foi possível localizar a pessoa que estacionou na vaga, porém  sabemos que por ser EXCLUSIVA para idosos há, nesse caso, uma infração e, mais do que isso, o desrespeito ao idoso. Acionar a polícia, C.E.T. ou poder público para resolver isso? Será que resolve? Ao menos denunciar já serve como alerta para tentar minar um pouco o problema.

Sei que muitos pensarão que se o político for idoso ele tem o direito, mas isso não se torna uma verdade plena. Ao utilizar um carro oficial seria uma situação similar que uma empresa privada utilizasse um motorista nessa faixa etária para se beneficiar da lei.

Aos velhinhos, que tanto trabalharam em sua vida, sobrou somente mais uma forma de desrespeito e falta de consideração. Porque no ônibus, metrô, trem e na saúde (vou para os exemplos por aqui) já sofrem bastante para conseguirem utilizar seus direitos.

Thiago Marcondes é Jornalista

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O afeto do dia-a-dia foi substituído por presentes em datas especiais

Uma ligação ou um gesto de carinho vale mais que uma bolsa da "Louis Vuitton"

Por Thiago Marcondes

As datas comemorativas como Páscoa, Dias das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Natal e Aniversários geralmente são marcadas pelo fato de presentearmos as pessoas e as deixarmos felizes pela lembrança de um dia tão especial em suas vidas.

Cito esse assunto porque no último dia 12/06 celebrou-se o Dia dos Namorados e a minha amada recebeu apenas um bicho de pelúcia e vários elogios como "Eu te amo" e "Obrigado por existir em minha vida".

Na verdade eu gostaria de ter comprado muitos presentes, chocolates, ter saído para jantar e toda aquela cerimônia clichê que se faz nessas datas, mas não consegui por 02 motivos.

1º: não tenho paciência de entrar em shoppings em períodos de datas comemorativas por conta da quantidade de pessoas e, também, por não suportar estar confinado em um local sem ao menos poder ver a luz do dia.

2º: não fomos jantar porque viajamos para Analândia, uma cidade no interior do estado e que parece ser comandada por coronéis (ver o blog Unidos por Analândia e o artigo Carnaval em Analândia termina em ameaça), e também porque os restaurantes são lotados. Sendo assim, praticamente torna-se uma missão impossível comer na cidade de São Paulo.

Ainda que eu me apegue aos clichês (mas nem sempre os sigo) das datas comemorativas impostas pelos meios-de-comunicação e pela cultura dominante, pensei nas reações das pessoas que não recebem presentes nesses dias em que o comércio lucra, lucra e lucra.

As relações humanas, em muitos casos, baseia-se que o carinho e afeto estão nos presentes recebidos nesses dias e não no amor demonstrado dia-a-dia durante convivência. Isso não ocorre somente nos namoros, mas também entre pais e filhos, irmãos e por aí vai.

Presentes caros e jantares luxuosos são consequências de uma relação e da condição financeira de cada um (e olhe que atualmente pode-se pagar tudo em várias e várias vezes), pois o que uma pessoa realmente precisa para saber o quanto é amada e querida são gestos, carinhos, conversas, paciência, ligações para perguntar se estão bem etc.

Já pensou quantas vezes disse para seus familiares o quanto você os ama e a importância que eles têm na sua vida? E para sua sua namorada/esposa? Garanto que ficarão mais felizes do que somente com os presentes caros. Não custa nada tentar.
 
Thiago Marcondes é Jornalista

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A separação do Sudão: uma história sem fim

Sem acordo definido para a paz, país africano ainda sofre com guerras e incertezas para o futuro

Por Thiago Marcondes

O Sudão, pais ao norte do continente africano e governado com mãos de ferro pelo ditador Omar al-Bashir, aprovou a separação entre sul e norte, por conta de diferenças políticas e religiosas, em um referendo ocorrido no dia 09/01/2011, conforme artigo "Sudão do Sul: um novo Estado, uma nova guerra?". 

Analistas e especialistas tinham em mente que a separação entre os muçulmanos do norte e os cristãos do sul ocorreria de forma relativamente pacífica após Bashir dizer que aceitaria o resultado do pleito sem discordar do veredícto. Porém, não foi bem isso que ocorreu nos últimos meses.

O Sudão do Sul, novo estado que já nasce de falido e sem estrutura para sua população, é rico em pretróleo e o governo do norte decidiu que os frutos/lucros devem ser repartidos de forma igual para ambos os lados, já que tem a estrutura para extraçao/exportação.

Na região de Abyei, localizada mais ao sul da ainda unificada nação (porque a data oficial da separação será dia 09/07/2011), há petróleo e é onde os atuais conflitos entre ambos os lados ocorrem. As Nações Unidas estão no local, mas não conseguiram por fim aos conflitos.


Pacificadores foram chamados às pressas para tentar mediar um acordo de paz na região que já sofre tanto com problemas de guerra cívil e refugiados em Darfur, campo ao norte do país em que abriga cerca de 5,5 milhões de habitantes. As tribos não árabes foram massacradas pelas "Janjawid", espécie de mílicia do governo.

O ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, foi chamado à Etiópia para conciliar às partes e tanto o governo de Bashir quanto o do Sudão do Sul (Movimento pela Libertação das Pessoas do Sul em tradução livre) assinaram o acordo para a desmilitarização da região, após estarem reunidos por 01 semana em Addis Abeba, capital etíope.

Mais uma vez tudo indica que a paz poderá voltar a região, mas quando o assunto é acordo com ditadores e África tudo pode mudar de uma hora para a outra e uma nova guerra pode eclodir, ou a que já existe continuar de forma mais sagrenta e violenta. O mundo deveria abrir mais os olhos para esse local, devastado por conflitos e guerras cívis nos últimos 50 anos.

Para os sudaneses, sejam do norte ou do sul, a vida continuará um inferno assim como na Líbia, Nigéria, Costa do Marfim e República Democrática do Congo, isso somente para citar algumas nações africanas com problemas, enquanto para nós passará somente como mais um "guerrinha" onde o povo já está acostumado com isso.

Thiago Marcondes é Jornalista

Festival de Parintins atrai cerca de 100 mil pessoas

Cultura, tradição, religião e o imaginário popular são marcas da festa amazonense

Por Thiago Marcondes

O Festival Folclórico de Parintins, no estado do Amazonas, inciou-se em 1964 e acontece anualmente no mês de junho onde reune tradições e histórias locais em uma disputa sadia pelo título entre os 02 únicos grupo da região, o Boi Caprichoso e Boi Garantido.

No começo o festival era conhecido somente pela população local, já que o carnaval no eixo Rio-São Paulo domina as festividades culturais das telinhas. Com o tempo a divulgação da festa passou a ser difundida, de forma vagarosa é claro, por todo o país de forma que toda a nação conheça a diversidade cultural existente no Brasil.

Cada grupo se apresenta por 03 horas durante os 03 dias de festa. O bumbódromo, onde Caprichoso e Garantido levam seus carros, integrantes e fantasias e as músicas que misturam a religiosidade, tradição, cultura e imaginário popular, tem capacidade para cerca de 35 mil espectadores.  Durante o perído de festa a cidade chega a receber cerca de 100 mil turistas que ajudam a movimentar a economia local..

A ordem das apresentações são definidas por sorteio previamente realizado e o bumbódromo fica divido entra as cores azul e vermelha que representam os bois. O respeito pelo trabalho e a apresentação do adversário é tamanho que no momento em que o Caprichoso se apresenta a torcida do Garantido fica em silêncio e vice-versa.

Os patrocinadores do evento, em suas placas publicitárias, preservam a cor de cada grupo para não perderem consumidores durante o festival já que a rivalidade entra ambos é grande e acirrada.

A Coca-Cola, por exemplo, não tinha seu produto consumido pelos admiradores do Caprichoso que preferiam a Pepsi por conta da cor da lata. Assim, decidiu inovar durante a festa e lançou uma embalagem com azul.


Os organizadores do festival, os participantes e a população preferem manter a tradição e a cultura da festa do que vender-se às grandes corporações para conseguirem dinheiro. Com garra e força de vontade conseguem levantar verba para patrocinar o evento sem que a caracterísitca principal, as cores, sejam perdidas.

A festa de Parintins atualmente é transmitada pela Rede Bandeirantes e hoje estará nas telas à partir das 21h. Às 00h uma pausa para o jornal e 30 minutos mais tarde voltará com a programação diretamente do norte do país, para mostrar ao Brasil que cultura e festivais bonitos não estão somente no eixo Rio-São Paulo e no carnaval do nordeste.

Thiago Marcondes é Jornalista

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Caso Palocci já foi esquecido pela mídia brasileira

O escândalo durou enquanto ele estava no governo

Por Thiago Marcondes

A mídia brasileira, no último mês, fez um cobertura abragente e em todo momento enfatizou o provável enriquecimento ilícito do Antônio Palocci.

À princípio podia-se pensar que o intuito seria mostrar à sociedade a forma como o político se aproveitou de seu cargo para conseguir dinheiro. Porém, agora constata-se claramente que foi pura manobra política com a intenção de fragilizar o governo de Dilma.

O papel midiático, durante a cobertura, em partes foi relevante para a sociedade e mais uma vez desmascarou Antônio Palocci, que já havia tido problemas durante o período em que Lula esteve no governo. Somente deixou à desejar quando transformou a situação em um caso político, pois ao invés de dar continuidade abandonou o tema e deixou seus leitores, telespectadores e ouvintes sem mais notícias sobre o fato.

O tempo passou, ele foi demitido do cargo, muito se falou sobre o desgaste de Dilma com o P.M.D.B. e agora o que temos nos jornais são notícias de que o governo cederá cargos pleiteados pelo partido aliado já que não ofereceu o cargo de Palocci para eles.

A situação, que no momento do escândalo a mídia e a oposição tornaram assunto político e que Palocci, o P.T. e os aliados à todo custo tentaram vincular o problema como algo pessoal do ex-ministro, depois de sua demissã foi esquecida e quase ninguém tem notícias de como será seu desfecho.

Espera-se que os meios-de-comunicação não esqueçam do tema, pois se à partir de suas coberturas ficou explícito que o enriquecimento de Palocci foi através de contatos de quando estava na equipe de transição do governo, agora eles devem dar sequência e mostrar para a sociedade se ele será julgado e cobrado por suas ações. Caso contrário, será somente mais um escândalo que irá para o esquecimento do brasileiro.

Thiago Marcondes é Jornalista

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Depois de 16 anos justiça condena Edmundo

Lentidão no julgamento de processos coloca o sistema judiciário em descrédito com a sociedade

Por Thiago Marcondes

A justiça, apoiada pela mídia, reascendeu o episódio em que Edmundo, ex-jogador de Palmeiras e Vasco, se envolveu em um acidente de trânsito em 1995 que resultou na morte de 03 pessoas.

O ex-craque, em 1999, havia sido condenado pela morte das pessoas e seus advogados conseguiram recursos para que o cumprimento da pena fosse em regime semi-aberto. Assim, o jogador permaneceu livre até os dias de hoje.

Na noite de ontem, 14/06/2011, a justiça carioca determinou a prisão do atual comentarista esportivo da BAND por considerá-lo culpado em relação ao acidende. Ou seja, ele matou as pessoas, mas sem a intenção de cometer o crime.

A mídia, como sempre, para conseguir audiência não pára de noticiar o assunto e deixa o nome de Edmundo sempre em evidência. Discute-se que o jogador deverá cumprir pena em prisão para pagar pelo que fez. Ótimo, se for culpado é claro. Porém, fatos importantes são deixados de lado no caso e se fossem debatidos pela sociedade as leis e a justiça brasileira poderiam melhorar de forma considerável.

Ações de trânsito geralmente demoram muito tempo para  serem julgados e há casos em que processo prescreve, ou seja, perde a validade e o acusado não pode ser condenado por conta da lentidão do sistema judiciário brasileiro.

Há quem diga que a justiça tarda mas não falha, porém não devemos tratá-la dessa forma. O que foi feito no passado (no caso Edmundo há cerca de 16 anos) já deveria ter sido julgado e o réu, caso condenado, teria cumprido a pena.

As famílias das vítimas convivem com a dor e o sofrimento da perda até hoje e mesmo com a condenação não terão suas feridas cicatrizadas. Além do mais, o fato de ver o responsável pela morte de seus entes queridos solto causa uma sensação de impunidade e a sociedade passa a desacreditar no poder judiciário do país.

O caso do ex-jogador é somente um entre milhares que ocorrem Brasil à fora. Todos esses problemas são reflexos do voto da população que, conscientemente ou não, coloca pessoas no poder sem coragem (ou vontade) de alterar o código penal brasileiro. Enquanto isso temos de nos conformar com a morosidade da justiça enquanto assistimos a novela ou a final da Libertadores.

Thiago Marcondes é Jornalista

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

O Estadão, ao informar, presta um serviço à sociedade. Porém, ao executar o que prega lesa o consumidor

Por Thiago Marcondes

Um grande jornal de São Paulo me ligou, em meados de abril, para oferecer seu produto por 30 dias para que eu fizesse um teste e, se gostasse, poderia assiná-lo e obter vantagens como 03 DVD's de estilos musicais que eu escolheria.

Esse veículo de comunicação, conhecido como "O Estado de São Paulo", na época tinha samba, MPB, sertanejo e POP ROCK e o assinante (ou futuro assinante) poderia escolher somente 01 estilo musical. A "vendendora", ao ser questionada sobre quais títulos teria em samba, disse todos e ao perguntar sobre "Exaltasamba" fui informado que não havia. Começa aqui o martírio.

O setor de vendas do jornal tentou à todo custo conseguir meu número de cartão de crédito. Porém, em uma jogada um pouco mais esperta que a deles, informei não existir necessidade já que se tratava de um período de testes e não seria cobrado nada.

Passados quase 30 dias, e eu ainda na Bolívia, pensei não querer assinar e ao voltar faria o cancelamento. O jornal, no momento da assinatura, informou que ligaria para finalizar o processo. Porém mais de 01 mês já se foi e nada de ligação.

Resolvi entrar em contato com o call-center do Estadão hoje, dia 13/06/2011, para informar que não desejo mais receber o jornal. Pela manhã foram cerca de 20 minutos no telefone e mais 10 na internet. Resultado: continuo com a assinatura.

À noite foram mais 40 minutos e a informação de que o cancelamento só pode ser realizado até às 19h. A ligação foi iniciada às 18h45m e o resultado já é previsto. O jornal chegará em casa ao menos até quinta-feira.

O jornal, no caderno Metrópole, sempre noticia que as empresas de telefonia, cartão de crédito, TV à cabo e etc tem o serviço de atendimento ao consumidor lento e que os órgãos competentes devem reforçar a fiscalização para que os clientes não sejam lesados.

Na teoria o jornalão informa e aparentemente mantém um SAC e Central de Relacionamentos impecáveis para tratar seus consumidores, mas na prática não funciona dessa forma. O cliente, nesse caso fica à mercê da boa vontade da empresa que, no futuro, pode perder novos assinantes pela forma como trata os que já tem.

Thiago Marcondes é Jornalista

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Greve, sensacionalismo e desinformação

A cobertura jornalística sobre a greve deixou à desejar quando emitiu informações erradas à população

Por Thiago Marcondes

Hoje, 02/06/2011, pela manhã, a rádio "Band News FM" noticiava basicamente a situação do trânsito na cidade de São Paulo por conta do segundo dia de greve dos ferroviários e dos motoristas e cobradores de ônibus da região do ABC Paulista.

A rádio possui um serviço onde os ouvintes enviam mensagens por emeio e celular para informar onde são os pontos mais críticos de trânsito, pois no sítio da C.E.T. não há informação antes das 06h da manhã devido seu horário de trabalho.

Os jornalistas Luiz Megale e Tatiana Vasconcelos são os apresentadores do jornal e seguiram uma linha de crítica contra a greve, pois paralisação afetava milhões de pessoas e deixava o trânsito na cidade paulista mais congestionado que o comum.

Ambos jornalistas se esqueceram (prefiro pensar assim) de informar aos ouvintes que fazer uma greve é um direito e não safadeza ou preguiça de trabalhar. Mas até esse momento podemos dizer que estava "tudo bem", pois o que viria não seria fácil de escutar.

Megale, experiente jornalista da casa, afirmava quase à todo momento que o sindicato deveria encontrar uma outra forma de conseguir seus direitos e reivindicações, no caso é um aumento salarial de cerca de 5%, mas não citou em momento algum como fazer isso. Sequer deu uma alternativa.

Entendo que no momento Megale pensava na população que não conseguia chegar ao hospital, trabalho ou escola. Porém pouco contribuiu com conteúdo informativo uma vez que somente colocou sua opinião sem embasá-la em algo ou exemplo claro e objetivo.

No único momento em que deu uma solução que não fosse a greve ele optou para que motoristas e cobradores deixassem as catracas livres e, dessa forma, o transporte não fosse paralisado. Tal ação é considerada crime e o jornalismo da Band News FM manteve essa versão no ar por aproximadamente 10 minutos até passarem a informação correta.

Nesse tempo quantos ouvintes desligaram o rádio e deixaram de obter a informação correta? Quantos pensam que deixar a catraca livre é uma atitude viável e certa? Ocorreram depredações em estações e ônibus e pode ser que algumas pessoas tenham como certo que ao invés de greve os motoristas e cobradores deveriam trabalhar e deixar as catracas livres.

Greves do transportes em São Paulo ocorrem todos os anos e uma informação como essa é simples a rádio não poderia ter deixado um vácuo desse tamanho. O dever do jornalismo deve ser informar e nesse caso não ocorreu como deveria, pois também deixaram de citar as reivindicações dos grevistas e seus direitos em parar o trabalho. A única coisa bem feita foi desinformar os ouvintes.

Thiago Marcondes é Jornalista