quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Casos do metrô

"Não fique na região das portas" é o mesmo que dizer "Fique na região das portas"
 
Por Thiago Marcondes
 
Utilizar o metrô em São Paulo nos horários de pico seria cômico, caso não fosse trágico. Melhor: pode-se comprar aos teatros grego e romano. Platão misturou os dois gêneros no primeiro capítulo da "Poética", mas acredita-se que Plauto foi o primeiro a utilizar a tragédia e a comédia na mesma peça.
 
Vagão lotado e muita gente se aperta para conseguir um lugar e seguir viagem. São cerca de 11 pessoas por metro quadrado. Ou seja, o metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo.
 
Em algumas estações a situação alivia, os passageiros ficam menos apertados e agora começa a falta de bom senso dos usuários. As pessoas, ávidas para não perder a estação destino, se acumulam na região das portas enquanto os corredores ficam livres.
 
Se isso acontecesse com "marinheiros" de primeira viagem tudo bem. Seria aceitável. Mas não!!! Os passageiros do dia-a-dia sempre mantém a rotina e se estabelecem nas portas. Isso implica na qualidade do serviço, pois o acúmulo de pessoas próximas à entrada/saída dos vagões, em muitos casos, não permite a entrada de mais usuários.
 
Um passo para o lado ou ficar no corredor não faz o viajante perder sua estação, mas parece que os usuários do metrô, em sua maioria, se acostumaram com o espaço apertado e ao ficarem na porta criam situação similar de quando há grande lotação nos vagões.
 
O mais tragicômico em tudo isso é ver as pessoas, paradas na porta, reclamarem por serem empurradas por quem entra e quer utilizar o corredor do vagão.
 
Thiago Marcondes é pós-graduando em Gestão de Projetos e usuário do metrô

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Jazz boliviano. Vai encarar?

Estilo musical com instrumentos andinos surpreende pela boa qualidade
 
Por Thiago Marcondes
 
O jazz nasceu por volta do século XX nos Estados Unidos, próximo à região e Nova Orleans, com suas raízes provenientes da música negra americana de pouco antes de 1850.
 
Em uma época onde o preconceito racial era muito forte, o estilo musical serviu para unir e fortalecer as raízes dos negros de forma que ao tocar a música em locais públicos afirmavam suas origens africanas.
 
No início da década de 20 a venda de bebida alcoólica era proibida nos Estados Unidos, situação que não acabou com seu consumo, pois ela era vendida ilegalmente em locais onde bandas de jazz se apresentavam. Isso o gênero musical ser considerado imoral pela sociedade.
 
Atualmente as pessoas que gostam do estilo musical são consideradas "cults" ou da elite, rótulo criado pela sociedade já que o jazz não é (e não foi) difundido nos meios de comunicação de massa. Assim, grande parte da população com acesso somente aos canais abertos (BBB, jornal nacional e novelas) não conhecem a música como algo para o povo, digamos assim. Mas através da música estereótipos podem ser rompidos.
 
Alguém imaginava que existe o "JAZZ BOLIVIANO"? O estilo musical iniciado nos Estados Unidos é tocado na Bolívia com instrumentos tradicionais como saxofone, piano, trompete e trombone misturados com flauta-de-pã e o charango, equipamento parecido (não no som) com o cavaquinho.
 
Takamasa Segi, de origem japonesa, toca jazz com os instrumentos andinos e se apresentou em festivais na Bolívia. Para quem não conhece o trabalho do estilo musical vale conferir no site do youtube alguns vídeos e aproveitar a beleza da música estadunidense, misturada à cultura andina.
 
Callawaya, um grupo de jazz boliviano, faz grande sucesso na região e sua música contagia aqueles que curtem jazz. E, para quem não gosta ou nunca ouviu, vale à pena conferir esse belo trabalho.
 
Thiago Marcondes é pós-graduando em Gestão de Projetos e admirador da cultura andina

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O mito do metrô

Nos dias atuais Platão dedicaria um capitulo do livro "A República" ao transporte em São Paulo
 
Por Thiago Marcondes
 
Nos últimos meses tenho utilizado o transporte público com frequência, principalmente o metrô da cidade de São Paulo. Para ser mais específico, as linhas vermelha e amarela são as que mais tenho acesso e consigo ver a dimensão do problema. Seja de estrutura ou de educação das pessoas.
 
A linha vermelha me faz lembrar o Mito da Caverna, escrito pelo filósofo grego Platão, há praticamente 2.500 e disponível no livro "A República". As pessoas que utilizam o metrô no horário de pico, tanto de manhã quanto no final da tarde, parecem não conhecer outra realidade além daquela. Ou seja, muita gente e pouco espaço, empurra-empurra para entrar na composição sem se preocupar com o próximo, caras feias, xingamentos, discussões e total falta de educação uns com os outros.

No mito grego pessoas vivem na caverna, presas por correntes, desde o nascimento e somente conhecem a realidade através de sombras projetadas na parede. Quando um deles tem a oportunidade de explorar a caverna e o mundo lá fora compreende que não existe somente o que conheceu ao longo da vida.

O prisioneiro explorador, digamos assim, volta para falar aos demais sobre o mundo fora da caverna e sequer é reconhecido, pois sua fala, sua imagem e seu jeito são similares às sombras vistas pelos prisioneiros. Eles não percebem outra realidade além daquela, assim como muitos usuários do metrô não enxergam que há como utilizar o serviço sem a brutalidade de cada dia.

Na linha amarela a situação é diferente e os usuários se respeitam mais. Esperam as pessoas saírem e só depois entram no vagão, pedem licença e não empurram (tanto e com frequência) os demais. Claro que isso teve um grande trabalho e esforço do governo para educar o povo, pois nas estações existem informações para não ficar em frente à porta enquanto os pessoas saem do metrô. Mérito aos poderosos nesse quesito!

Ao contar aos demais usuários com funciona a linha amarela eles não acreditam, olham para você de forma diferente e pensam que vive em outra realidade. Sempre agi da mesma forma em qualquer no metrô, pois a educação e cordialidade com os demais ajuda na convivência. Aliás, vale à pena pensar que não é legal ser esmagado antes das 07h da manhã e chegar no trabalho todo amassado.

Claro que como eu muitas pessoas utilizam as linhas vermelha e amarela e sabem exatamente como agir em cada uma delas. O Mito da Caverna tem a intenção de mostrar que muitas vezes as pessoas enxergam a vida de acordo com suas crenças valores, cultura e não dão espaço para novos conhecimentos, novas atitudes, novas ações!

No caso do metrô o povo torna-se perfeitamente adaptável após utilizaram as diferentes linhas e, enquanto na linha amarela parecem "lords", na vermelha correm como os japoneses em estações de metrô de Tóquio.

Ao povo, desejo um pouco mais de educação e consciência. Aos governantes e responsáveis pelo transporte público: se conseguiram educar os usuários na linha amarela também podem fazer na linha vermelha. Basta ter vontade!!!

Thiago Marcondes é pós-graduando em Gestão de Projetos e usuário do metrô