terça-feira, 26 de junho de 2012

Projeto Paraguai: Golpe em Lugo

Frederico Franco e seus comparsas estão no poder, mas parecem não ter pensado nos problemas podem vir

Por Thiago Marcondes

Eleito democraticamente pelo povo em 2008 para ser presidente do Paraguai, Fernando Lugo foi destituído do cargono último dia 22 após um processo relâmpago de impeachment que durou cerca de 30 horas, período em que ele não pôde se defender.

A situação política no país vizinho sempre foi conturbada, pois o partido Colorado, que sempre esteve no poder, se opunha a eleição de Lugo já que ele sempre fez oposição aos governos anteriores a 2008.

A máquina estatal sempre foi um importante aparato para quem está no poder conseguiur se perpetuar e eleger os candidatos do seu partido e, nos últimos tempos, o partido Colorado parece ter orquestrado um plano para tê-lo novamente ao seu lado.

Os oposicionistas parecem ter planejado muito bem a retirada de Lugo no poder, pois parte do povo não apoiava seu governo por conta das manifestações dos sem-terra paraguaios que ocuparam fazendas de brasiguaios, os casos de filhos descobertos durante seu mandato (Lugo teve casos enquanto era bispo da igreja católica) e a suposta falta de diálogo político com partidos aliados que participaram da campanha em 2008.

O partido Colorado planejou bem o golpe, já que faltam apenas 09 meses para as próximas eleições presidenciais e agora, com o poder em suas mãos, poderá usar a máquina estatal em benefício próprio para eleger seu canditado em 2013. Eles aproveitaram as mortes de sem-terras e políciais em confronto para dar um ultimato em Lugo e retomarem o controle político do país.

Os setores mais consevadores e a igreja estão ao lado dos golpistas, que foram suspensos da UNASUL e do MERCOSUL porque os demais países não considerem o governo de Frederico Franco como legítimo. Até o momento somente França, Espanha e o Vaticano reconhecem o novo presidente do Paraguai.

O projeto de golpe em Lugo deu certo, pois parece que todos os passos foram definidos e o prazo para a retomada do poder cumprido. Porém devem ter esquecido de mensurar os riscos e agora o povo paraguaio pode ser penalizado economicamente. A Venezuela cancelou o envio de petróleo e o Mercosul ainda pensa em sansões nos acordos.

Para quem quiser acompanhar mais notícias sobre a resistência paraguaia ao golpe de estado pode acessar o sítio "Paraguay Resiste", que está em espanhol.

Thiago Marcondes é Jornalista

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