quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Futebol: a volta aos estádios

Mesmo com problemas estruturais o esporte ainda mobiliza milhões 

Por Thiago Marcondes

A Copa do Mundo de 2014 deveria ser o ponto alto no Brasil para uma modificação na estrutura do futebol através da inclusão social, novos estádios e torcidas de diferentes nações e culturas misturadas nas cidades-sedes. Não foi bem isso que aconteceu, mas muita gente voltou a se emocionar e a valorizar a ida aos jogos.

Houve um tempo que a qualidade técnica dos campeonatos no Brasil caiu e assistir uma partida da Série A era praticamente impossível. Não que nos últimos dois anos a situação melhorou muito, mas o último Campeonato Brasileiro teve o Corinthians (ainda que falem sobre o "apito amigo") campeão com futebol muito bonito.

Em meados de 2011, através do artigo "Futebol na T.V.: vou para com isso", afirmei que não assistiria mais futebol pela televisão por conta da qualidade dos times, do monopólio da Globo por não antecipar as partidas realizadas às 21h45m e pelo alto valor do ingresso em estádios sem estruturas decentes para os torcedores.

Em 2012 me rendi, por um pequeno momento, e fui ao Canindé assistir Corinthians x Portuguesa, partida terminada em 1 x 1. Naquele ano o o time foi, enfim, campeão da Libertadores e se preparava para jogar o mundial, mas nem isso me comoveu para ir em muitos jogos.Chegar ao estádio não foi muito fácil e a estrutura, como sempre, péssima.

Com o legado da Copa pensava em conhecer a Arena Itaquera, mas o programa "Fiel Torcedor" praticamente inviabilizava (e ainda inviabiliza!) a compra de ingressos para não-sócios. Um grande amigo, Daniel Acacio, me convidou e levei minha esposa para assistir o primeiro clássico do estádio contra o São Paulo Futebol Clube, em 2014.

Enquanto morava na zona leste precisava atravessar a cidade para ir ao Pacaembu e Morumbi ver o time. Quando mudei para a zona sul o estádio foi construído e isso poderia ser um empecilho para ir aos jogos, pois teria que atravessar São Paulo como fazia antes. Porém Itaquera tem acesso fácil via metrô, trem, terminal de ônibus e através de vias públicas, o que facilita a chegada e a saída dos torcedores sem problemas ou tumultos. Sendo assim, no meu caso, o carro sempre fica em uma estação de metrô.

O estádio tem cadeiras para os torcedores (exceto no setor norte, onde ficam as torcidas organizadas) e a parte interna não deixa nada a desejar. Banheiros limpos, comércios para comprar comida e bebida (cerveja sempre sem álcool), funcionários para orientar as pessoas e segurança para quem prestigia o evento. Essa último ponto tem extrema importância para a volta das famílias aos estádios.

Corinthians x Portuguesa pelo Paulistão 2015 - Foto: Thiago Marcondes

Gostei do que vi e em 2015 me tornei sócio do programa para a compra de ingressos. Creio que no último ano não fui em apenas sete jogos do clube no estádio e na maioria deles, inclusive em clássicos, minha esposa foi companhia e torcedora. Por conta disso  os amigos se sentem seguros e foram conosco em 2016, na vitória sofrida, no melhor estilo Corinthians, contra o XV de Piracicaba pelo primeiro jogo do Paulistão.

Todos se sentiram seguros e querem voltar e muito disso se deve por conta da estrutura e facilidade de chegada e saída do estádio. Confesso que me rendi novamente aos estádios e não sei quando vou parar (espero que não pare), mas ainda assim tenho críticas ao sistema. Os ingressos, assim como os produtos, poderiam ser mais baratos para o time contar com a casa cheia. Isso deve acontecer em todo o Brasil e não apenas com o Corinthians, pois quanto mais família nos jogos melhor fica o espetáculo.

A sociedade precisa melhorar muito em relação aos eventos relacionados ao futebol, pois torcedores ainda não admitem ninguém nas ruas com camisas de times rivais e a violência, longe dos estádios, ocorre sem uma punição para os agressores.

Seria o fim do monopólio nas transmissões?

O ano de 2016 começou com tudo na questão comercial sobre a transmissão dos jogos e o Esporte Interativo tem propostas boas para os clubes. Se tudo der certo em 2019 os jogos do Brasileirão serão transmitidos pela E.I. e pela SporTV na fechada. Chega de monopólio (ver artigo "Cada um por si e a Globo por todos"), pois quanto maior a concorrência melhor a qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

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