quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um Simples José

Quantos 'Josés' você conhece?

José é um homem humilde e com praticamente 60 anos. Ele acorda todos os dia às 04 da madrugada para ir ao trabalho. Toma banho, café e caminha cerca de 35 minutos até a estação de Carapicuíba para pegar o trem, que por sinal já vem lotado.

Na Barra Funda José faz baldiação para pegar o metrô (lotado também) e na Sé faz outra para poder chegar às 07 horas na região da Vila Mariana, local onde trabalha. Depois de sair da estação ele ainda caminha mais 15 minutos até o emprego.

O trajeto de volta não tem muitas mudanças em relação ao de ida. Pode-se dizer que basicamente o metrô e o trem são mais cheios que pela manhã. Ele sai do turno de trabalho às 18 horas e a condução nesse horário com certeza está com mais pessoas.

Alguns se perguntam porque José caminha 35 minutos entre sua casa e a estação de Carapicuíba para ir e voltar do trabalho. Será que o transporte público naquele município é de baixa qualidade? Ou será que José gosta de caminhadas matinais? Afinal, com quase 60 anos é sempre bom se exercitar.

Mas não meus caros! Não são esses os motivos que fazem José andar tanto assim. Ele é mais uma vítima do sistema que recebe um salário mínimo e somente um vale-transporte de ida e volta da cooperativa que o emprega.

Isso mesmo, José conseguiu um emprego através de uma cooperativa que o encaminou para uma empresa de médio porte e, dessa forma, não existe registro em carteira. Consequentemente, não tem que pagar todos os encargos trabalhistas barateando o custo de mão-de-obra.

Esse simples José, que paga aluguel do quarto e cozinha onde mora sozinho, lava a garagem da empresa onde trabalha para completar sua renda mensal e conseguir sobreviver com dignidade. Aliás, ele pensa em largar o trabalho e voltar à sua terra natal  para cuidar da sua mãe que está com problemas de saúde.

A história de José pode ser vista em milhares de brasileiros que vivem da mesma forma ou em condições piores. Porém, alguns de nós não conseguimos enxergar essa realidade que muitas vezes está diante dos nossos olhos. E sabem por quê? Porque na maioria das vezes reclamamos que o ponto do ônibus está a 10 minutos de nossas casas, a lotação demora uns 30 minutos para chegar no metrô ou até mesmo que o trânsito está muito ruim. Para nós NUNCA está bom.

Esses pequenos problemas do cotidiano às vezes nos deixam de mal humor durante o dia. Enquanto isso, José é só alegria e sorrisos para todos que passam por ele no trabalho. Até mesmo quando acorda atrasado e não tem R$ 2,70 para pegar um ônibus até a estação.

P.S.: A história de José é verídica, porém o nome foi alterado para preservar sua identidade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu caro,
O mundo está cheio de Josés, mas costumamos fingir que não os vemos.
Esse José em particular, do qual eu tive o prazer de receber muitos sorrisos, sempre foi um homem decente e de bem com a vida. Para aqueles que se importam, ele é uma pessoa que fará falta na empresa. Muitas vezes cheguei cedo no local de trabalho e lá estava ele, terno bem passado, gravata no lugar e recebendo não só a mim, mas funcionários e clientes da mesma maneira, sorridente.
José, ao contrário do que se pode pensar é um homem rico, rico na humildade, rico em sua maneira simples de viver, sem se queixar de nada.
É o tipo de homem que vai deixar saudade. E agora José?
Ivan