quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A gourmetização da comida de rua

Eventos ocorrem em locais reservados onde troca-se a originalidade por modismo

Por Thiago Marcondes

O mercado de comida de rua no Brasil, principalmente na cidade de São Paulo, existe há muitos anos e os comerciantes usavam barraquinhas, carrinhos, trailers, carros, peruas, vans e, recentemente, chegaram os famosos e conhecidos food trucks (caminhões de comida em tradução literal).

Em algumas regiões, principalmente no centro da cidade, existem muitos pontos de venda e inúmeras pessoas se recusam a comer por duvidarem da qualidade do produto e da higiene. Em contrapartida há, também, inúmeras outras pessoas que comem sem problemas, pois o custo-benefício compensa. Com o passar do tempo tudo se moderniza. Inclusive o mercado de comidas de rua. A chegada dos food trucks fez parte da sociedade absorver a cultura (ou modismo) de deixar restaurantes de lado para fazer parte dessa "gourmetização".

O termo "gourmet" tem origem francesa e designa que um prato, o preparo, ou o ingrediente que compõe seja refinado. Basicamente a palavra significa "aquele que tem bom gosto" e muitos se apoderaram disso para elevarem os preços dos produtos. Seja um hambúrguer, um brigadeiro ou qualquer coisa que possa ser gourmetizada e consumida sem qualquer tipo de reflexão em relação à qualidade ou preço. O que vale mesmo é participar.

Em São Paulo os donos de food truck parecem não ter tanto interesse em permanecer nas ruas, pois as pessoas são atraídas para lugares fechados, geralmente estacionamentos que cobram cerca de R$ 2.500,00 por final de semana, com caminhões que oferecem diferentes tipos de produtos que vão desde hambúrguer até cervejas e doces. Os frequentadores desses locais entram em êxtase e não se importam em pagar valores altos pela comida em local sem estrutura decente para comportar tanta gente, pois o importante mesmo é seguir a onde e colocar a foto no instagram com qualquer hashtag que seja.


Tive oportunidade (não é bem essa palavra) de ir em um evento e o que vi foi muita gente, pouco espaço para circular, quase nenhuma mesa, poucos banheiros e produtos caros. Pode-se questionar que food truck vem do conceito de comida de rua e se eu quisesse conforto deveria ter ido para um restaurante. Pelo preço seria bem melhor.

Um lanche não sai por menos de R$ 20,00 e uma família com 4 pessoas vai gastar no mínimo R$ 120,00 com as bebidas inclusas. Por esse valor um restaurante valeria mais à pena, pois sempre tive em mente que comida de rua deve ser boa e barata e não com os chef''s, no estilo artistas, com vontade de aparecer mais que o próprio produto.

Esse mercado cresce e muita gente acredita que basta ter um caminhão bonito, um chef com barba e tatuado que as vendas vão ser altíssimas e o retorno garantido. Poucos têm conhecimento que para cozinhar em um espaço pequeno e restrito precisa ter muita experiência na cozinha.

Acredito que tudo deve se modernizar e evoluir, mas não ao ponto de deixar o produto extremamente caro e sua originalidade ser desvirtuada. Ainda sou do tempo que a kombi de hot-dog e o carro da pamonha (geralmente uma brasília ou variant) de fato vendiam as comidas de rua. Quem nunca ouviu a famosa frase "Pamonha fresquinha, pamonha caseira, pamonha, pamonha, pamonha".

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Assento preferencial não deveria existir em transporte público

Através da conscientização e educação as pessoas vão ter ideia de seu papel na sociedade

Por Thiago Marcondes

Normalmente as pessoas são acostumadas a utilizar o transporte público da cidade onde vivem e por conta dos serviços prestados sempre existem críticas e reclamações. O ser humano quase sempre evidencia o problema, o lado ruim e em raras oportunidades oferece alternativas.

Ao viajar de férias alguns optam por utilizar o transporte público da cidade visitada e outros, por conforto, utilizam taxi. Algo normal e não há como dizer que umas pessoas estão certas e outras ou erradas. São apenas opções que podem deixar o custo da viagem mais baixo e, assim, o viajante terá experiências sobre o dia-a-dia local.

Quando viajo tento, sempre que possível, utilizar o transporte público das cidades para me locomover. Fiz isso na Cidade do Cabo, La Paz, Havana, Medellín e Bogotá sem qualquer arrependimento. Com isso o senso crítico é aguçado, pois não há como evitar comparações com a cidade onde se vive.

Medellín, famosa pelo narcotráfico nas décadas de 80 e 90, teve como seu grande nome o traficante Pablo Escobar, que comandou a violência na cidade e no país. Até hoje, quando se fala na cidade, estereótipos são lançados sem ao menos existir reflexão do tempo de que se passou. Atualmente a arquitetura e modernidade destacam a região, além das obras de arte de Fernando Botero.

Utilizei o metrô de Medellín durante os quatro dias de estadia na cidade e uma curiosidade foi observada no transporte: não havia assento preferencial no vagão do metrô. Pelo menos não naqueles que utilizei. Existe uma lei específica para os ônibus que devem ter lugares específicos para idosos, gestantes, pessoas com crianças e portadores de necessidades especiais.

Medellín

Os antioqueños (nascidos na região de Antióquia - Medellín) têm uma cultura de cidadania impressionante e são extremamente atenciosos e respeitosos com os turistas e, acima de tudo, com os próprios colombianos. No metrô, quando entrava uma grávida, idoso etc quem estava sentado levantava para oferecer o próprio assento. Algo raro de ser visto em São Paulo e demais grandes cidades do Brasil e até mesmo no mundo.

O fato não aconteceu apenas uma vez para dizer que foi algo isolado. Ao menos cinco vezes eu e minha esposa presenciamos pessoas se levantarem para ceder o lugar sem que o idoso ou a gestante precisasse esperar ao lado. Em cada estação os cidadãos que utilizavam os assentos ficavam atentos em quem entrava para simplesmente oferecer seu lugar.

Na capital paulista não é difícil ver pessoas que fingem dormir para não ceder o lugar, ficar ao telefone, ou até mesmo olhar para o lado, para o alto, para o chão somente para permanecerem sentadas ao longo do trajeto.

Antes de viajar para Medellín lí muito à respeito da cidade, pontos turísticos e violência. Descobri que os cidadãos, depois da morte de Escobar, resolveram virar a página e mudar o conceito da cidade. São orgulhosos por serem colombianos, antioqueños, e fazem o máximo possível para o visitante e os locais se sentirem bem. Talvez isso, ao longo dos anos, tenha inserido na sociedade a ideia de cultura cidadã e de preocupação com quem precisa de atenção especial.

Claro que não é 100% da população que pensa e age dessa forma, pois basta fazer uma pesquisa rápida no google para encontrar posts com reclamação. Isso vai ao encontro ao primeiro parágrafo do artigo, que as pessoas sempre evidenciam o ruim e não ressaltam o lado positivo.

No passado sempre apoiei os assentos preferenciais no transporte (e ainda apoio), mas acredito que com o tempo isso deve sumir. A sociedade, com educação e conscientização, deve fazer seu papel sem que exista uma lei e lugares com cores diferenciadas para lembrá-los da cidadania e respeito com quem está à sua volta.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Rede Globo boicota torcida, mas exibe passista pró-impeachment

Sócrates, ex-jogador, afirmou: se as torcidas organizadas tivessem noção da capacidade de mobilização com certeza paravam de brigar para poder protestar

Por Thiago Marcondes

Carnaval de São Paulo, dia 06/02/2016, a passista Ju Isen, da Peruche, tira a fantasia para mostrar o tapa-sexo com apoio ao impeachment de Dilma e a Rede Globo apresenta o caso em vários jornais, inclusive durante o desfile.

Quinta-feira, dia 11/02/2016, o Corinthians jogou contra o Capivariano pelo Paulistão e venceu por 2x1. Resultado normal se comparar a qualidade técnica das equipes e os investimentos realizados de cada lado. Nenhuma novidade nisso e a partida seria normal se não houvesse confronto entre torcida e polícia militar.

A torcida organizada Gaviões da Fiel levantou faixas contra a Rede Globo onde afirmava que o Corinthians não é o quintal da emissora. Frases contra a CBF também foram expostas e a polícia solicitou a retirada. A torcida ora obedecia e ora desobedecia a ordem que com certeza veio do alto escalão.

No setor Norte da Arena a polícia entrou em confronto com a torcida que, de forma geral, correu para evitar uma briga. No setor Sul, do outro lado do estádio, um casal conversava e falaram que aquela atitude remetia à ditadura. Três policiais os expulsaram do estádio e afirmaram que ambos estavam no evento esportivo com objetivos políticos. Eles perderam todo o segundo tempo do jogo.

Domingo, dia 14/02/2016, clássico contra o São Paulo e mais uma vez a torcida driblou a revista da polícia militar e apresentou faixas de protesto contra a Rede Globo, C.B.F. (Confederação Brasileira de Futebol), F.P.F. (Federação Paulista de Futebol) e contra o esquema de desvio de dinheiro da merenda, ocorrido na gestão do Geraldo Alckmin. Mais uma vez a emissora deixou passar em branco e não citou nada.

A torcida não utilizou o clube para protestar e fez tudo em seu próprio nome e no espaço cedido a ela. Os torcedores, quando protestam em seu espaço sem interferir no evento através de invasões ou com uso de sinalizadores, não prejudica o time. A passista tentou utilizar a avenida e o nome da agremiação para protestar em favor próprio. Com essa atitude colocou em risco o trabalho de um ano inteiro de muitos profissionais e da própria comunidade.

A polícia agiu rapidamente na retirada do casal, porém não fez direito o trabalho de revista dos torcedores, que entraram com faixas de protesto em dois jogos consecutivos.

A situação do casal não chegou à mídia e seria injustiça afirmar que não noticiaram. Porém os meios de comunicação, principalmente a Globo, foi negligente em relação ao trabalho de revista da polícia militar.

A emissora, ou melhor, as emissoras, devem noticiar os fatos ocorridos sem escolher o que e como vão apresentá-los. A Folha de São Paulo soltou a notícia e não fez menção ao governo do estado, porém, ao falar da passista, citou o impeachment. Não, e nunca houve, imparcialidade na mídia e isso provavelmente nunca vai ocorrer, mas a forma como os grandes empresários de comunicação no Brasil atuam hoje chega a ser lamentável.

Agir dessa forma mostra a opinião dos donos do poder e como tentam direcionar o pensamento das pessoas, seja na televisão, rádio, jornais ou revistas, de forma sutil, porém extremamente eficaz. Após os fatos citados os comentários nas ruas são que os torcedores são vagabundos e briguentos (muitos apenas querem a violência e isso deve ser admitido) enquanto a passista apenas desejava protestar sua indignação com a situação do país.

Protestar é direito do cidadão e a passista da Peruche poderia ter feito isso na arquibancada do Sambódromo, pois assim não comprometeria o desfile e o trabalho da escola. Podem afirmar que assim não teria tamanha visibilidade, mas ao pensar assim apenas afirma-se que os fins justificam os meios e nem sempre isso é uma verdade absoluta. Em relação a torcida o protesto foi válido, pois não havia xingamento em nome de pessoas e no domingo não houve violência.

Independente da posição política, praticamente toda pessoa é consumidora dos produtos dos meios de comunicação. Existe a necessidade de se atentar aos discursos para não consumir (ainda mais) notícias enlatadas e sem realizar o mínimo de reflexão com coerência.

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Futebol: a volta aos estádios

Mesmo com problemas estruturais o esporte ainda mobiliza milhões 

Por Thiago Marcondes

A Copa do Mundo de 2014 deveria ser o ponto alto no Brasil para uma modificação na estrutura do futebol através da inclusão social, novos estádios e torcidas de diferentes nações e culturas misturadas nas cidades-sedes. Não foi bem isso que aconteceu, mas muita gente voltou a se emocionar e a valorizar a ida aos jogos.

Houve um tempo que a qualidade técnica dos campeonatos no Brasil caiu e assistir uma partida da Série A era praticamente impossível. Não que nos últimos dois anos a situação melhorou muito, mas o último Campeonato Brasileiro teve o Corinthians (ainda que falem sobre o "apito amigo") campeão com futebol muito bonito.

Em meados de 2011, através do artigo "Futebol na T.V.: vou para com isso", afirmei que não assistiria mais futebol pela televisão por conta da qualidade dos times, do monopólio da Globo por não antecipar as partidas realizadas às 21h45m e pelo alto valor do ingresso em estádios sem estruturas decentes para os torcedores.

Em 2012 me rendi, por um pequeno momento, e fui ao Canindé assistir Corinthians x Portuguesa, partida terminada em 1 x 1. Naquele ano o o time foi, enfim, campeão da Libertadores e se preparava para jogar o mundial, mas nem isso me comoveu para ir em muitos jogos.Chegar ao estádio não foi muito fácil e a estrutura, como sempre, péssima.

Com o legado da Copa pensava em conhecer a Arena Itaquera, mas o programa "Fiel Torcedor" praticamente inviabilizava (e ainda inviabiliza!) a compra de ingressos para não-sócios. Um grande amigo, Daniel Acacio, me convidou e levei minha esposa para assistir o primeiro clássico do estádio contra o São Paulo Futebol Clube, em 2014.

Enquanto morava na zona leste precisava atravessar a cidade para ir ao Pacaembu e Morumbi ver o time. Quando mudei para a zona sul o estádio foi construído e isso poderia ser um empecilho para ir aos jogos, pois teria que atravessar São Paulo como fazia antes. Porém Itaquera tem acesso fácil via metrô, trem, terminal de ônibus e através de vias públicas, o que facilita a chegada e a saída dos torcedores sem problemas ou tumultos. Sendo assim, no meu caso, o carro sempre fica em uma estação de metrô.

O estádio tem cadeiras para os torcedores (exceto no setor norte, onde ficam as torcidas organizadas) e a parte interna não deixa nada a desejar. Banheiros limpos, comércios para comprar comida e bebida (cerveja sempre sem álcool), funcionários para orientar as pessoas e segurança para quem prestigia o evento. Essa último ponto tem extrema importância para a volta das famílias aos estádios.

Corinthians x Portuguesa pelo Paulistão 2015 - Foto: Thiago Marcondes

Gostei do que vi e em 2015 me tornei sócio do programa para a compra de ingressos. Creio que no último ano não fui em apenas sete jogos do clube no estádio e na maioria deles, inclusive em clássicos, minha esposa foi companhia e torcedora. Por conta disso  os amigos se sentem seguros e foram conosco em 2016, na vitória sofrida, no melhor estilo Corinthians, contra o XV de Piracicaba pelo primeiro jogo do Paulistão.

Todos se sentiram seguros e querem voltar e muito disso se deve por conta da estrutura e facilidade de chegada e saída do estádio. Confesso que me rendi novamente aos estádios e não sei quando vou parar (espero que não pare), mas ainda assim tenho críticas ao sistema. Os ingressos, assim como os produtos, poderiam ser mais baratos para o time contar com a casa cheia. Isso deve acontecer em todo o Brasil e não apenas com o Corinthians, pois quanto mais família nos jogos melhor fica o espetáculo.

A sociedade precisa melhorar muito em relação aos eventos relacionados ao futebol, pois torcedores ainda não admitem ninguém nas ruas com camisas de times rivais e a violência, longe dos estádios, ocorre sem uma punição para os agressores.

Seria o fim do monopólio nas transmissões?

O ano de 2016 começou com tudo na questão comercial sobre a transmissão dos jogos e o Esporte Interativo tem propostas boas para os clubes. Se tudo der certo em 2019 os jogos do Brasileirão serão transmitidos pela E.I. e pela SporTV na fechada. Chega de monopólio (ver artigo "Cada um por si e a Globo por todos"), pois quanto maior a concorrência melhor a qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Marchinhas praticamente desapareceram do carnaval

Cidade de Analândia tem festa bem eclética e música tradicional perde espaço

Por Thiago Marcondes

Todo ano muita gente se programa para viajar, festejar, ir aos bailes (fantasiados ou não) ou em festas nas ruas com a expectativa de curtirem músicas de carnaval como marchinhas e samba-enredo, porém nem sempre isso acontece.

Localizada a cerca de 230 km da cidade de São Paulo, Analândia é bem conhecida na região por conta do carnaval de rua com as matinês e shows noturnos gratuitos para os habitantes e turistas. Pessoas dos municípios de Pirassununga, Rio Claro, Itirapina e São Carlos saem de suas casas para curtir a festa na praça principal.

Além da banda contratada para animar o Carnaval em 2016 alguns moradores da cidade têm um grupo chamado Bambala que sempre desfila nas noites de sábado acompanhados pela bateria. Havia uma equipe com seguranças para não permitir a entrada de garrafas no local. Houve gente que em dez minutos precisou abrir o cooler três vezes por conta da vistoria. Onze câmeras monitoravam o local permanentemente.


A banda, muito eclética, no sábado à tarde e à noite tocou várias estilos musicais, menos as marchinhas de carnaval. Músicas típicas parecem esquecidas pelos músicos e também pelos foliões. Apenas as pessoas acima de 25 anos prestaram atenção nisso e houve uma pequena reclamação, inclusive no Facebook.

Da matinê de domingo em diante as marchinhas foram tocadas pela banda e os foliões puderam curtir por no máximo 30 minutos as músicas típicas. Samba-enredo apareceu menos ainda e quando surgiu sempre havia vínculo com o futebol, ou seja, para animar os torcedores de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.

Tocar músicas de vários estilos e ter dançarinos para agitar as pessoas e ensinar as coreografias (alguns dispensam essa parte, pois não querem aprender a dançar a tal da "Metralhadora") é interessante, mas manter um pouco da tradição carnavalesca deveria ser uma prerrogativa nos eventos. Os músicos, ou a própria organização, poderiam ter esse feeling e colocar mais marchinhas para os foliões.

A banda era legal, o som estava bom e o clima bem por mais que tivesse uma ou outra confusão. Que o carnaval de 2017 tenha mais marchinhas, mais tradição e menos funk, axé, sertanejo, reggae além de outros estilos musicais.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Caraguatatuba e a zona azul eletrônica

Sistema eletrônico para validação de tíquete de estacionamento facilita a vida dos motoristas

Por Thiago Marcondes

Ao viajar para outras localidades, principalmente cidades litorâneas, o turista muitas vezes se preocupa onde estacionar o carro, pois em várias cidades os famosos flanelinhas cobram mais caro quando a placa não é local.

Não somente os turistas, mas os próprios moradores das cidades também se preocupam onde deixam o carro. Geralmente estacionamentos são caros e encontrar vagas nas ruas não é algo relativamente fácil. Grande parte dos municípios cobram dos motoristas para estacionarem os carros nas ruas. Esse serviço é conhecido como Zona Azul e o pagamento deve ser feito por hora.

Na cidade de São Paulo compra-se tíquetes e informa-se a quantidade de horas que o veículo permanecerá no local. Bancas de jornais, bares e até mesmo os "cuidadores de carros" vendem o bilhete que deve ser deixado no painel do carro, pois se os agentes da C.E.T. (Companhia de Engenharia de Tráfego) não localizarem o papel com certeza vão aplicar a multa.

Na cidade de Caraguatatuba os problemas de estacionamento são os mesmos e também existe a Zona Azul, porém a prefeitura utilizou a tecnologia para facilitar o acesso dos motoristas. Inúmeras ruas do município, principalmente na região central, cobram para estacionar os carros e os condutores não precisam deixar papel algum visível no painel.


Estabelecimentos na cidade vendem o tíquete eletrônico que custa R$ 2,40 por hora. O motorista digita os dados do carro em uma máquina parecida com a de cartão de crédito e informa a quantidade de horas que ficará no local, sendo no máximo duas horas e a renovação ocorre por mais 30 minutos. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou cartão no local da compra ou de tablet ou smartphone.

Para utilizar tablet e smartphone os motoristas devem realizar o cadastro no site Zona Azul de Caraguatatuba/SP. Há possibilidade de obter créditos de estacionamento, pois assim não há necessidade de buscar um local para compra ao estacionar o veículo. Os cadastros também são realizados via telefone que são: (12) 3881-3375 e (12) 3881-3358.

Monitores espalhados pela cidade com um equipamento eletrônico onde digitam a placa do veículo para verificar se há cobertura pela Zona Azul. Caso o tíquete estiver vencido ou inapropriado há uma aviso e o carro pode permanecer no local por 15 minutos até o condutor regularizar a situação ou ir embora. Após esse período a multa é aplicada de acordo com as leis de trânsito.

A ideia de utilizar a tecnologia para controle dos espaços e cobranças de estacionamentos facilita a vida dos motoristas e incentiva o comércio local com as máquinas e opções de venda de tíquetes. Com o sistema todo online verifica-se a regularização do carro e a necessidade do papel torna-se obsoleta.

Em São Paulo a C.E.T. poderia estudar a possibilidade de usar a tecnologia em favor do trânsito, pois assim os agentes que cuidam do tráfego teriam mais agilidade para identificar irregularidades e tomar as medidas necessárias sem uso de papel.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Atrasos e falta de informação marcaram o Bloco Soviético em 2016

Muitos foliões desistiram de participar por conta dos problemas apresentados na concentração

Por Thiago Marcondes

A cidade de São Paulo não era, pelo menos até cerca de 3 ou 4 anos atrás, o local ideal para participar de blocos de carnaval. Os finais de semana que antecedem os desfiles são chamados de pré-carnaval e a capital paulista não tinha muito movimento carnavalesco para as pessoas.

Inúmeros paulistanos gostam do carnaval, assim como a grande parte dos brasileiros, e se renderam aos blocos que saíram de várias partes de cidade. No centro de São Paulo haviam várias opções e a provavelmente a mais inusitada era o "Bloco Soviético 2016", que estava em sua terceira edição.

O encontro, marcado através de um evento no facebook, informava que a concentração começaria às 15h no Tubaína Bar, dia 30/01/2016 na rua Haddock Lobo, e sairia por volta das 16h para ir até o bairro da Santa Cecília.

Às 14h30m algumas pessoas estavam no local e uma caixa de som animava a turma com músicas diversas e marchinhas de carnaval. Blocos de carnaval geralmente se atrasam e às 16h a organização informou o atraso do carro de som e a saída ocorreria após uma hora.

Desse momento em diante a quantidade de pessoas aumentou significativamente e a caixa de som não deu conta de animar a festa, pois o quarteirão estava tomado de foliões. A bateria, que poderia (e deveria!) animar a concentração, não estava no local e não havia como festejar e dançar sem músicas.

O tempo passou e era possível observar foliões que decidiram ir embora por conta do atraso, mas a maioria permaneceu firme e forte no local. A bateria começou a animar a festa por volta de 17h45m e quem ficou pensou que em pouco tempo o carro de som chegaria e o carnaval soviético começaria, com as marchinhas próprias e tudo mais. Ledo engano!

Eram 18h20m e nada de chegar o carro de som. Tampouco a organização informava as pessoas qual o cronograma e os foliões ficaram às cegas. Nesse momento eu e meu grupo decidimos descer a Rua Augusta para aproveitar o bloco "Me fode que sou produção".

A ideia do bloco é bem original e por ser apenas o terceiro ano talvez os organizadores não estejam preparados para a folia. O grande problema foi o descaso sentido por muitas pessoas que realmente gostariam de acompanhar algo completamente diferente do carnaval tradicional e a falta de informação e o atraso impediram a festa.

Quem foi postou relatos no facebook e a festa com certeza foi ótima. Provavelmente em 2017 o bloco sairá novamente, mas muitos que foram este ano (e não participaram) podem não comparecer por conta da bagunça vista.

Thiago Marcondes não é comunista e nem socialista, apesar de muitos acreditarem fielmente nisso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Cayo Largo, um paraíso no Caribe

A ilha é pequena e repleta de belezas naturais

Por Thiago Marcondes

Cayo Largo Del Sur fica em Cuba e é conhecida somente como Cayo Largo. Há hotéis do tipo resort que recebem turistas do mundo todo. Cercada pelo pelo mar do Caribe a ilha tem uma estrutura estupenda para as pessoas desfrutarem das mais bonitas e encantadoras paisagens. Chegar até o local não é simples e os viajantes não devem ter medo de aeroportos e aviões pequenos.

Os vôos são domésticos e somente as companhias cubanas fazem os trajetos partindo de Havana e Varadero, cidade litorânea. A ilha está a cerca de 30 ou 40 minutos de avião dessas cidades e os vôos da capital saem do aeroporto Playa Baracoa, muito pequeno e parecido com uma casa. Existem vôos do Canadá direto para a ilha e o fluxo de turistas desse país é extremamente intenso.

Avião de transporte de passageiros da Aerocaribbean - Foto: Thiago Marcondes

As balanças para pesar as malas de viagem não são automáticas e praticamente todo o processo de check in dos passageiros é realizado com papel e caneta. Existem computadores, porém são utilizados apenas para confirmação de vôos e emissão de passagens.

Existem duas companhias aéreas cubanas que voam de Havana e Varadero para a ilha e são Aerogaviota e Aerocaribben. As aeronaves são russas e têm capacidade para no máximo 45 pessoas contando a tripulação. O serviço de bordo é bem simples e em alguns casos servem somente um café em copo pequeno, de plástico, e uma bala.

As pessoas com medo de voar pode ficar nervosas ao olharem os aviões na pista do aeroporto, mas não há muito o que fazer. Depois de compradas as passagens não têm motivos para desistir. As companhias, em geral, reformam as aeronaves para receber turistas e colocam janelas em praticamente todos os assentos. Porém nem todas estão reformadas e alguma aparentam ser aviões de carga.

Avião de trasporte de passageiros da Aerogaviota - Foto: Thiago Marcondes

O serviço de bordo também faz parte da aventura e os comissários tratam os passageiros de um modo informal. Essa foi a sensação ao voar pela Aerogaviota, pois um integrante da tripulação utilizou o chapéu de um passageiro enquanto servia balas para simular que pedia uma gorjeta. É divertido, mas nada convencional.

Vôo de Havana para Cayo Largo com a Aerogaviota - Foto: Thiago Marcondes

Ao chegar no aeroporto da ilha, que é internacional e recebe vôos do Canadá, tem show de músicas típicas para receber os turistas. O traslado pode ser feito em vans, pequenos ônibus ou, na mais inusitada das situações, um veículo que em outras cidades seria usado para fazer citytour, pois não tem teto.

Traslado do aeroporto de Cayo Largo para o hotel - Foto: Thiago Marcondes

Em Cayo Largo os resorts são no regime all incluse. Ou seja, café da manhã, almoço, jantar, bebidas e aperitivos (podem ser lanches, pizzas etc) durante todo o dia e parte da noite. As praias são esplêndidas com água azul e às vezes verde.

Os resorts oferecem muitas atividades para os hóspedes como futebol, vôlei, música e dança e outras atividades físicas. Muitas pessoas do Canadá, França e Itália se hospedam no hotéis e ficam por mais de uma semana por conta da tranquilidade do local. Para os turistas que desejam conhecer outras partes existem passeios de mergulho e podem, também, alugar motos para passear pela ilha, que não é grande.

Cayo Largo é magnífica e estupenda, porém não é Cuba de verdade. Não há moradores na ilha e todos os cubanos estão ali para trabalhar. Eles trabalham vinte dias por mês e voltam para suas casa nos outros dez. O local recebe turistas somente seis meses por anos e a temporada geralmente começa em novembro e termina em abril. Os salários variam entre US$ 30 e US$ 35 por mês e as gorjetas deixadas pelos hóspedes são divididas entre os funcionários para aumentar a renda.


Cayo Largo - Foto: Thiago Marcondes

Conhecer um paraíso caribenho como Cayo Largo é realmente maravilhoso e algo único, mas todos devem ter ciência que as diferenças entre a ilha e as cidades cubanas são imensas por conta das luxuosidades, mordomias e abundância dos itens e serviços disponibilizados aos turistas.

O lugar é realmente para aproveitar, descansar e esquecer da vida, mas se há desejo de conhecer um pouco da cultura e tradição dos cubanos para saber como vivem o ideal é passar um tempo em Havana, andar de ônibus, caminhar pelas praças e conversar com as pessoas.

Leia o artigo "Havana: uma cidade encantadora" para saber um pouco sobre a capital.