sábado, 15 de outubro de 2011

Melhores condições SIM! Desde que sejam longe de mim

Ao tentar impedir a mudança do abrigo, moradores de Pinheiros mostram preconceito contra pessoas que já sofrem por sua condição social

Por Thiago Marcondes

A cidade de São Paulo tem um grande problema social com a distribuição de renda onde existem poucas pessoas com muito dinheiro e muitos cidadãos com quase nada, ou então nada mesmo como os mendigos e moradores de rua. Essa situação não é privilégio paulista, mas sim de todo o Brasil e, também, da América Latina. Sem esquecer do continente africano, é claro.

Os poucos que nada têm, na maioria dos casos, vivem à margem da sociedade e constantemente são tratados como lixo quando são vistos, pois em geral são invisíveis para a população e os políticos que praticamente nada fazem para reinserí-los socialmente.

Políticas públicas que viabilizam cursos profissionalizantes ainda engatinham e no geral, aqueles que não dormem na rua conseguem vagas para passarem a noite nos albergues disponibilizados na cidade de São Paulo. Os endereços podem ser facilmente encontrados no sítio da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Em Pinheiros, na rua Cardeal Arcoverde, já existe um abrigo que a prefeitura quer realocar para o número 1.968, um local um pouco mais nobre da região. A medida causou polêmica e os moradores coleteram cerca de 1,2 mil assinaturas e enviaram ao Ministério Púlico Estadual (MPE) com intuíto de impedir a mudança sob a alegação de que o comércio local sofreria prejuízos, já que os residentes não saíriam de casa e consumidores poderiam se afastar do local.

O tiro saiu pela culatra e o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes enviou os nomes de alguns síndicos de prédio para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais de Delitos de Intolerância (Decradi) após indeferir o pedido. De acordo com o portal Terra, Lopes viu indícios de intolerância social e uma demonstração ativa de preconceito já ocorria.

Os moradores, em declarações aos meios de comunicação como rádios e jornais, disseram que a prefeitura deve realmente alocar os moradores de rua em boas condições, porém isso deveria ser realizado em outros bairros já que Pinheiros é um local seguro e famílias vivem e caminham por lá.

Em São Paulo, a elite sempre se diz disposta a ajudar e almeja a melhoria das condições do povo para que todos tenham acesso à tudo. Mas quando acontece algo em que os pobres e mulambentos (acredito que pensam assim) devem ficar nos bairros onde a burguesia reside e consome, o preconceito vem à tona e nada nem ninguém se sensibiliza com a situação.

Elite e burguesia aqui citados  foram para ilustrar a situação, mas há casos em que a classe média, que hoje trabalha o dia todo para conseguir pagar pagar a faculdade (que cursa à noite) e nada sobra para arcar com lazer, também tem preconceito com esses casos.

Pelo jeito todo mundo quer abrigos para os moradores de rua, políticas públicas para reinserí-los na sociedade assim como os presos e os menores infratores. Mas o que ninguém quer é um albergue perto da sua casa ou comércio, assim como não empregarão ex-presidiários em suas empresas. Ou seja, segue-se o lema de que deve ser feito algo para a ralé, aos miseráveis e por aí vai, desde que seja bem longe de nós!

Thiago Marcondes é Jornalista

Um comentário:

Anônimo disse...

Mais uma grande verdade explícita na beleza de seu texto. Chegamos a um ponto tal de intolerância que se teme mais os pobres coitados do que os bandidos.
Um abraço,
Ivan