segunda-feira, 16 de maio de 2016

Free walking tour: uma opção barata e viável aos turistas

Conhecer Mendoza a pé e com guia possibilita ao viajante ter experiências únicas

Por Thiago Marcondes

Viajar sempre é bom e muitas vezes os turistas apenas fazem uma relação dos principais pontos turísticos como praças, avenidas, edifícios e museus para conhecerem e tirar fotos para mostrar aos amigos e familiares. Com a era da tecnologia e redes sociais como Facebook e Instagram isso se tornou cada vez mais rápido e praticamente as viagens são expostas em tempo real para todos.

Para conhecer mais lugares em grande parte os viajantes visitam o máximo de lugares possíveis em um único dia e com isso otimizam o tempo, mas nem sempre, ao menos no meu ponto de vista, realmente apreciam os locais pelo fato de não ter a companhia de um guia. Nos casos dos museus ocorrem situações que apenas olham as exposições e sequer separam um tempo para ler e apreciar aquilo foi é oferecido. Ricardo Freire, comentarista de viagem na Rádio Band News FM e que mantém o site Viaje na Viagem reporta isso como o famoso "Turista War", pois somente está de passagem pelos lugares sem obter conteúdo.

Contratar um guia pode aumentar o investimento na viagem? Sim! Utilizar ônibus de turismo pode ser uma opção, pois ele passa por uma grande quantidade de atrações na cidade e geralmente o ticket permite o viajante utilizar o transporte ao longo de todo o dia. Em algumas situações são permitidas determinadas quantidades de vezes que o turista pode embarcar e desembarcar e, com isso, facilita quais ponto prefere conhecer. De qualquer forma não tem um guia e o contexto histórico fica de lado.

Nas grandes cidades da Europa, Estados Únidos e da América Latina existem serviços de turismo chamados "Free Walking Tour" e "Tours for tips", onde o turista vai até um lugar da região para encontrar o guia que fará o tour. Não existe um preço fixo, pois o viajante paga ao final do passeio quanto acredita valer o tour. Eu e minha esposa utilizamos pela primeira vez em Cartagena (Colômbia) e optamos por repetir em nossa viagem para Mendoza (Argentina) e Santiago (Chile).

Mendoza é a quarta maior cidade da Argentina, porém não há dificuldade em conhecer as principais atrações porque praticamente todas são próximas umas das outras e o passeio pode ser feito a pé. Com exceção dos passeios para saber sobre vinhos e azeite, pois esses são em lugares mais afastados.

Na cidade existe o Tour for tips disponível de segunda à domingo às 11h e de segunda à sábado às 15h com opções para conhecer a Cidade Nova, Cidade Velha ou Parque San Martín. Optamos por conhecer a Cidade Nova para ter mais informações históricas e culturais referente a região que estávamos e como a cidade se desenvolveu até os dias atuais.

O tour começa na Plaza Pellegrini e sempre tem dois guias à espera de turistas. Quando estivemos na cidade estavam os guias David e Marcelo e o primeiro faria o passeio com turista que falavam inglês. Nós optamos pelo espanhol e o Marcelo nos acompanhou para contar as histórias durante duas horas.

Plaza Pellegrini / Foto por Thiago Marcondes

O guia começou o trajeto com a explicação sobre a fundação da cidade, o terremoto que a destruiu em 1861 e a construção da cidade nova. Com ele soubemos que a cidade foi construída em uma região desértico e que por muito tempo não se podia construir prédios com mais de 10 andares por conta dos sismos. Nos informou, também, sobre a parte econômica e que a principal fonte de dinheiro é o petróleo e não a produção de vinho, como grande parte das pessoas pensam (também pensávamos isso!).

Na Plaza España nos contou sobre a chegada dos espanhóis e falou sobre os monumentos existentes para ressaltar toda a história da época. Ao fundo tem a estátua de duas mulheres (uma espanhola e outra originária de Mendoza) sendo que uma segura um livro e a outra uvas.

As estátuas simbolizam a visão retrógrada, da época da colonização e dominação e que persiste até os dias atuais em praticamente toda a América Latina, que os espanhóis chegaram com conhecimento e ciência e por isso estão com o livro em suas mãos. Em relação a mulher argentina estar com as uvas simboliza que o povo argentino somente poderia contribuir com a agricultura. Muitos pensam ser uma obra muito antiga para trazer esse tipo de situação, mas o guia nos disse que ela foi finalizada entre as década de 40 e 50.

Plaza España / Foto por Thiago Marcondes

Um pouco mais adiante chegamos na Plaza Independencia e a julgar pelo nome e pela situação de vários países e cidades colonizados e dominados pelos espanhóis o turista com certeza vai pensar que nela ocorreram batalhas e a cidade se declarou independente, mas não foi bem assim que aconteceu.

Após o terremoto que destruiu a cidade os governantes decidiram criar espaços para servir de abrigo para a população caso acontecessem novos sismos, pois assim as pessoas poderiam ir até o lugar para se protegerem. A Plaza Independecia está centralizada e ao seu redor existem outras quatro praças que são Plaza Italia, Plaza Chile, Plaza General San Martín além da Plaza España. Todas estão localizadas à mesma distância da principal e servem como rota de fuga.

Além de ser um ponto central e importante em caso de terremotos a praça abriga um museu e eventos culturais da cidade.

Plaza España / Foto por Thiago Marcondes

Mendoza recebe bem pessoas de fora e existem comunidades católicas, evangélicas, judias e muçulmanas que se adaptaram bem à rotina da cidade. Na Plaza Independencia existe uma curiosidade: no passado os judeus construíram uma obra para representar sua religião e, com isso, os muçulmanos reivindicaram aos governantes o direito de ter algo que os representasse.

O governo local autorizou e a comunidade muçulmana criou o monumento do outro lado da praça, mas praticamente em linha reta com o dos judeus para mostrar sua presença na cidade. A convivência de ambos é pacífica, mas os mendozinos costumam dizer que foi criada uma "mini faixa de Gaza" na cidade por conta dos monumentos.

Todas essas informações obtivemos com o guia do "Tour for tips" e ao final do passeio pagamos quanto acreditamos valor o tour. Inúmeras outras histórias foram contadas no período de duas horas, mas não as trouxe aqui para que o turista possa desfrutar do city tour e sem que este blog tenha contado todos os detalhes. Ao visitar Mendoza aproveite essa oportunidade quase única para conhecer mais sobre a cidade.

Informações sobre o tour podem ser adquiridas através do site VIVÍMZA Recorridos Urbanos e as reservas (não há necessidade, mas se for prevenido vai querer deixar tudo organizado) pelo e-mail info@vivimza.com.

Para obter relatos dos turistas que fizeram o passeio acesse o Tripadvisor e confira as informações.

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