quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A gourmetização da comida de rua

Eventos ocorrem em locais reservados onde troca-se a originalidade por modismo

Por Thiago Marcondes

O mercado de comida de rua no Brasil, principalmente na cidade de São Paulo, existe há muitos anos e os comerciantes usavam barraquinhas, carrinhos, trailers, carros, peruas, vans e, recentemente, chegaram os famosos e conhecidos food trucks (caminhões de comida em tradução literal).

Em algumas regiões, principalmente no centro da cidade, existem muitos pontos de venda e inúmeras pessoas se recusam a comer por duvidarem da qualidade do produto e da higiene. Em contrapartida há, também, inúmeras outras pessoas que comem sem problemas, pois o custo-benefício compensa. Com o passar do tempo tudo se moderniza. Inclusive o mercado de comidas de rua. A chegada dos food trucks fez parte da sociedade absorver a cultura (ou modismo) de deixar restaurantes de lado para fazer parte dessa "gourmetização".

O termo "gourmet" tem origem francesa e designa que um prato, o preparo, ou o ingrediente que compõe seja refinado. Basicamente a palavra significa "aquele que tem bom gosto" e muitos se apoderaram disso para elevarem os preços dos produtos. Seja um hambúrguer, um brigadeiro ou qualquer coisa que possa ser gourmetizada e consumida sem qualquer tipo de reflexão em relação à qualidade ou preço. O que vale mesmo é participar.

Em São Paulo os donos de food truck parecem não ter tanto interesse em permanecer nas ruas, pois as pessoas são atraídas para lugares fechados, geralmente estacionamentos que cobram cerca de R$ 2.500,00 por final de semana, com caminhões que oferecem diferentes tipos de produtos que vão desde hambúrguer até cervejas e doces. Os frequentadores desses locais entram em êxtase e não se importam em pagar valores altos pela comida em local sem estrutura decente para comportar tanta gente, pois o importante mesmo é seguir a onde e colocar a foto no instagram com qualquer hashtag que seja.


Tive oportunidade (não é bem essa palavra) de ir em um evento e o que vi foi muita gente, pouco espaço para circular, quase nenhuma mesa, poucos banheiros e produtos caros. Pode-se questionar que food truck vem do conceito de comida de rua e se eu quisesse conforto deveria ter ido para um restaurante. Pelo preço seria bem melhor.

Um lanche não sai por menos de R$ 20,00 e uma família com 4 pessoas vai gastar no mínimo R$ 120,00 com as bebidas inclusas. Por esse valor um restaurante valeria mais à pena, pois sempre tive em mente que comida de rua deve ser boa e barata e não com os chef''s, no estilo artistas, com vontade de aparecer mais que o próprio produto.

Esse mercado cresce e muita gente acredita que basta ter um caminhão bonito, um chef com barba e tatuado que as vendas vão ser altíssimas e o retorno garantido. Poucos têm conhecimento que para cozinhar em um espaço pequeno e restrito precisa ter muita experiência na cozinha.

Acredito que tudo deve se modernizar e evoluir, mas não ao ponto de deixar o produto extremamente caro e sua originalidade ser desvirtuada. Ainda sou do tempo que a kombi de hot-dog e o carro da pamonha (geralmente uma brasília ou variant) de fato vendiam as comidas de rua. Quem nunca ouviu a famosa frase "Pamonha fresquinha, pamonha caseira, pamonha, pamonha, pamonha".

3 comentários:

Melina Beserra disse...

Fui no mercado, tinha sorvete de creme gourmet... fui no shopping tinha uma barraquinha chiquérrima de churros gourmet, pq o doce de leite do churros era Havana... eu há vi até TAPIOCA GOURMET... a coisa tomou proporções tão drásticas que qualquer dia vou chegar em casa e encontrar meu cachorro com uma placa de Prazer, eu sou Gourmet...

Geovan Sena disse...

Hahahaha boa essa do cachorro

Anônimo disse...

As portas de Faculdade é um bom exemplo
tem ate nas arvores kkkkkk