terça-feira, 31 de maio de 2011

O mundo sujo da política

Escândalos, negociações e falta de informações claras movem o cenário político brasileiro

Por Thiago Marcondes

O povo brasileiro, ou grande parte dele, votou nas últimas eleições convictos de que seus os candidatos governariam de acordo com aquilo que a sociedade necessita, mas como quase sempre isso não ocorreu nos últimos dias.

O escândalo envolvendo Antônio Palocci, ministro chefe da Casa Cívil, onde foi acusado de ter aumentado sua riqueza em aproximadamente 20 vezes nos últimos 04 anos, quando ainda era deputado federal, mostrou como os políticos têm atitudes que somente lhes interessam.

A oposição pede veementemente uma C.P.I. (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso e verificar se houve tráfico de influências em suas consultorias sobre economia para empresas, já que por ser político federal tem acesso privilegiado às informações.

A C.P.I., nesse momento, se faz necessária para que a sociedade tenha conhecimento mais detalhado do caso. Se Palocci for culpado terá de pagar e caso não seja, sua inocência será comprovada para todo o Brasil. Creio não ser inocente pelo fato de o governo tentar à todo custo não levar o caso para frente.

Por outro lado a presidenta não pode barganhar com bancadas, como a católica e evangélica, o apoio para a não investigação do enriquecimento do ministro à troco de parar com a produção do "kit anti-homofobia", que seria distribuído nas escolas do país para diminiur o preconceito na sociedade.

Acredito que a não distribuição do kit está correta não por conta de que somente a família deve instruir as crianças, mas sim por que seu conteúdo não era adequado para a situação. Um novo tipo de material deve ser feito e distribuído para toda a sociedade e não somente nas instituições de ensino.

A bancada católica e evangélica cedeu ao pedido do governo e não apoiará  a C.P.I. Tenho a certeza que os eleitores desses políticos ficaram feliz por não haver o kit., mas será que todos concordam que o ministro não deve prestar contas à sociedade?

Nada contra as pessoas e sua fé, mas somente utilizei esse exemplo para ilustrar como os políticos pensam e agem de acordo com seus interesses. Isso em praticamente todas as bancadas e partidos, afinal de contas cada um quer uma fatia do bolo, ou de poder. O escambo rolou solto e a presidente, Dilma Rousseff, foi quem o intermediou.

Meu voto, nas eleições de 2011, foi à favor de quem está no governo e nem por isso existe apoio para tudo que se faz. Gostaria de uma C.P.I., assim como um novo código florestal, uma reforma política e econômica e, também, um "kit anti-homofobia" decente e que realmente permita a inclusão social no país.

Mas tudo isso pode não passar de balela e utopia, pois como sabemos tudo no congresso passa por negociações e interesses dos políticos enquanto a sociedade fica à mercê do que pensem e o que querem.

Thiago Marcondes é Jornalista

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