segunda-feira, 2 de abril de 2012

O difícil convívio corporativo

Fofocas e conversas fiadas podem atrapalhar o desempenho no trabalho

Por Thiago Marcondes

Conviver em sociedade é algo extremamente fundamental nos dias atuais, como se não fosse no passado, para que a pessoa crie vínculos afetivos, se destaque em suas atividades e seja inserida em algum grupo social.

Geralmente as pessoas andam com outras por conta de estilo musical, gosto por leitura, orientação política e até mesmo de acordo com seu time de futebol, tema discutido no artigo "Vandalismo mata mais um torcedor" onde indivíduos, para se sentirem inseridos socialmente, aceitam brigar e tirar a vida de outros em nome de um clube de futebol.

Mas e quando a convivência deve ser, obrigatoriamente, em uma empresa onde há inúmeras pessoas de diferentes credos, origens, culturas, orientações políticas, gostos musicais e até mesmo sexuais? Os conflitos com certeza irão aparecer e deverão ser gerenciados de forma que não atrapalhe a rotina de trabalho e as relações entre os funcionários.

De um modo geral esses casos são contornados pelos próprios funcionários. Porém, o que pode afetar o dia-a-dia são as fofocas feitas entre as pessoas para justificarem um serviço onde o resultado final não foi dos melhores. Esse tipo de problema com certeza ocorre em todas as empresas e, principalmente, quando a culpa sempre vai para um colaborador que não está mais na instituição.

O mundo corporativo é totalmente diferente do mundos dos famosos, pois quando uma pessoa sai do trabalho (costumo dizer que ela já não está mais entre nós) os demais sempre atribuem os problemas ao colaborador desligados da empresas. No caso de personalidades, quando morrem (seja de morte matada ou morte morrida) viram praticamente santas e somente as qualidades são apontadas. Enfim, a culpa é do morto.

Michael Jackson pode servir de exemplo, pois em vida a mídia sempre estava atrás dele por conta dos escândalos sexuais que envolveram crianças e jovens. Depois de morto os meios de comunicação exautaram ele como um dos melhores cantores de todos os tempos (uma verdade absoluta) e se esqueceram dos supostos problemas em vida. Ou seja, santificaram um homem que antes batiam à todo custo para conseguirem vender jornais e revistas. Dar porrada e depois agradar em nome do lucro pode.

Nas empresas, as pessoas novas que chegam, não pensam em analisar os fatos. Apenas assimilar as informações, muitas vezes fofocas, como verdade e as reproduzem sem checagem alguma. Acredito piamente que isso ocorre porque o novo funcionário quer ser inserido dentro daquele determinado grupo, que pode ser chamado de setor, e vai na onda dos mais antigos.

O mundo é pequeno, ainda mais se pensarmos em um determinado seguimento, e pode ser que em um futuro não muito distante aquela pessoa que foi acusada sem poder se defender venha a ser seu chefe. A situação pode se tornar desagradável se ele souber que você falou mal dele na empresa anterior.

O correto, em casos assim, seria de analisar os fatos e os processos para somente depois tomar uma ação qualquer. Esqueça o que passou e deixe as conversas e fofocas entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, pois ao invés de encontrar um culpado o mais certo é procurar uma solução.

Thiago Marcondes é Jornalista

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