terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conflito entre Somália e Quênia pode gerar uma nova guerra

Guerra interna somali pode se tornar confronto regional com nação vizinha

Por Thiago Marcondes

Quando se fala "países africanos estão em guerra" muitas pessoas têm em mente que a afirmação é uma redundância, pois nos noticiários o continente sempre se destaca por conta de conflitos étnicos, religiosos ou em busca do poder. Mas acredite, às vezes tudo isso é uma coisa só!

A Somália, um dos países mais instáveis do continente africano e do mundo, sofre por não ter um governo definitivo desde meados da década de 90. A mílicia islâmica Al Shabab promove ações armadas no país e, também, na capital Mogadíscio com a intenção de conseguir o controle da nação e promover a Sharia. Ou seja, as leis serão regidas de acordo com o livro sagrado para os muçulmanos, o Corão.

Inúmeras mortes ocorreram e ONG's que ajudavam no trabalho humanitário e distribuição de alimentos foram expulsas do país. Inclusive a organização Médicos Sem Fronteiras teve problemas e sua atuação foi diminuída e os voluntários tiveram de se retirar da Somália.

A União Africana (U.A.) intervém no país desde 2007 com soldados pacificadores e a O.N.U. parece não ter interesse nos problemas. Burundi e Uganda forneceram tropas para tentar controlar a situação, mas nos últimos dias foram atacados fortemente e sofreram baixas. A ofensiva do Al Shabab ocorreu por conta da invasão do território somali pelo vizinho Quênia, que o acusa de cruzar suas fronteiras e sequestrar estrangeiros. Uma francesa foi sequestrada e morreu por não receber as medicações necessárias para o tratamento de câncer.

O governo queniano enviou seu exército e junto com milícias locais anti Al Shabab e a União Africana para tentam encontrar os responsáveis pelo sequestro e puní-los por invadir seu território e desrespeitar sua soberânia. Em contra partida, a Al Shabab solicitou ao Quênia que retire suas tropas, ou então os confrontos se estenderiam e ambas as nações poderiam começar uma nova guerra na região.

A milícia islâmica afirma ter matado mais de 30 soldados da U.A. enquanto organização afirma ter perdido no máximo 20 combatentes, sendo que 06 seriam provenientes do Burundi. Tropas de Uganda também perderam vidas, além dos cidadãos em seu próprio país terem morrido após um atentado em que a Al Shabab assumiu a autoria para retaliar a participação no processo de pacificação da Somália.

Não há consenso sobre a quantidade de mortos das tropas da U.A., mas existem fotos que comprovam a morte de soldados que provavelmente eram do Burundi. Os milicianos seguram um crucifixo e, também, tem uma bíblia pendurada sob um pedaço de madeira.

A situação somali já não era boa e, pelo visto, tem tudo para piorar já que a U.A. não sairá do país facilmente e os quenianos, para mostrar seu poder e soberania após seu território ter sido invadido. O que antes era uma guerra interna e que praticamente ninguém dava atenção agora pode se tornar um confronto entre 02 nações onde milhares de vidas podem ser perdidas.

Aliás, o Quênia apenas se preocupou em parar a Al Shabab por que teve sua soberania violentada. Caso contrário seria "cada um com seu cada qual" e pronto.

Thiago Marcondes é Jornalista

Um comentário:

Ivan Jubert Guimarães disse...

Pois é meu caro Thiago. A ONU não se preocupa com nada que envolva países pobres.
O que vem acontecendo no território africano é uma vergonha mundial que prova que os homens agem como animais. As guerras que assolam aquele continente tendem a se tornar uma única guerra que poderá ser chamada de Primeira Guerra Africana envolvendo quase todo o continente.
Estou escrevendo sobre isso e logo irei postar no blog.
Um forte abraço,
Ivan