quarta-feira, 10 de maio de 2017

Cacau equatoriano utilizado nos chocolates mais finos

O produto está em praticamente todo o mundo

Por Thiago Marcondes

A cidade de Quito, no mês de maio, tem seus imprevistos e a chuva pode começar a cair de uma hora para outra. Em cerca de 90 minutos sai de um sol forte, para vento e frio, chuva e sol com céu azul novamente. Por esses motivos sempre é bom ter uma lista de museus porque se estiver no centro pode ficar em algum deles e aproveitar a história e cultura locais.

Durante a chuva em nosso trajeto estava o Museo Camilo Egas, um pintor equatoriano que por muito tempo retratou em seus quadros a vida da população indígena e na década de 20 chegou a ser chamado de comunista por conta de suas ideias para melhorar o governo e a sociedade. Não entendo de arte e não vou prolongar o assunto, mas para quem gosta de história vale à pena conhecer o museu. A entrada é grátis.

Cacau equatoriano
Armazenagem do cacau antes de começar a ser produzido o chocolate

O Equador é conhecido por produzir e exportar bananas para todo o mundo e, de acordo com os equatorianos, o segundo produto mais exportado é o cacau fino. Ou seja, de todo chocolate fino do mundo mais de 60% tem tem sua produção realizada com o produto local. Os chocolates nacionais, conforme disseram, são feitos com cacau de segunda ou terceira linha, assim como no Brasil.

A empresa República del Cacao tem lojas espalhadas pelo país e, também, em outros países da América do Sul como Colômbia e Perú. Na cidade de Quito há possibilidade de consumir produtos na loja e também realizar uma visita guiada com informações sobre a produção do cacau, a produção do chocolate equatoriano e degustação de três diferentes tipos de chocolates. Custo US$ 5.00 por pessoa.

Produção de chocolate - Equador, Quito
Produção do chocolate 

O guia informou que o sabor do chocolate tem alteração por conta da plantação da cacau e de suas regiões. Em lugares de altitude não há outros tipos de plantas ou árvores em volta do cacau e o sabor fica mais amargo. Nas regiões com plantações de frutas ao redor do cacau e o chocolate tem um sabor mais adocicado e isso impacta no resultado final.

O chocolate negro é feito com cacau enquanto utiliza-se a manteiga de cacau para fazer o branco.

O chefe da loja fez um alfajor com chocolate fino e doce de leite e, para quem não come tanto doce como eu, foi algo divino para provar. Nunca comi algo tão saboroso em minha vida e, acreditem, estive na Argentina onde esses doces são tradicionais e conhecidos como os melhores do mundo. Provei o chocolate quente com o produto local (não estava incluso na visita) e também foi o melhor que bebi até hoje.

Chocolate quenteAlfajor equatoriano


Na degustação foi possível provar chocolates com 85% e 75% de cacau e saber um pouco sobre a qualidade do produtos. Ao quebrar a barra e olhar dentro se não houver tantos bolhas significa que foi processado de melhor maneira possível e tem alta qualidade. O passeio tem um estilo mais turístico do que algo local, porém vale a pena tirar cerca de duas horas do dia para conhecer um pouco da história do cacau e sua importância na economia equatoriana. 

Artigos relacionados:

sábado, 6 de maio de 2017

Quito por la noche

Encantadora durante o dia e maravilhosa a noite

Por Thiago Marcondes

Quito é a segunda capital mais alta do mundo e está atrás apenas de La Paz, na Bolívia. Charmosa, a cidade tem inúmeras atrações turísticas no centro e também em regiões próximas e, em muitos momentos, tem uma mescla com Bogotá por conta da arquitetura e também preserva a cultura indígena, com muitas cholitas pelas ruas.

Ficarei por 20 dias na cidade porque, junto com minha esposa, faço um intercâmbio de idioma e a escola, Instituto Superior Español, oferece passeios durante o dia e à noite, como um tour pela cidade com paradas em diversos bairros e pontos turísticos pela cidade. O mesmo passeio também é realizado por outras agências com um custo de US$ 10.

Basílica del Voto Nacional - Quito
Basílica del Voto Nacional

O tour começa pela Igreja da Basília com um estilo gótico e com cerca de 125 anos de existência. De acordo com o guia a igreja é a maior da América Latina e a segunda está em São Paulo, mas na internet encontrei informações sobre outra instituição na Argentina que é maior. Linda e imponente, tem extrema importância na história da cidade por conta da religiosidade do povo.

Em seguida a visita foi no bairro San Juan, bem próximo à basílica, para mostrar a segurança de Quito e que as pessoas vão aos parques praticar esportes tranquilamente durante a noite. Como qualquer cidade sul-americana existem áreas seguras e outras violentas e, de acordo com a maioria dos equatorianos, o ideal é não andar sozinho e tampouco em ruas pouco movimentadas. Nos parques existem equipamentos de ginásticas, quadras de futebol e outros esportes.


Quito

O centro da cidade está a aproximadamente 2.700 metros acima do mar e o passeio sempre é feito de carro, mas nas paradas os turistas caminham e precisam tomar cuidado com a altitude. Neste local a vista da cidade é linda e existe um restaurante onde há possibilidade de jantar e ver toda a cidade.

Quito - Toctiuco

No bairro de Toctiuco, que o guia chama de "Barrio Popular", mas na verdade está uma das periferias de Quito, os turistas podem provar a "Tripa Mishqui", comida típica equatoriana que nada mais é que intestino de vaca. A parada foi em uma rua onde uma senhora, com um carrinho de churrasco, preparava a carne. Quem me conhece diz que sou fresco para comer e, geralmente, não provaria algo assim. Comi, gostei, mas não seria algo para meu dia-a-dia.


Quito - Toctiuco

A penúltima parte do tour, realizada no centro da cidade, tem parada na Plaza Grande e na chamada "Calle de las siete cruces" com igrejas, casas, conventos e edifícios centenários, além do palácio do governo. Existe muita história nessa região e no passado dois presidentes equatorianos foram mortos por conta de insatisfações populares. Para quem gosta de história visitar o lugar se torna obrigatório.


Plaza Grande - Quito

Plaza Grande - Quito

Por último, e extremamente importante para os equatorianos, visita-se o El Panecillo que está 3.000 metros acima do mar. A escultura da Virgem de Quito protege os equatorianos e tem uma história bem peculiar. Ela está de frente para o lado norte da cidade e de costas para o sul, onde ficam os bairros mais pobres. De acordo com a lenda ela abençoa o norte por estar de frente e o sul, menos desenvolvido, sofre porque ela deu as costas ao povo.


El Panecillo

Nessa parada prova-se o canelazo, bebida típica feita água, lulo (fruta da região) e canela. Pode ser adicionado licor ou beber sem álcool. Tem, também, o pristiño, um tipo de pão feito com farinha de trigo e mel.


El Panecillo


El Panecillo

Estive no El Panecillo de o dia e de noite, o que me agradou mais porque a vista da cidade fica muito mais bonita. Além de subir na escultura, apreciar a vista não há nada mais para fazer no local. Existem algumas tendas com comidas e bebidas locais e artesanatos, porém todos os produtos são facilmente encontrados no centro de Quito.

Há possibilidade de chegar ao local de transporte público, como fiz durante o dia, mas recomendo o passeio noturno por conta do charme de uma cidade que está entre montanhas e vales, e sem muitos edifícios altos para poluir a visão.

Artigos relacionados:

terça-feira, 2 de maio de 2017

A civilizada torcida equatoriana

Nunca imaginei ver, na América do Sul, torcidas rivais chegarem juntos ao estádio

Por Thiago Marcondes

Sempre que viajo tento, de alguma maneira, ir ao estádio assistir uma partida de futebol do time local. Na Argentina e Chile não consegui porque no primeiro país não houve jogo enquanto estive em Mendoza e, no segundo, o campeonato havia acabado. No Maranhão, cidade de São Luis, teve o encontro entre Sampaio Correia e Londrina, mas por conta do pouco tempo que fiquei na capital optei por conhecer os pontos turísticos.

Cheguei em Quito no sábado e domingo, 30/04, haveria o clássico da cidade entre El Nacional e Liga Deportiva Universitaria (L.D.U.), no Estádio Olímpico Atahualpa. Eu sabia o horário e me informei sobre como chegar ao local, via transporte público, pois queria sentir um pouco da cidade, do povo e o clima da torcida.

O El Nacional foi o mandante e eu não sabia como funcionavam as separações de torcida no Equador e tampouco se o visitante tem uma quantidade mínima de ingressos, ou até mesmo se poderia ter torcedores de ambos os times no estádio. Em São Paulo quando há clássicos os jogos têm torcida única por conta de segurança e violência.


Estádio Olímpico Atahualpa - Batán Alto
Estádio Olímpico Atahualpa, Quito

Peguei o ônibus, junto com minha esposa, na certeza que torcedores do El Nacional estariam à caminho do estádio, mas para minha surpresa ocorreu o contrário. Apenas torcida da L.D.U. no transporte e muitas mulheres, crianças e famílias. O que era preocupação com possível violência passou a ser uma situação confortável, pois se no clássico da cidade as famílias vão ao estádio com as camisas dos times é porque praticamente não há brigas.

O ônibus chegou ao destino e, para mais uma surpresa, o ponto era bem na torcida do El Nacional. No momento não entendi muito bem, pois no Brasil a guerra estaria armada e o confronto seria inevitável. Para meu deleite os torcedores da L.D.U. caminhavam tranquilamente entres os rivais e vice-versa, sem qualquer tipo de agressão física ou verbal. Havia, sim, policiais para separar as entradas do estádio, pois cada torcida tem seu lado. Mas ao redor do estádio caminhava-se livremente sem ser importunado.

Existem ingressos para arquibancada (general), numerada descoberta (tribuna) e coberta (palco). Comprei os ingressos para a tribuna e fui até um shopping próximo procurar camisas de times (sou colecionador e tenho mais de 70) e no caminho encontrei casais onde cada um estava com a camisa de um dos times, famílias mescladas e ambas as torcidas caminhavam, tranquilamente, juntas na mesma avenida sentido ao estádio. Fiquei maravilhado com isso! Sou frequentador de estádios e essa situação, que deveria ser normal, foi surreal para mim.


Estádio Olímpico Atahualpa
Torcida de ambos os times dividem a mesma arquibancada

Entrei no estádio pelo lado da torcida da L.D.U. e perguntei para uma funcionária se os números dos assentos deveriam ser reservados e me disse que não. Inclusive, se eu preferisse, poderia ir para o lado dos torcedores do El Nacional. Como assim trocar de torcida? Por onde? E as brigas e xingamentos?

Na tribuna e palco não há divisão de grades ou policiais entre as torcidas e não importa por qual portão o torcedor entre, pois dentro do estádio é possível escolher qual lado ficar. Na arquibancada tem divisão e não há como mudar. Inclusive para a organizada da L.D.U. tem uma parte específica do estádio.

Os torcedores, logicamente, se posicionam mais próximos das arquibancadas onde tem mais apoiadores do seu time, mas nada impede de um torcedor da L.D.U. fique próximo da general onde está a turam do El Nacional e vice-versa. Enxerguei nessa situação um grande respeito dos equatorianos com eles mesmos, pois entendem que futebol, apesar de ser uma paixão, é também diversão e não há motivos para brigas.

Estádio Olímpico Atahualpa

No primeiro tempo fiquei ao lado da maioria de torcedores da L.D.U. e no segundo fui para a parte do El Nacional. Ambas as torcidas são apaixonadas por seus times e a partida terminou empatada em 1x1, mas para mim a grande vitória foi poder ver famílias, amigos e casais, que torcem cada um para um time, irem ao estádio com paz e tranquilidade em um domingo de manhã.

Violência existe? Sim, tanto que a torcida organizada fica no estádio após o término da partida. Confrontos também ocorrem, mas longe do estádio e nunca com agressão à famílias, crianças e mulheres. Ainda precisam melhorar essa questão? É claro, mas diante disso tudo constatei que os equatorianos estão extremamente à frente de nós, brasileiros, no quesito de respeitar a opção do próximo quando o assunto é futebol.

Artigos relacionados:

Cacau equatoriano utilizado nos chocolates mais finos Quito por la noche
Quito: primeira impressão

domingo, 30 de abril de 2017

Quito: primeira impressão

O Equador é um dos países mais visitados da América do Sul, porém pouco desfrutado pelos brasileiros

Por Thiago Marcondes

A decisão de vir ao Equador aconteceu por conta da vontade de aperfeiçoar o idioma em um intercâmbio de vinte dias e, também, pelo custo x benefício de viajar pelo país. Houve a ideia de ir para a Espanha porque depois de finalizar o curso seria mais fácil visitar outros países por conta da distância, mas a vontade de conhecer a América do Sul foi mais forte.

Cheguei em Quito, junto com minha esposa, tem pouco mais de 24h e nesse tempo foi possível ter uma impressão da cidade, do povo e das coisas por aqui. O aeroporto fica longe do centro da cidade e no trajeto foi possível constatar que ainda existem estradas com péssimo asfalto e curvas sinuosas, com subidas e descidas, para chegar ao destino final. Em contra partida a cidade está em evolução e vi obras para melhoras as avenidas e tem a construção do metrô.

Como toda grande cidade da América do Sul existem lugares modernos e ricos, antigos e mais pobres e as periferias. No caminho do aeroporto ao centro acredito ter visto um pouco de tudo e para o viajante que vem pela primeira vez pode se desanimar um pouco, caso as expectativas sejam altas. Porém, ao chegar ao centro da cidade, no meu caso tudo mudou.


Centro Histórico de Quito
Calle Chile

Aluguei uma casa bem no centro de Quito, pois a escola fica a cinco minutos a pé e, também, li que a região foi revitalizada e existem muitos mochileiros por aqui. Não chega a ser algo extremamente turístico, mas existem hostels e os restaurantes próximos têm preços justos e comida barata.

Depois de mais de nove horas de avião, com conexão no Panamá, precisava almoçar e o restaurante La Exquisita foi indicado pelo dono da casa. Solicitei o almoço que contém sopa de entrada, prato principal (arroz, frango, salada, batata e abacate), suco de tomate de árbol (fruta típica na Colômbia e Equador) e sobremesa. Tudo isso por apenas US$ 3. A comida é ótima e o restaurante agradável. Muitos podem pensar que deve ser algo conhecido como "sujinho" por conta do preço, mas se minha esposa comeu numa boa a maioria também come.

A primeira volta pelo centro da cidade trouxe algo extremamente inusitado: nos semáforos são vendidos sorvetes de massa. As meninas vão até a sorveteria e voltam para as ruas com três ou quatro casquinhas nas mãos para vender. O melhor disso: como não está uma época de calor o sorvete não derrete.

Na rua dos hostels existem vários restaurantes e bares e um dos mais visitados é o Café San Blas, com massas e pizzas, e os preços variam entre US$ 4 e US$ 7. Apenas a pizza grande tem o valor de US$ 15 e o refrigerante ou cerveja por menos de US$ 2.


Café San Blas
Café San Blas

Lugares para tomar café da manhã não faltam e têm desde o mais simples até aqueles preparados para os turistas. Dessa vez escolhi a última opção e na Plaza Grande, ainda no centro, comi um pão com queijo branco, ovos mexidos, uma xícara de café (que pode ser com leite) e um copo de suco. Valor US$ 3.50. Com esse dinheiro é possível fazer uma refeição ou outro restaurante, mas valeu à pena pelo lugar e, como disse, é algo onde os turistas vão.


Plaza Grande
Plaza Grande

Ainda não posso definir a receptividade dos equatorianos com turistas, mas afirmo que não são totalmente secos ou arredios. Nos ônibus, nas ruas, mercado e no estádio de futebol sempre que necessitei de informações as obtive, mas foram simples e objetivos. Nesse aspecto sinto que os colombianos são mais calorosos, mas ainda tenho mais 29 dias para saber mais sobre o povo.

A temperatura em Quito varia muito ao longo do dia. Entre 11h30 e 12h30 teve um sol forte e um grande calor, seguido de uma pequena garoa, frio e vento. O melhor mesmo é estar preparado para qualquer tipo de situação.

Artigos relacionados:

A civilizada torcida equatoriana
Cacau equatoriano utilizado nos chocolates mais finos
Quito por la noche