domingo, 20 de março de 2016

Mistérios do mundo – a morte do papa João Paulo I

Por trás de toda bondade pode haver apenas a vontade do triunfo e do poder. Infelizmente isso é um problema dos homens e não da religião

Por Thiago Marcondes

Existem muitas histórias no mundo sobre alguns segredos, que as pessoas pensam ser teorias da conspiração ou mitos, mas que intrigam quase todas que as escutam. O assassinato do presidente estadunidense John F. Kennedy, a receita do refrigerante conhecido como coca-cola, os documentos secretos do Vaticano, como são feitos os frangos do KFC e a morte do papa João Paulo I são casos estranhos e com respostas que não conseguem convencer quem as conhece.

O bispo Albino Luciani se tornou papa em 1978, ficou à frente da igreja católica somente por 33 dias e depois morreu. De acordo com os documentos oficiais sua morte aconteceu por um problema cardíaco. Foi encontrado morto pelo padre Diego Lorenzi, que era um de seus secretários. Existe outra história sobre a morte onde dizem que o papa recebeu altas doses de uma medicação ou até mesmo que teve embolia pulmonar, mas nada disso está comprovado. A igreja nunca permitiu a realização de uma autópsia, mas o papa Paulo VI, quando faleceu, teve um relatório detalhado com os horários dos acontecimentos e, também, as complicações médicas.

Filho de uma família proletária e com pai socialista sua carreira na igreja não teve destaque ou muita importância, pois nunca chegou a trabalhar no serviço diplomático do Vaticano e sua eleição foi uma surpresa para quase todos. Conhecido como "Papa Sorriso", João Paulo I era muito diferente de todos os antecessores. Gostava de estar com pessoas simples, era compassivo, quente e tinha muita fé. Ao receber o papado se negou a seguir todas as cerimônias tradicionais, pois retratavam o papa como alguém superior e melhor que os demais.

Luciani pensava que as posições tradicionais da igreja deveriam ser revistas, como a reprodução humana (uso de contraceptivos), e para isso consultaria filósofos e pensadores de outras religiões, algo considerado um afronta ao Vaticano e uma quebra de paradigma para a igreja católica. Tinha, também, a meta de fazer uma limpeza no instituto IOR (Istituto di Opere Religiose), conhecido como Banco do Vaticano, com a troca de pessoas em cargos importantes.



Do passado até os dias de hoje o IOR sempre esteve envolvido em corrupção e o nome principal em 1978 era o bispo Paulo Marcinkus. A história nos conta que João Paulo I anunciaria a remoção de Marcinkus e, por isso, teria criado um plano para matar o papa. Atualmente ele está envolvido em escândalos com dinheiro e na década de 70 era citado por envolvimento com a máfia italiana e a maçonaria. Outras histórias contam que o Papa teve problemas com a Opus Dei, uma vertente da igreja reconhecida pelo seu sucessor, João Pablo II.

O escritor David Yallop escreveu o livro "Em nome de Deus" onde fala sobre a possibilidade do papa ter sido envenenado através da sua comida e/ou bebida. Ele cita sobre a conspiração para matar João Paulo I, pois quando foi escolhido os outros bispos tinham em mente que ele somente cumpriria ordens e não foi o que aconteceu. Por ser carismático atraiu as atenções e através de suas ideias pensava em transformar a igreja.

Uma instituição religiosa, milenar e com milhares de fiéis no mundo, não fala até hoje sobre as divergências nas histórias da morte de um papa que ficou somente 33 dias à frente da igreja. Isso faz as pessoas acreditarem que as lideranças estão no Vaticano somente por conta do poder e não para fazer o bem ou construir um mundo melhor.

Jorge Mario Bertoglio, o primeiro papa sul-americano e e que escolheu o nome de Francisco, está à frente da igreja desde 2013 e tem similaridade com João Paulo I que é ser simples, de gostar das pessoas e para ambos a riqueza ostentada pelo Vaticano, através, dos papas, não é importante e interessante.

Francisco também pretende reformar a igreja e começou a trabalhar para isso. Existe um temor sobre ser assassinado, mas dizem que ele fez a seguinte afirmação: "Para me matar não será fácil, pois faço todas as minhas refeições no refeitório, junto com todos os demais padres e bispos do Vaticano".

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