sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Estados Unidos da Líbia ou República da Líbia Francesa

Futuro incerto pode manter a guerra cívil ou então ocidentalizar o povo

Por Thiago Marcondes

Os confrontos na Líbia, país de origem árabe e geograficamente localizado na África, duram mais de 06 meses e os rebeldes, com ajuda de tropas estrangeiras autorizadas pela O.N.U. (Organização das Nações Unidas), conseguiram chegar a Trípoli, capital da nação, e praticamente controlam todo o território.

Membros da família do ditador Muammar Gaddafi fugiram para a Argélia, porém seu paradeiro continua desconhecido. Dia 01/09/2011 foi disponibilizado um áudio com palavras de que os líbios não devem desistir da resistência e os ataques contra os rebeldes e todos aqueles que lutam contra o regime devem ser mantidos. Mesmo enfraquecido, ele ainda pode ser um temor na retomada do país e na ascensão da violência.

À princípio o Conselho de Segurança da O.N.U. autorizou bombardeios por parte das tropas da O.T.A.N. (Organização do Tratado do Atlântico Norte) apenas para proteger cívis, o que em partes ocorreu, mas ações não previstas também foram identificadas pela mídia e por especialistas.

Com auxílio da O.T.A.N. os rebeldes saíram em caça de Gaddafi e seus aliados e as ações resultaram na quase total queda de ditador. Cívis foram protegidos, mas também mortos. Ataques através de aviões erraram alvos e mataram que não tinha nada com o problema, pelo menos não belicamente.

A França, grande beneficiada por receber o petróleo líbio e apoiada incondicionalmente pelos Estados Unidos, fez uma reunião com países "amigos" da Líbia, entre eles o Brasil, para discutir o futuro da nação e liberar US$ 15 bilhões dos US$ 100 bilhões congelados pela resolução da O.N.U. O órgão já informou que pretende permanecer no país até que a situação seja estabilizada, ou seja, mais uma ocupação em curso.

O dinheiro com certeza ajudará na reconstrução do país que sofre com crise humanitária, mas ainda permanece escuso o apoio da O.N.U. ao governo transitório com a intenção de libertar o povo e instaurar uma plena democracia no país.

O abastecimento de petróleo para os franceses, ao que tudo indica, parece ser o carro chefe dessa operação, mas também há a questão muçulmana na qual o governo estadunidense tanto teme (e acusa também!) de terrorismo pelo mundo. Agora, com praticamente todas as portas abertas para o mundo ocidental, parece que cultura e estilo de vida em países democráticos serão absorvidos pelos líbios, sem imposição por parte de ninguém, que terão liberdade de falar e agir como melhor decidirem (entende-se por O.N.U).

Não se sabe ainda se o governo transitório terá forças suficientes para se manter no poder sem que divisões tribais mantenham a guerra civil em curso. Inclusive, e também um fator chave na reconstrução da Líbia, é saber se efetivamente será possível tomar ações no país por conta própria e sem interferência estrangeira. Caso contrário a nação poderá se transformar em "Estados Unidos da Líbia" ou "República da Líbia Francesa".

Thiago Marcondes é Jornalista

2 comentários:

Anônimo disse...

Meu caro Thiago, não há nada a acrescentar no excelente texto sobre o que acontece na Líbia. O petróleo abundante nas terras árabes tem sido o motivo principal dos conflitos. O problema maior para os Estados Unidos, França e Inglaterra não é a ditadura, mas o islamismo e claro, o petróleo. O imperialismo inglês, americano e francês sempre agiram desta forma. África, Ásia e Oriente sempre foram, nas últimas décadas, quintais daqueles países.
Ivan

a vida em toda a dimensão disse...

O petróleo...sempre o petróleo...e a necessidade
de venda de armamento.Bom post.Um abraço