segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Líbia: a esperança de volta ao povo


Final da ditadura não significa o começo de uma plena democracia

Por Thiago Marcondes

As notícias sobre a tomada de mais de 80 % da cidade de Trípoli, capital da Líbia, pelos rebeldes ontem (21/08/2011) não param de chegar via rádio, internet e televisão e até o momento não se sabe o paradeiro do ditador Muammar Gaddafi.

Nos últimos dias de batalha mais de 1.200 pessoas morreram por conta dos conflitos e no quartel general do governo ainda há sinais de resistência por soldados leais a Gaddafi. Parece faltar pouco para que o ditador se torne mais um governante que perdeu seu posto através de um levante popular no norte da África. Em 2011 já vimos a queda do tunisiano Zine El Abidine Ben Ali e do egípcio Hosni Mubarak.

A democracia parece estar na porta de entrada na sociedade líbia, pois o povo se uniu em pról de liberdade de expressão e melhorias nas condições de vida. O país é produtor de petróleo e um grande exportador para as nações européias. Talvez isso explique o apoio dado aos rebeldes pela O.N.U., os Estados Unidos e a França.

32 nações já reconheceram os rebeldes como governo legítimo e por incrível que pareça até a Síria, que sofre com protestos da sociedade por maior abertura política e reprime seu povo, os apoiou. Contradições à parte, parece que os problemas líbios estão resolvidos com o fim da ditadura, ou pelo menos muitos acreditam nisso.

À partir de agora o pensamento deve ser na reconstrução do país através da política e economia. Questões tribais e religiosas devem ser deixadas de lado e os direitos do povo devem ser iguais independetemente de sua origem ou crença. Isso é um pouco mais complicado, pois aqueles que ajudaram na derrubada do antigo regime querem fazer parte novo e com poderes de decisão.

Espera-se que após os conflitos que assolou o pais nos últimos 06 meses tudo volte ao normal e a reconstrução seja iniciada sem divergências entre os que se uniram para instaurar a democracia no país. Caso contrário, o banho de sangue promovido por Gaddaffi pode continuar por um longo tempo nas mãos do novo governo.

Thiago Marcondes é Jornalista e gostaria de cobrir um evento assim

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