segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ela, ela, ela... É fogo na favela

O mundo só acaba em fogo para quem mora em favelas onde a especulação imobiliária pode lucrar

Por Thiago Marcondes

Em pouco menos de 02 meses a cidade de São Paulo viu cerca de 03 favelas serem tomadas por incêndios e seus moradores perderem o pouco que conseguiram com grande esforço, já que em muitos casos trabalham em empregos informais e não recebem os direitos trabalhistas que todos deveriam ter acesso.

Muitas das regiões, como o incêndio de hoje, são locais onde os governos (seja no âmbito municipal, estadual ou federal) têm interesse de utilizar os terrenos para ceder às empresas ou até mesmo criar conjuntos residenciais que serão utilizados pelas grandes construtoras para aumentar a especulação imobiliária e, consequentemente, seus lucros.

A mídia e as pessoas sempre retratam que o trânsito ficou parado nas regiões por conta do fogo e se esquecem de ressaltar a falta de polítcias públicas voltadas para a moradia daqueles que não têm como de comprar um casa, ou ao menos de pagar para morar  com condições básicas como luz e saneamento.

O fato curioso é que os incêndios ocorrem exatamente em época de eleições para prefeito da cidade de São Paulo. Não digo que seja a oposição para querer derrubar a situação e vice-versa, mas tudo parece, ao menos, que as chamas são provocadas de forma proposital e não por algum problema de "gatos" na instalação elétrica.

Na favela da região central de São Paulo encontraram um suspeito que já é o culpado por conta da exploração midiática. Os candidatos à prefeito, em sua maioria, somente se atacam e não citam o problema de moradia. Parecem que essas pessoas são invisíveis, mesmo que seus votos sejam interessantes no momento tentarem um cargo político

Atualmente a gestão de Gilberto Kassab mantém um programa de axílio-moradia para cerca de 27 mil famílias, conforme reportagem "Kassab paga aluguel para mais de 100 mil pessoas", e não investe em construir casas para tirar as pessoas dessa situação. Seu governo deixará um legado para o próximo de mais de R$ 100 milhões de anuais em gastos em que o povo tenha um lugar definido para morar.

Thiago Marcondes é Jornalista

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