quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Presa no Irã, jornalista foi torturada para confessar crime

Em debate promovido pela Folha de São Paulo no dia 22/11/2010, jornalista iraniano-americana fala um pouco sobre sua experiência no país persa

Filha de mãe japonesa e pai iraniano, Roxana Saberi de 33 anos, nasceu e foi criado nos Estados Unidos. Quando cresceu se interessou pela cultura e o idioma dá nação e, então, após terminar a faculdade decidiu saber que oportunidades teria no Irã.

Roxana trabalhou como correspondente para mídias ocidentais e percorreu inúmeras cidades do país. Descobriu que no país islâmico existe sinagoga e igrejas cristãs, porém as pessoas dessas religiões sentem-se como cidadãos de 2ª classe.

Após a posse do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, a situação ficou complicada para jornalistas e ela teve sua licença cassada. Desta forma não poderia trabalhar, mas mesmo assim permaneceu no país para escrever um livro.

Seu pensamento era de que o mundo deveria saber mais sobre Irã, além das notícias dos jornais. Assim conseguia fazer algumas entrevistas com os cidadãos, porém eles não divulgava nomes porque eles tinham (e ainda têm) medo de represálias.

Prisão e acusação de espionagem para os Estados Unidos

Em 2009 Roxana agentes do governo foram ao seu apartamento para prendê-la sob a acusação de que espionava para o governo americano. Ela ainda tentou conversar e disse que as entrevistas eram para seu livro. Mas não adiantou de nada e a jornalista foi levada pelos homens.

Na cadeia sofreu pressão psicológica e tortura branca. Os oficiais diziam que só teria direito a um advogado e que seria solta se confessasse ser espiã contra o regime do país. A prisão onde estava era destinada à presos políticos.

As paredes da sala de interrogatório eram estofadas para os interrogadores pudessem batar a cabeça dos presos contra a parede. Dessa forma sentiriam "somente" dor, mas não teriam danos irreversíveis.

Para conseguir sair ela cedeu a pressão e confessou as acusações por medo do que poderia acontecer. Já na prisão, em contato com outras mulheres (presas políticas), relatou que não devia ter cedido a pressão dos agentes e que se arrepende disso.

Conseguiu ser solta porque sua caso repercutiu no mundo todo e com ajuda de outros países o governo iraniano a soltou. Porém, ela disse que existem muitos presos políticos, inclusive mulheres, que lutam por democracia e não têm quem os defenda.

A mídia iraniana é totalmente controlada e, segundo Roxana, os melhoras jornalistas e blogueiros do país saíram do Irã em busca de liberda e, também, para demonstrar ao mundo a forma como o regime comanda o país.

O livro "Entre dois mundos", da editora Larousse, conta toda a trajetória da jornalista no país persa. Desde seu trabalho até os últimos dias na prisão.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sabe Thiago?
Às vezes eu penso se o povo iraniano não sente saudades do tempo do Xá Reza Pahlavi e da bela princesa Soraia.
No confronto com os aytolás caiu e foi exilado.
Será que o Irã ainda produz tapetes persas? Ou a única arte que pratica é a tortura?

Abraços
Ivan