quarta-feira, 27 de julho de 2011

A África e seus problemas

Guerras, conflitos, fome e um futuro incerto

Por Thiago Marcondes

A África, sempre conturbada, vive dias cada vez mais intensos com protestos, fome, presidentes derrubados de seus cargos e tentativa de assassinato contra chefe de estado. A primavera árabe evocou no continente africano um sentimento que através de manifestações populares a possibilidade de um futuro estável (será?) e melhor poderia vir.

Tunísia e Egito conseguiram tirar do poder os ditadores (na época os Estados Unidos os consideravem presidentes) que comandavam as nações há anos e reprimiam o povo e seus direitos. Porém somente isso ainda não resolveu seus problemas. Na Líbia a situação permanece tenha e Gaddaffi resiste (firmemente) apesar dos conflitos com os rebeldes, que são financiados pelo governo estadunidense com auxílio das Nações Unidas também.

A Costa do Marfim vive crise política mesmo após Alassane Outtara ter assumido a presidência. O ex-presidente, Laurent Gdagdo, lutou para não sair do poder. Porém, forças francesas o capturaram para tentar reestabelecer a ordem no país. Resultado: mortes continuam a acontecer e a instabilidade reina.

A Nigéria sempre está sob conflitos étnicos, entre as várias tribos que compõe o país, e religiosos por conta dos cristãos e dos muçulmanos. Em geral quando o presidente segue uma religão o vice segue a outra e vice-versa, pois assim a sociedade terá representação política. Na teoria é lindo, mas na prática não funciona e o povo sofre com a violência.

A Somália não tem governo e por conta da seca não há alimento suficiente para a população. Aliás, o problema da fome na África é um agravante e que não será resolvido em curto prazo. Para pioar a situação o grupo islâmico radical que controla o país não permite que ONG's entreguem comida.

Na Guiné o presidente sofreu uma tentativa de assassinato que resultaria em um golpe para a tomada do poder e no Malauí o povo está nas ruas para pedir melhores preços nos produtos e condições para todos. Enfim, poderia escrever o dia todo sofre as várias nações africanas com problemas de conflitos étnicos e religiosos, mas que ao final são sempre POLÍTICOS, e o leitor ficaria cansado de tanta informação.

Há tempos a situação não muda e enquanto políticos não promoverem a união dos povos de diferentes crenças religiosas e etnias os conflitos matarão mais e mais pessoas. Ao pesquisar sobre as guerras encontram-se relatos de crianças com armas prontas para matar e morrer por conta de ideais que elas nem sabem o significado.

A União Africana existe e poderia auxiliar na mediação de conflitos. Até fazem, mas êxito que é bom não consegue. E a O.N.U.? Bom, essa aí está mais preocupada com os interesses estadunidenses do que com a paz mundial e o bem estar dos povos.

Thiago Marcondes é Jornalista

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Obras da Copa: será que vai?

Com atrasos na construção de estádios e reformas de aeroportos a conta da Copa do Mundo poderá ficará bem mais cara

Por Thiago Marcondes

Faltam menos de 03 anos para o Brasil sediar o maior evento futebolítisco do planeta e inúmeras obras ainda não saíram do papel. Planejamentos foram feitos, custos avaliados e tudo o que foi dito poderá ser mudado em um piscar de olhos.

As obras nos aeroportos ainda não começaram e em Salvador, conforme anunciado, não terá sua pista finalizada para o evento em 2014. Guarulhos segue da mesma maneira, lotado e com infra-estrutura que atualmente não comporta a quantidade de passageiros. Sem falar nos casos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Porto Alegre e demais cidades sedes.

A situação da infra-estrutura das estradas, portos e rodoviárias são calamitosas e pouco se sabe em relação aos investimentos do governo. O trem de alta velocidade, prometido para o mundial, ainda não finalizou as licitações e provavelmente ficará pronto somente para os jogos olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Em reforma já estão o Maracanã e o Mineirão, onde trabalhadores entraram em greve recentemente para reivindicarem melhores salários e condições de trabalho. No Mato Grosso e em Manaus serão construídas modernas arenas que, após o mundial, serão os chamados "elefantes brancos" já que a região tem pouquíssima (ou não tem!!!) tradição no futebol brasileiro.

Green Point Stadium na Cidade do Cabo - Thiago Marcondes - Julho/2007

Em São Paulo a construção do estádio do Corinthians gera polêmicas entre torcedores (os mais fanáticos) e a sociedade em geral. Muitos são contra já que na cidade há o Morumbi, atualmente de difícil acesso, mas com capacidade para a abertura do mundial.

As obras mal começaram e o terreno sequer está pronto para que maquinário e material sejam disponibilizados e a construção seja iniciada. Na África do Sul, país sede da Copa de 2010, o Green Point Stadium já estava em fase inicial en julho de 2007 e acreditava-se que não ficaria pronto a tempo.

O governo liberou isenção fiscal para a construção do "Fielzão" e a F.I.F.A. aprovou o projeto do novo estádio, que será receberá a primeira partida do torneio. Acredita-se que o Morumbi ficou fora por conta das brigas entre a diretoria tricolor e o ditador Ricardo Teixeira.

As obras de infra-estrutura para o torneio estão atrasadas e isso facilitará a contratação de empresas sem necessidade de licitação(os valores deverão ser exorbitantes para que cada um belisque o seu), pois o governo afirmará que são emergenciais e não terá tempo para concorrências. Assim, o dinheiro público ficará cada vez mais vulnerável para que políticos/empresários façam desvios e enriqueçam de forma ilícita e absurda.

Thiago Marcondes é Jornalista

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Night Club distribui panfleto em semáforo

Propagandas de shows com mulheres nuas são oferecidas ao motorista na capital paulista

Por Thiago Marcondes

A cidade de São Paulo tem seus semáforos, em geral, cheio de pessoas para vender balas, chicletes, chocolates, água, refrigrante e tudo o mais. Há também aqueles que pedem um trocado para comer e/ou limpar seu pára-brisas em para receber uma moeda. Isso tudo é um reflexo de uma sociedade sem oportunidades de onde o cidadão, para não entrarem no mundo do crime, optam por ganhar pão-de-cada dia dessa forma.

Nesses mesmos semáforos inúmeras empresas contratam pessoas, que recebem pouco e ficam em pé sob sol e chuva, para distribuírem os folhetos de empreedimentos imobiliários. Ambas as situações jã são comuns na cidade.

Mas e quando o motorista recebe um folheto de uma "Night Club" que atende todos os dias à partir das 12h? Pois é, caso você passar pelo cruzamento da Av. Professor Luiz Inácio Anhaia Mello com a Av. Paes de Barro, na Vila Prudente (zona leste) em plena luz do dia.

 

Caso queira conferir basta passar pela região por volta de 17h e 18h e torcer para que o semáforo fique vermelho, pois o único incômodo será abrir e fechar a janela do carro já que as autoridades não estarão lá para barrar a garota.

Thiago Marcondes é Jornalista

segunda-feira, 11 de julho de 2011

100 anos de Machu Picchu

Há 01 século mundo descobria mais um reduto da civilização inca

Por Thiago Marcondes

No mês de julho de 2011 a cidade Inca de Machu Picchu completa 100 anos de descoberta com festejos que envolveram o atual presidente do Perú e governadores da região. Turistas e moradores de Águas Calientes, a cidade que serve como porta da entrada para o local histórico, também estavam presentes no evento.

Machu Picchu, que significa "Velha Montanha", foi construída no século XV à pedido de Pachacuti, no Vale do Rio Urubuamba, e diz a lenda que na época servia de local para proteger e refugiar o soberano Inca. Talvez, por conta de sua localização (a cidade está em uma montanha à 2.400m de altura) de difícil acesso os espanhóis nunca chegaram lá.

O local sagrado foi planejado de forma que o cemitério, as moradias, templos e os locais para agricultura ficassem de forma organizada que conseguiram abrir espaço para ruas e, também, escadarias para locomoção da população local.

Vista da chegada à cidade sagrada - Thiago Marcondes - 13/05/2011

Os guias locais e a população sentem-se felizes pelo fato de que os colonizadores não chegaram à região, pois dessa forma foi possível preservar artigos incas e toda a história sem que saques ocorressem, como em Ollantaytambo e Cuzco, e assim mostrar ao mundo a cultura andina.

As cidades incas foram construídas em um período onde tecnologia praticamente não existia e para colocarem as pedras de forma simétrica primeiro eles davam forma utilizando facas e machados e, em seguida, colocavam uma sobre a outra. Quando existiam rochas grandes e pesadas usavam madeira roliça para fazer o transporte.

Roubos, períodos de escravidão e barbáries não ficaram somente presentes na história peruana, atrocidades cometidas pelos espanhóis foram vista também na Bolívia, Chile, Equador etc.

Somente em 1911 a cidade foi descoberta pelo professor estadunidense Hiram Bingham, que estava em expedição na região, atualmente Machu Picchu é um dos roteiros turísticos mais procurados no mundo por conta de sua história e sua beleza. Considerada Patrimônio Mundial da Unesco há uma preocupação com a preservação do local por conta da quantidade de visitantes.

Composição na estação de Ollantaytambo - Thiago Marcondes - 13/05/2011

Já existe um limite de visitantes à cidade por dia e o acesso até o local pode ser feito através das trilhas incas, que podem durar cerca de 03 ou 04 dias e também de trem com saídas, geralmente, de Cusco e Ollantayambo.

Para os turistas do mundo o local pode ser somente mais um destino bonito, mas para os peruanos e os povos indígenas Machu Pucchi é um local sagrado onde seus ancestrais viveram e construíram cidades. A preservação não está ligada somente ao setor financeiro que arrecada milhões de US$ por ano com visitas, mas também para preservar a cultura local que quase foi banida com a chegada dos espanhóis.

Thiago Marcondes é Jornalista

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O futebol seria o ópio do povo?

Assim como os jogadores, atualmente políticos fazem pouco por seu país

Por Thiago Marcondes

A Copa América de 2011, disputada na Argentina, tem gerado inúmeras discussões por conta dos empates da seleção anfitriã contra a Bolívia (1x1) e com a Colômbia (0x0). A fraca atuação de seus badalados jogadores, em especial Messi, o melhor de mundo em 2009 e 2010, embala os debates no Brasil.

O Brasil, com jogadores como Pato, Ganso, Neymar e Robinho, também decepcionou ao empatar com a fraca Venezuela, onde o futebol é apenas o 4º esporte mais popular em 0x0. O próximo confronto é contra o Paraguai, adversário mais forte, e pode ser que uma ZEBRA (sulamericana e não africana) aparece no caminho.

O futebol, como quase sempre, domina as pautas dos meios de comunicação e, consequentemente, o cotidiano da sociedade. A preocupação com as apresentações por Brasil e Argentina é compreensível até certo ponto? Claro! Mas e quanto a situação dos países  vizinhos ao Brasil, e até mesmo com o Brasil, onde fica?

Cruzar a fronteira brasileira com qualquer país não é tarefa difícil e o controle tampouco efetivo. Por isso armas, drogas e contrabando entram e saem do Brasil com uma facilidade tremenda. Trabalhadores, em sua maioria bolivianos, passam como turistas e chegam em São Paulo para trabalharem em confecções do Bom Retiro em péssimas condições e são mantidos praticamente como escravos.

No Perú, recentemente, o candidato de esquerda Ollanta Humala foi eleito presidente do país e espera-se que reformas políticias e econômicas sejam realizadas para que o dinheiro seja distribuído e chegue às camadas mais pobres da sociedade. Assim como o Brasil, a Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela já estão nesse caminho e a população mais carente já sente as melhorias na sociedade como aumento de empregos e renda.

Por nossas bandas, em 01 mês, o governo Dilma perdeu 02 ministros por conta de supostos esquemas de corrupção. As obras para a Copa do Mundo já estão super-faturadas e muitos trabalhadores realizam greves para reivindicar melhores salários e condições de trabalho.

Na cidade de São Paulo o prefeito Gilberto Kassab, que criou um novo partido e provavelmente apoiará a gestão petista, ganhou outro aumento de salário enquanto professores e médicos da rede pública continuam com ganhos abaixo do que profissionais da área deven receber.

Os preços do combustível (escutei na CBN que o etanol aumentou depois de uma leve queda), transporte, moradia e alimentação (somente alguns exemplos) estão elevados e salário mínimo pouco acrescentou. Aliás, projetos para elevá-lo a um patamar digno de se viver não exsite e os políticos pouco querem fazer isso.

Leia o parágrafo IV do artigo 7º da Constituição brasileira e veja a mentira e o descaso contra a sociedade.

"IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;"

Indignação? Tristeza? Raiva? Calma, pois tudo isso vai passar se a seleção ganhar do Paraguai pela Copa América.

Thiago Marcondes é Jornalista

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Parabéns aos Estados Unidos pelo "Independence Day"

No dia de sua liberdade, o império estadunidense não tem muito o que comemorar por conta de guerras e problemas econômicos

Por Thiago Marcondes

No dia 04 de julho os Estados Unidos da América comemoram a independência da Inglaterra, sua colonizadora, com festas, honrarias e a celebração de uma sociedade democrática e livre.

Thomas Jefferson foi o responsável pela proclamação, que gerou atritos com os ingleses e uma guerra iniciou-se. Em 1783, apoiados pelos espanhóis e franceses, os estadunidenses finalmente venceram a batalha e se viram realmente livres como nação.

O país, para sair de colonizado e ser tornar um império, precisou estabilizar a economia após a quebra da bolsa em 1929, onde inúmeras pessoas perderam suas riquezas e chegaram até a tirar a própria vida, e vencer algumas guerras como por exemplo a 2ª Guerra Mundial, após praticamente destruir o Japão e expandir sua cultura através do "American Way of Life".

A expressão foi utilizada pela mídia para ajudar os estadunidenses a vencer a Guerra Fria contra os comunistas, em especial os soviéticos, desde 1945 até a queda do muro de Berlim e o final da U.R.S.S. (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

Os Estados Unidos, com sua ideologia de expandir a democracia e a sociedade livre para fazer suas próprias escolhas, financiaram ditaduras direitistas na Amélica Latina nas décadas de 60 e 70 e fizeram com que Brasil, Argentina e Chile (somente para citar alguns exemplos) vivessem anos de chumbo e de repressão contra o povo. Tudo isso para evitar a influência comunista na região. Os governos ruíram, mas deixaram sequelas absurdas como desaparecidos e muitas pessoas mortas.

Ainda nesse período perderam a guerra do Vietnã e tiveram de sair às pressas do país asiático para que mais vidas perdidas e dinheiro não fosse gasto. Na década de 80 apoiou os Talebãs (aqueles do Afeganistão) contras os soviéticos e, também, o Iraque de Saddam Hussein contra os iranianos, que implantaram um regime teocrático em 1979 após a derrubada do Xá Reza Palevi.

Na Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait por querer seu petróleo, eles enviaram tropas para vencer Saddam. Aquele mesmo que apoiaram anos atrás com fornecimento de armas.

Sem o legado do comunismo para combater encontraram no islamismo um novo inimigo para criarem guerras e expandir sua democracia. Na África, durante a década de 90, largaram a Somália à deriva (atualmente o país permanece sem governo) e deram as costas para o problema do genocídio em  Ruanda, onde quase 01 milhão de pessoas morreram em menos de 02 meses de guerra cívil. A O.N.U. (Organização das Nações Unidas), quintal estadunidense para brincar de controlar o mundo, alegou não poder fazer nada diante de tamanha brutalidade.

Em 2001, após os atentados de 11/09, culparam primeiro Osama bin Laden, morto recentemente, e invadiram o Afeganistão para à todo custo impor a democracia e liberdade ao povo, em essencial às mulheres, que viviam (nas regiões mais remotas ainda vivem) sob repressão do regime Talebã. Lutaram contra pessoas que tinha em mãos armas fornecidas por eles mesmos na década de 80. Isso viria a ocorrer também no Iraque.

O Iraque foi invadido em 2003 sob a alegação de que o país teria armas químicas e de destruição em massa, que jamais foram encontradas e evidências apontam que o motivo da guerra foi somente para obter controle do petróleo, já que os Estados Unidos são dependentes desse produto.

A economia ruiu novamente por conta do "boom" imobiliário e se viram afundados em dívidas internas e externas, principalmente pelo custo elevado de ambas as guerras. Nesse momento a sociedade já não apoia os conflitos e muitas vidas de soldades foram perdidas.

Já entre o final de 2010 e o começo de 2011 os países árabes, alguns ao norte da África, como Tunísia, Líbia, Egita, Síria, Iêmen e Bahrein, começaram protestos contra seus ditadores (todos apoiados pelos governos estadunidenses desde 1960 em diante) para obterem melhores condições em sua sociedade. O povo deseja empregos, melhoras na economia e mais liberdade.

Os Estados Unidos se viram contra a parede nesses casos porque sempre afirmaram que o melhor meio de se governar é a democracia, mas seus aliados nesse canto do mundo tinham (e ainda tem como na Arábia Saudita) ditadores que governavam com violência e forte repressão contra a população.

Nesse cenário de incertezas, guerras e opinões distintas para governos similares que os Estados Únidos da América completam 235 anos de independência, democracia e sociedade livre e, ao tentarem divulgar (entende-se por IMPOR) "American Way of Life" causam mais conflitos e deixam as nações vulneráveis, nas mãos de corruptos e gente que governa com mão-de-ferro.

Thiago Marcondes é Jornalista